Perdida
Perdi-me em algum lugar entre as louças sujas e a pilha de roupas para passar. Fiquei presa na metade do caminho e nem mesmo com toda a ajuda do mundo, consegui me encontrar. Perdi-me em algum caminho entre a Rua Augusta e a minha casa. Perdi-me entre as folhas caídas e o asfalto quente.
Não me encontrei em nenhum dos CDs guardados por estilos em pequenas caixas e nem em todos os livros calmamente dispostos em ordem de tamanho no alto da estante da sala. Também foi impossível me encontrar em meio a filmes de ficção e muito menos naqueles baseados no pleonasmo puro de conter “fatos reais”.
Joguei-me no alto do beliche do meu antigo quarto, na minha antiga casa, e observei o morro ao longe. Morro que poderia ser do Rio de Janeiro se eu não estivesse ainda em meio a grande São Paulo.
Fechei os olhos e me perdi entre os uivados do cachorro e os barulhos no portão às 22hs. Ao amanhecer me perdi ainda mais com a mania do sol e da lua de todo dia querer dividir o espaço do céu logo pela manhã.
Perdi-me entre o que é certo e errado, o que é bom e o que é ruim. Só não perdi o cheiro que você deixou e nem a raiva que me dá por tentar negar tudo o que eu digo. Perdi-me em algum lugar entre o começo e o final de toda essa história, mas, apesar de ainda não saber onde estou, ao contrário do que possa pensar, eu não perdi a mim mesma.
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