Hey, aquela não é FREDERIKKE HEPPENHEIMER? Ela parece acabada, mas ainda posso ver a semelhança com SARAH GADON, boatos contam que ela tem apenas 24 anos, mas não sei se é verdade. Ela é uma filha de ÉTER e foi jogada na cela dos CAÏNA. Aqui em Cocytus Lake ela comumente é chamada de THE SAD GIRL. Uma pena que ela se encontra INDISPONÍVEL.
{ He who wishes to be obeyed must know how to command }
“No inverno, a matilha sobrevive enquanto o lobo solitário é derrotado e consumido pelo frio. Todos sabem que os lobos criam apenas os filhotes mais fortes, abandonado os fracos a mercê da morte certa, restando-lhe apenas duas opções: render-se e colocar-se com o ventre para cima, dando ao mundo a oportunidade de pisoteá-los ou assassinar sua fragilidade e fortalecer-se, tornando-se igual aos pais que, por sua fraqueza, o abandonaram. O ponto aqui é que sempre existe uma segunda chance se você consegue encontrá-la. Contudo, ela se desdobra em vários caminhos incertos, restando a você escolher apenas um. De tal modo escreverás tua própria sentença. E ao final, assinarás a teu próprio epitáfio.”
Não existe aqui uma bonita e triste história de vida. Em fato, sequer se pode dizer que existe algo concreto. Como contar a história de alguém que realmente não a tem? Ou pelo menos não tem os resquícios de memória daquele tão distante e aparentemente frio passado. O fato é que a mesma realmente não fazia ideia de quem havia sido antes de ser Frederikke Heppenheimer. Os vestígios de seu passado resumiam-se em um dia cinzento na Alemanha. O dia no qual a pequena menina havia sido largada em um beco qualquer, um lugar onde crianças jamais deveriam ser deixadas e, ainda assim, muitas já haviam estado em tal situação. Abandonada e negligenciada por sua misteriosa e desconhecida família, estava fadada a morrer sem apenas ter aberto os olhos para o mundo. Algumas horas a mais exposta ao frio e aos demais perigos que qualquer outra situação poderia lhe oferecer, e Frederikke teria cumprido seu destino. Porém, por uma vez, a sorte talvez estivesse favorável, abrindo um mero sorriso debochado para redirecionar os caminhos da garota. De alguma forma, a haviam encontrado. De alguma forma, haviam escutado o choro frágil que se apagava gradativamente e haviam seguido até sua origem. De alguma forma, haviam conseguido chegar justo a tempo de salvar a recém-nascida. E então, com isso, se conseguira salvar uma vida. Klara e Severac, ao ver a criança tão frágil, se sentiram impossibilitados de apenas passar a garota para frente, como se fosse apenas uma mercadoria com a qual lidar. A pena os invadia, preenchendo suas mentes com culpabilidade e sussurros de encorajamento. Naquele dia frio e cinzento, por primeira vez, a menina fora alvo de algo bom. Aquelas pessoas poderiam simplesmente deixá-la cumprir o que lhe havia sido prescrito. Contudo, decidiram tomá-la e assumir a responsabilidade e dar-lhe um nome, um lar. Se aquilo não era o real amor de uma família, era o máximo que ela algum dia chegaria a receber.
Os anos passaram e Frederikke crescera, como óbvio e esperado. A garotinha desenvolvia-se rapidamente a nível intelectual, aprendendo com rapidez e demonstrando domínio bastante amplo (tendo em conta sua idade) de habilidades artísticas, além de interesse extremo pela leitura (coisa que era incentivada por Severac, um adepto do exercício da cognição). Tais fatores a tornavam uma espécie de dádiva do destino a olhos dos pais, que a rodeavam de mimos e carinhos exagerados quando tinham tempo para os que lhe correspondiam em guarda, cercando-a e praticamente sufocando-a com atenção, por vezes, desnecessária ao ver da pequena menina. Preferia estar sozinha a maior parte do tempo, carregando um velho coelho de pelúcia (que havia ganhado assim que entrara para a família) e conversando sozinha sobre as coisas novas que aprendia, a modo de preservar o conhecimento. Nas raras vezes que sentia a necessidade de receber todo aquele carinho que desprezava no geral de um modo mais intenso, gostava de gastar tardes insistindo para que o “irmão” lhe dedicasse algumas horas de atenção. Terminava tendo maior facilidade para dobrar a opinião de Niels por meio da irritação, que desistia de tentar evitar a garota e se deixava comover pelos olhos verdes entristecidos enquanto a mesma implorava pela companhia dele. Contudo, o garoto tomando atos de um pirralho insano, por vezes aproveitada os momentos para brincadeiras cruéis e de gosto duvidoso direcionadas a garotinha, que modo algum tinha para se defender. E assim se seguira, apenas acompanhando o tempo que passava.
E então, a adolescência chegara, agregando à vida de Frederikke muitos dilemas e incertezas. Sentia-se fora de encaixe em seu entorno, em sua própria casa, já que todos tinham algo do passado para contar ao tempo que ela apenas tinha a certeza de ter sido descartada, deixada a mercê. Isso a frustrava e enfurecia fator que influenciou no surgimento e rápida evolução de seus complexos psicológicos. Sempre que estava próxima dos familiares e tinha tempo para iniciar uma análise silenciosa, ela apenas corria os olhos por todos os presentes ocultando o desprezo que sentia por si mesma e, em vezes, por eles. Observava a todos e cada um com indiferença. Adulações vazias, adoração estúpida, únicas coisas das quais se podia lembrar. Todos esses fatores provocavam náuseas na garota, tiravam-na do sério e aumentavam seu ódio pelo ocorrido ao longo do tempo. Por tudo o que havia tido de aguentar, mesmo que não se importasse, no fundo, ela guardava rancor. Rancor por ser abandonada sem sequer ter o direito de saber qual a sua origem. E nesses momentos, Frederikke costumava sonhar… Após ofender e blasfemar em pensamentos gostava de imaginar como sua vida seria se as coisas fossem diferentes. Sonhava também enquanto observava seu reflexo no espelho de modo tristonho e carregado de desprezo, percorrendo a figura considerada por ela tão errada, tão fora dos padrões. E sonhava mais ainda enquanto deitada na cama, após livrar-se do jantar por meio de desculpas esfarrapadas ou métodos mais intensos, derramava lágrimas e abafava o choro contra o travesseiro. Perguntava-se então como sua vida seria se nunca tivesse sido largada, desprezada, esquecida. E então se precatava que, provavelmente, as coisas seriam diferentes. De maneira incerta e, talvez, negativa. E então, apenas calava-se e aceitava que, para todos os fins, o que lhe havia ocorrido era perfeita obra do destino certo.
As coisas seguiam normalmente e pareciam correr bem até que a aparentemente tão necessária inversão de sorte ocorreu. Obviamente, nada bom poderia durar na vida de Frederikke. Sempre havia um fato errôneo, algo sempre era necessário para desestabilizar a convivência e abalar uma estrutura aparentemente forte: o casal responsável pela adoção da cria simplesmente viera a falecer misteriosamente durante o sono. Ao ver alheio, uma bela forma de morrer: ambos deitados no leito conjugal ao tempo que respiraram por última vez. Seus batimentos cardíacos cessaram e a vida de ambos se esvaiu de um modo quase teatral, como se a própria deusa da mitologia grega, Macária, estivesse cuidando dos detalhes da partida de Klara e Severac. Contudo, para Frederikke Heppenheimer, as coisas eram bem diferentes. De certo modo, ao observar os cadáveres serenos com uma expressão lúgubre e regia a culpa a atingira. Não que ela realmente tivesse algo relacionado com a morte de pessoas que tão bem lhe fizeram, oh não… Mas arrependia-se de cada momento mal-gastado e cada pensamento ruim, cada momento de rancor. Quanto atisbo de esperança parecia por perto estar, afinal, acreditava que não terminaria sozinha, descobrira que Niels simplesmente havia desaparecido. A havia abandonado, também. E assim, mudara por completo. Afetada pela perda, pela maldita desgraça e a impiedade impune, Freddi morrera por dentro. Tornara-se apenas um corpo, uma nada andante. Uma pessoa vazia e entristecida. Não encontrava grande conforto e não se deixava ser consolada. Tinha o costume de desfazer-se em lágrimas enquanto tinha por apoio apenas os próprios pensamentos.
Levara um período longo (aproximadamente dois anos) para que a garota voltasse a se recompor, contudo, já não era mais quem havia sido antes da tragédia. Tornara-se mais quebradiça no quesito emocional e muito mais tristonha. Voltara a adotar o costume da solidão e afastara-se de tudo e todos, buscando uma exclusão mais intensa para poder organizar seus pensamentos e tentar recuperar todas as demais boas coisas que perdera após a morte dos “pais”. Com isso, começara a questionar-se quem realmente ela era, afinal, nunca iria esquecer o fato de ter sido encontrada praticamente morta. Abandonada. Todas as dúvidas a respeito da vida que realmente lhe correspondia afloraram então, deixando na garota uma sensação de vazio. Afinal, quem de fato seria Mary Jo Novoselic, a garota abandonada, descartada, esquecida? Tal questão, apenas o tempo respondera. Descobrira ser filha de Éter, o deus primordial do ar superior, apenas pelo fato da existência da punição que lhe cabia, por algo tão anterior à sua própria existência. Frederikke Heppenheimer, uma semideusa. Mas não qualquer semideusa. Uma semideusa primordial, para todos os fins. Uma proscrita por sua linhagem. E assim fora encaminhada ao Cocytus Lake, sob a guarda de Aurora para viver uma nova vida. Outra vez, acompanhada.
{ these violent delights }
WANTED CONNECTION: Toxic relationship. Detalhes específicos a serem discutidos caso exista interesse.
- manipulável / - dependente
{ Everyone sees what you appear to be, }
@stealmysvnshine If you can hear me crying, then I’m sorry if it hurts
@stealmysvnshine Que belo dia para deitar e morrer.
@stealmysvnshine Cansei de apanhar dessa vida. Mentira.
{ few experience what you really are }
Apesar de ser dócil criatura, é extremamente entristecida e dependente, terminando por absorver emoções negativas alheias por desejo de ter capacidade de ajudar. De tal maneira, sempre permite-se afetar ao extremo por seu entorno, algumas vezes, terminando por perder a cordura e agir motivada por insanidade.