Luísa tinha certeza absoluta que aquilo tinha tudo para dar errado, mas estava mais do que certa que aquela noite ficaria gravada em sua memória se saísse viva daquela confusão e parcialmente ilesa. Os passos eram rápidos enquanto seguia atrás de @celwstcs por entre a pequena multidão que se formava em meio a avenida. “Cel, refresca minha memória, por que eu aceitei vir nessa... Loucura, hoje?” Luísa fez uma careta tentando arrancar uma olhada sobre o rosto da loira, mas não pôde se movimentar com tanta liberdade quanto gostaria. “Eu tenho pelo menos uns dois ou três seminários para planejar para a faculdade, sem contar com a apresentação da peça que temos que montar para a aula prática daqui a duas semanas. Eu já disse que odeio montar coreografias cuja história eu não entendo nem um pouco?” Riu um pouco nervosa, enquanto levava um pequeno empurrão de um cara que tinha, provavelmente, o dobro da sua altura. Engoliu em seco por um momento e tentou acalmar um pouco os batimentos do próprio coração. “Ok, tudo bem.” Assentiu. Ela tinha que fazer isso, não podia ser a menina frágil que sua família sempre achou que fosse. Momentos mais tarde, lá estavam às duas em meio à uma corrida clandestina. O motor das motos rugiu sob os ouvidos da Ortega, que olhava admirada tudo aquilo. Não fazia ideia que aquele tipo de coisa acontecia na cidade. “Você conhece alguém por aqui, ou estamos no meio da toca dos lobos sozinhas?”