Belos olhos, ou sobre ĂŽnibus e amores
Ă difĂcil entender o que o coração faz. NinguĂ©m espera o amor. NĂŁo como se espera um ĂŽnibus. Depois de um tempo pegando ĂŽnibus, todos os dias, no mesmo ponto, vocĂȘ sabe que ele virĂĄ. VocĂȘ o espera. Mas ninguĂ©m pega o amor todos os dias, Ă s 06:05. VocĂȘ sĂł acredita que ele virĂĄ, sĂł espera qie eçe apareça no mesmo ponto que vocĂȘ espera o ĂŽnibus, e nĂŁo naquele bairro que vocĂȘ nunca foi.
Quando espera, nĂŁo Ă©? Ou vocĂȘ nunca desejou nĂŁo amar, para nĂŁo sofrer, nunca mais? Se nĂŁo, eu nĂŁo desejo a vocĂȘ. Mas, muito provavelmente, vocĂȘ vai desejar nunca ter cruzado com aqueles olhos, nunca ter atrasado e pego o prĂłximo ĂŽnibus, o ĂŽnibus daqueles olhos. VocĂȘ vai desejar nĂŁo ter memĂłria, para esquecer aqueles lindos olhos. Mas nĂŁo esqueça.
Eles podem te tornar um artista.
Eles vĂŁo mudar sua vida.
Chama amor, o nome.
Ou belos olhos.
VocĂȘs escolhe. Â