repri-se
Se te pareço cansado, desculpa o desabafo, afoguei os meus demónios pelas três. Se um dia as nuvens sabiam a doce, hoje acho que morri outra vez.
Se te pareço triste, precisei das palavras e elas parecem já não gostar de mim. Se um dia o tempo perguntava ao tempo, quanto tempo mais achas que aguento assim?
Se te pareço longe, é só a capa que abranda os pesados pensamentos. Se um dia a escada mostrava o plano, agora sinto-o apenas em breves momentos.
Se te pareço áspero, é só o frio de um calor que já não sei tolerar. Se um dia a estima do que sou capaz, hoje existo no medo incapacitante de falhar.
E volto a tentar.
19 | 04 | 2024 | cama do sótão [original de 28.01.2024, caderno azul]





















