Estou desmontando todas as mentiras, sobretudo as que contei pra mim mesmo.
Estou desfazendo também as mentiras que contei pra ser aceito.
As mentiras que reproduzi, na tentativa de me encaixar, de ser amado.
Não sou o bom samaritano.
Não sou um poney colorido com as cores do arco-íris.
Não sou leve, tampouco prático.
Sou denso. Escurecido. Temperamental. Irritadiço. Emocionalmente complexo.
Carrego dentro de mim, desde criança, uma raiva que não se explica.
Trago comigo uma carga, cujo peso de faz sentir à medida que a proximidade aumenta.
Talvez eu seja razoavelmente sociável, mas minha sociabilidade não dura muito.
Por muito tempo acreditei ser solitário por ser como sou, mas por fim, entendi que ser solitário faz parte de quem eu sou.
Irei embora quantas vezes forem necessárias, assim que eu perceber a ausência de reciprocidade.
Irei fazer com que morram em mim todas as minhas tendências ao sacrifício.
Não sou um herói, não sou um vilão, na verdade o que sou não se condiciona a papéis que os outros dão.
Quanto a isso, me resguardarei em silêncio, sem medo de que isso traga algum constrangimento.
Pois estou trabalhando em minhas preferências para que o incômodo seja do outro e não meu.
E se de tudo, escrevo essas coisas,
é porque sou poeta e não bobo da côrte.