Depois de muito tempo entro aqui pra escrever alguma coisa. O aperto no peito é tanto que precisei voltar pra onde eu sempre achei que podia deixar registrado meus sentimentos.
Ontem uma colega de faculdade se foi. Eu não a conhecia direito, não era da minha turma, mas sempre a via pelo campus entre uma aula e outra. Também fiz o ensino médio na mesma escola, então era um rosto bastante conhecido.
Temos uma amiga em comum e pra mim isso já bastava para eu sempre a olhar com bons olhos. O que eu via? Via um rosto sempre alegre, um sorriso doce e me parecia ser aquele tipo de pessoa que a gente gosta de ter por perto... Conversei pouquÃssimas vezes com ela, mas foram o bastante para confirmar aquilo que eu enxergava.
Mas ontem, ontem ela se foi e até agora eu só consigo pensar nela. Em tudo o que foi tirado de uma pessoa tão jovem.
Tirado, sim... pois ela foi mais uma vÃtima dessa doença terrÃvel que estamos enfrentando desde o ano passado. Mais uma vÃtima desse desgoverno que insiste dia após dia em nos matar, em nos tirar tudo aquilo que é precioso pra nós.
A tristeza e a dor de perder alguém assim é enorme, mesmo que eu não a conhecesse de verdade. A dor e a tristeza que os familiares e amigos mais próximos estão carregando nesse momento eu não consigo nem imaginar, não consigo mensurar.
Mas não é só tristeza que eu tenho carregado. Sinto raiva, muita raiva! Raiva por que estão tentando nos matar e estão conseguindo e parece que ninguém vai ser punido por isso.
Vinte e seis anos ela tinha. 26. Uma vida inteirinha pela frente... Provavelmente tinha inúmeros sonhos e objetivos. Era uma cientista, uma professora... O tanto de coisa que ela ainda ia ensinar e aprender... E tudo isso não poderá mais ser realizado e por que? Por causa de uma pessoa mesquinha e nojenta, que o único trabalho era era proteger a população, o único trabalho era trazer a vacina. Mas isso nos foi negado 53 vezes. Cinquenta e três.
Hoje escrevo não só pela dor de perder uma pessoa conhecida, também escrevo pela dor que eu tenho sentido a cada vez que vejo uma notÃcia atualizando o número de pessoas que se foram. Mais de 400 mil. Mais de quatrocentas mil vidas interrompidas. Mais de quatrocentos mil sonhos que não poderão ser realizados. Mais de quatrocentos mil.
E mais... não é só tristeza, dor e raiva. O medo também é grande! Desde que tudo isso começou ele se fez presente, mas hoje eu senti ele de perto. Medo de passar por isso seja por conhecer alguém ou seja por eu mesma. Medo de ver mais sonhos interrompidos ou de que os meus sonhos sejam. Eu sinto medo.
Espero do fundo do meu coração que tudo isso acabe logo. Que o medo se vá, que a tristeza e a dor se amenizem e que eu não veja mais ninguém partir. Espero que o inominável saia escorraçado do poder e que tenhamos algum momento de paz. Espero do fundo do meu coração.
08/06/2021













