Eu estava lå, limpando a janela do vigésimo nono andar.
E jĂĄ cansado de tanto trabalhar, com sono, me inclinei ao erro e caĂ sem ter tempo de pestanejar.
Tå, confesso que até vi aquilo chegar, mas estava tão desanimado de tudo que decidi a queda me entregar.
Me joguei no erro, me entreguei com peso e rasante fui cortando o ar, mandando âtchauâ para todos os vizinhos que na realidade nem conseguiam me enxergar.
E mesmo que enxergassem, nĂŁo retribuiriam o educado adeus de indiferente semblante, nĂŁo fariam nada! afinal por ali, suicĂdio sem intenção Ă© praticamente normal, daquela cidade faz parte do cardĂĄpio de todo e qualquer restaurante.
âme inclinei ao erro e caĂâ eu disse, mas isso Ă© âerradoâ dependendo do ponto de vista de quem lĂȘ, pode ser certo para alguns, por isso explicarei o meu.
Do vigĂ©simo nono andar eu caĂ, o balde e o esfregĂŁo ficaram, comigo sĂł foram a sujeira, um Ășnico sapato molhado e uma sensação estranha de âestar esperando algoâ.
Do vigĂ©simo com velocidade, fui para o dĂ©cimo quinto e do dĂ©cimo quinto ao dĂ©cimo terceiro e do terceiro ao primeiro atĂ© que no nono cheguei, poucos metros de minha morte, eu me encantei e a partir dali, decidi que jamais me perdoaria, por ter dispensado aqueles tantos âeu te aviseiâ
Me encantei pela moça mais linda, nunca tinha visto ser tão bonito, muito menos naquele prédio onde só existiam patrÔes chatos e velhinhos enxeridos. Ela, ao contrårio de todo mundo ali, me viu cair, me observou e se preocupou.
Encontrei algo que achava ser fĂĄbula, o âamor a primeira vistaâ a minha âmetade da laranjaâ e toda essa cafonice que um dia jurei ser balela que nunca pensei em dar trela.
A moça gritou, eu sorri..
e poucos segundos depois..
eu
morri.