Crescer em uma cidadezinha do interior é um eterno marasmo. Sem shoppings, lojas bacanas e praças movimentadas para frequentar, a gente cresce fazendo o que dá. Inventando as próprias aventuras. Isso é uma verdade que a Luisa Geisler soube transcrever a rigor nesse livro, ‘Enfim, Capivaras’.
A história é leve, gostosinha e dá pra ler rápido, em coisa de duas ou três sentadas. Muitas vezes, parece uma observação da vida adulta sobre como um adolescente enxerga o mundo à sua volta. As coisas mais bobas e as mais sérias se misturam quando a gente está por volta dos 14 – 16 anos, e cada um experimenta essa fase de jeito diferente.
A Luisa e seus personagens me fizeram lembrar de como estamos sempre chocando as expectativas que alimentamos contra as dos colegas, pais, professores… E sobre como esses laços que criamos, são a maioria das vezes impostos por dividirmos a mesma turminha da escola ou porque moramos na mesma rua, ao invés de afinidade ou pertencimento. Ah, também tem capivaras. Me amarro nelas.
[+] Off: acabei por descobrir que o livro foi banido de uma feira em Nova Hartz, no Rio Grande do Sul, por motivo de linguajar chulo. As palavras usadas fazem parte de qualquer linguajem inadequada. Merd*, bost*, fod*, cacet*, etc. As pessoas se assustam por pouco. E isso diz muito sobre o que (ainda) estamos vivendo no Brasil.