Devaneios do Cotidiano [que perco]
“Esqueça-me Esqueça-me e desapareça Desapegue-se, prossiga Ou me enlouqueça Embora minha loucura já cresça e se enriqueça com as migalhas que me ofertas por sobre o muro de tua fortaleza.
Desapareça Despreze-me e desapareça Em perfeita harmonia, como a letra para a melodia que a vida toca Preciso do teu desprezo para alimentar minha alma melancólica.
Despreze-me Despreze-me ou me convença Convença-me de que enlouqueci sozinha Sozinha como sempre fui Na solidão que me roubaste ao entrar na minha vida e fazer-me te amar O que me priva de te odiar.
Convença-me de que enlouqueci sozinha, nas noites em claro mergulhada em teus versos que já são para outrem Lançando ao vazio da minha memória, versos que me parecem tão vazios quanto a própria, mas que pareciam ser teus sobre mim Como se teus novos escritos [belos e dolorosos] apagassem o que vivemos Emoldurasse às sombras a energia a sinergia a sintonia que outrora tivemos.
Convença-me que a cada verso que te vomito [E suplico a mísera piedade ao ser que te ama] Que poderei, enfim No fim dos meus dias Por-te para fora de mim E então sentir meu definhar, o calar, o repousar,naquilo que em vida tanto temi O viver sem sentir Sem ti”.








