Faz cerca de dois meses. Emil foi meu único namorado, desde os dezesseis, e todos os meus encontros, ao menos os que assim podem ser chamados, foram na companhia dele. Mas esse... acabou sendo especialmente ruim porque eu tinha finalmente entendido que não o amava. Anel de noivado no dedo, casamento marcado pra dali algumas semanas, e você perceber que não consegue mais se ver com aquela pessoa? Passamos o dia praticamente em silêncio; um pesado e tão, tão desconfortável. Fingi sorrisos, senti o peito arder e as palavras implorarem pra sair, mas simplesmente não consegui confessar qualquer coisa. O que eu diria a ele? Emil merecia a verdade, compreender que jamais seria sua culpa, só que eu ainda não estava pronta para entregá-la; a ele ou a qualquer conhecido. Não quando sabia, lá no fundo, que nenhuma palavra de conforto se sucederia ao ato. Eles não entenderiam, e eu tive medo. Quando ele me deixou em casa, sentia-me tão exausta de ruminar sentimentos que desabei sobre o travesseiro.
Cresci gostando muito de frio e neve. Era geralmente a época em que os lagos congelavam e os esportes de inverno tomavam forma. Você já parou pra apreciar a beleza de uma patinadora profissional flutuando e fazendo piruetas no colchão de gelo? É mágico. Em Viena há o Wiener Eistraum, um evento com pista de patinação em frente à prefeitura. Arranhei os joelhos e caí de bunda algumas vezes? Sim, com certeza! Sei patinar de costas? Não! Como acha que caí em primeiro lugar? [risada] Mas, no geral, neve me traz boas lembranças.