Cause you're so dark, babe But I want you hard

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Cause you're so dark, babe But I want you hard

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"Stay away."
chapter 1: the beginning.
sĂndrome | s. f.
Conjunto dos sinais e sintomas que caracterizam determinada condição ou situação.
August, 1976. Summer.
Seria mais fĂĄcil se tivesse um nome?
Loucura. NĂŁo. NĂŁo era loucura, nĂŁo sempre. VocĂȘ julgava como sendo, mas apenas para nomear aquilo. As pessoas tambĂ©m diziam que era loucura. Todas erradas. Em alguns dias era muito pior do que a loucura, e em outros nĂŁo era nada, era apenas vocĂȘ. Mas quando era vocĂȘ, se aquilo jĂĄ era uma parte sua? JĂĄ nĂŁo havia se difundido na primeira manifestação de tiques durante a sua infĂąncia?
Hematomas distribuĂdos por todo o corpo, palavras (e a lĂngua, a maldita lĂngua) cuspidas para fora de sua boca involuntĂĄria e inconscientemente. Coisas que nĂŁo precisava ou deveria fazer, mas fazia porque era mais forte do que qualquer outra coisa que pudesse lidar.
NĂŁo tinha nome. NĂŁo era loucura. NĂŁo era a sua culpa. Mas estava ali diariamente, todo o tempo, te lembrando de que mesmo nĂŁo sendo louco, vocĂȘ tambĂ©m nunca poderia ser normal.
E de nada importava sua condição ou sangue, porque os impulsos involuntårios não cessavam com o uso da magia.
(âŠ)
A parte interior da sua bochecha estava ferida. Sua mĂŁe havia se irritado com o som dos talheres. Seu pai parecia nĂŁo querer estar ali.
O frio costuma ser um belo cenårio para testemunhar a tristeza. A neve, o branco limpo do céu repleto de nuvens, os rostos que sempre parecem mais pålidos e melancólicos naquela época do ano. Aquele episódio se encaixaria perfeitamente com uma noite invernal. E como uma ironia do responsåvel pelo clima, o dia foi marcado pelo Sol e um calor intenso.
E vocĂȘ usava vestes negras. A gravata na cor cinza destacando-se sobre a camisa bem passada.
VocĂȘ nĂŁo soube de imediato. Uma semana depois, somente. NinguĂ©m deveria saber atĂ© que nĂŁo houvesse qualquer maneira de fazĂȘ-lo voltar atrĂĄs, vocĂȘ concluiu um tempo depois da notĂcia. Uma notĂcia que nĂŁo deveria causar tanto alvoroço, vocĂȘ continuava a refletir. Tratava-se de Sirius Black, e nĂŁo era uma surpresa, de fato. Foi, porĂ©m, para alguns esperançosos que viam saĂda no primogĂȘnito de Orion e Walburga. Ele se fora. TĂŁo rĂĄpido quanto o Gryffindor provavelmente verbalizara as palavras de despedida, seu nome fora queimado da tapeçaria da mui antiga e nobre Casa dos Black.
Os dedos compridos e finos, com unhas cortadas com esmero seguravam o cabo do garfo.
VocĂȘs estavam sentados Ă mesa de jantar. Eram raros os momentos em que Crouch Sr dirigia a palavra a vocĂȘ, e quando o fazia, vocĂȘ sabia que a sĂndrome desconhecida seria iniciada sem o menor controle. âGostaria que vocĂȘ soubesse de algoâ a voz do seu pai quebrou o silĂȘncio absoluto que antes era interrompido somente pelo tintilar de seu talher no prato. âO Blackâ ele disse, e seus olhos por fim se ergueram com interesse. Sua mĂŁe fungou sutilmente e limpou os lĂĄbios com o guardanapo de pano que enfeitava a mesa. âSirius Black foi embora, vocĂȘ soube?â vocĂȘ apenas balançou a cabeça negando. NĂŁo sabia, previra. âEle abriu mĂŁo da famĂlia para lutar em prol do que acredita. Do certoâ pontuou em uma indireta clara. Abriu mĂŁo da famĂlia. âEu sempre esperei que vocĂȘ fizesse o mesmo, Bartemius, mas por nossa famĂlia.â
VocĂȘ começou a tremer.
Seu pai continuava a falar, mas vocĂȘ nĂŁo ouvia nada alĂ©m do som do garfo batendo na louça frĂĄgil. Uma, duas, trĂȘs, quatro, inĂșmeras vezes. Cada vez mais rĂĄpido. E o prato quebrou. VocĂȘ abriu os olhos que nĂŁo sabia que mantinha fechados atĂ© entĂŁo e conseguiu ver o choque estampado no rosto da sua mĂŁe. NĂŁo sabia o que estava acontecendo, e confuso, levantou-se sem pedir licença e caminhou atĂ© o quarto.
Não era pelas palavras do pai ou a preocupação evidente de sua mãe acerca de seu futuro. Isso pouco lhe importava, nunca o preocupou. Não sabia se tinha relação a pouca proximidade ou a compreensão do que ocorrera. Por qualquer motivo, Regulus Black não deixava sua mente desde que seu sobrenome foi mencionado.
O garfo permanecia na sua mĂŁo.
fobia | s. f.
Exprime a noção de medo patológico ou aversão à (ex.: afefobia).
September, 1976. Fall.
E ele? VocĂȘ acha que ele tinha cura?
O suor que formava uma linha fina e transparente pela tĂȘmpora em uma tarde onde o Sol nĂŁo se fazia presente. A falta de cor no rosto jĂĄ pĂĄlido. Os lĂĄbios secos, rachados, sendo molhados pela lĂngua rĂłsea e feridos pelos dentes brancos. A expressĂŁo sempre sĂ©ria, nĂŁo usual para um garoto da sua idade.
Uma famĂlia vista como perfeita para uns, e problemĂĄtica para outros.
Quando vocĂȘ decidiu dedicar os seus dias para observĂĄ-lo, jĂĄ fazia frio. Era um frio suportĂĄvel, um frio de Outono que ainda existe um resquĂcio de Sol para aquecĂȘ-los esporadicamente. Ele estava triste, e vocĂȘ sabia disso mesmo que ele tentasse nĂŁo demonstrar a possĂvel dor que sentia ao ser deixado para trĂĄs pelo Ășnico irmĂŁo. Ele nĂŁo tirava os olhos da mesa completamente tingida em vermelho e dourada, afinal.
Ele nĂŁo te via, mas vocĂȘ o observava o tempo todo.
E mesmo que fosse recorrente antes, o håbito alheio de evitar as pessoas parecia mais intenso. Entre um tique e outro, seus olhos procuravam pelos orbes cinza que demonstravam puro descontentamento nas aulas, nas refeiçÔes, horårios livres e no dormitório.
Era como se cada toque provocasse uma dor excruciante.
A tez vezes mais pĂĄlida do que o habitual, o medo genuĂno na face do pureblood. Um aperto de mĂŁo. Com o distanciamento, grande alĂvio.
VocĂȘ nĂŁo tinha amigos, nunca tivera. Tratar o que vocĂȘ tinha como loucura causava o menosprezo dos demais estudantes. Regulus, por sua vez, era rodeado pelo mais variado grupo de pessoas a todo o momento. Ele nĂŁo gostava daquilo, mas vocĂȘ tambĂ©m nĂŁo.
Unha raspando a pele do antebraço direito, vocĂȘ o observava de longe na sala comunal. A face comumente pĂĄlida perdendo o pouco de sua cor, e uma mĂŁo sobre o ombro explicando a reação supracitada. Ele nĂŁo se esgueirou, nĂŁo emitiu som algum, mas os olhos cinza inflamados seguindo a mĂŁo atĂ© o rosto do autor do toque foi o suficiente para que fosse solto.
Os estudantes presentes continuavam conversando, caminhando, distraĂdos com as suas vidas. VocĂȘ, como se tivesse compreendido tudo afinal, mal conseguia piscar.
Abrira uma pequena ferida, estava ardendo.
Se tivesse um nome, vocĂȘ nĂŁo saberia dizer. NĂŁo saberia, nem queria. Apesar de ser supostamente mais fĂĄcil, a alcunha tornava o problema muito mais real.
obsessĂŁo | s. f.
Confrontar: obcecação.
October, 1976. Fall.
O Inverno ainda nĂŁo tinha chegado.
Como a sĂndrome, hĂĄbitos perfeccionistas passaram a te assombrar desde a tenra infĂąncia.
Vestes dobradas com esmero no malĂŁo, deveres impecĂĄveis entregues independente de qual fosse a matĂ©ria, banhos muito mais demorados do que o normal. Talheres organizados sobre a mesa, a quantidade exata de tinta na ponta da pena. Limpo demais, organizado demais, bonito demais, apenas para camuflar a bagunça suja que existia dentro de vocĂȘ.
Começou com os olhos. Eles eram perfeitos, totalmente de acordo com o perfeccionismo que vocĂȘ tentava a todo custo evitar. Irritava vocĂȘ, o perfeccionismo.
Azul claro. Diferente dos seus. TĂŁo claro que atingia um tom acinzentado. Um cĂ©u nublado em dias de jogo de quadribol, uma tempestade violenta quando contrariado. VocĂȘ nunca os vira de perto. Ouvia falar, e nunca sabia afirmar se eram somente boatos ou fatos. VocĂȘ os procurava esporadicamente, mas ele parecia nem sequer te perceber entre os outros estudantes. NĂŁo tinha muita curiosidade, atĂ© entĂŁo.
Certo dia, porém, encontrou-se desejoso por isso.
A aula de Defesa Contra Arte das Trevas havia por fim terminado, e Sirius Black acabara de entrar na sala com os rapazes cujos nomes vocĂȘ nunca se deu ao trabalho de aprender. Os olhos cinza do Gryffindor estavam lĂmpidos e atĂ© brilhavam. Coisa tĂpica da estrela homenageada atravĂ©s do nome. Os de Regulus estavam apagados.
VocĂȘ nĂŁo pode deixar de franzir o cenho ao notar aquilo.
A boca viera em seguida. Durante um jantar.
LĂĄbios rubros e cheios, nada de anormal se nĂŁo fossem as pequenas feridas que apareciam de tempos em tempos. NĂŁo levou muito tempo para compreender.
O frio começava a ganhar força, e o castelo te parecia duas vezes mais cheio que o mĂȘs que havia passado. Braço com braço, coxa com coxa. Muito cuidado para se servir. Seu lugar era na frente de Regulus, e ele parecia estar passando mal.
A pele branca em contraste com as pequenas e sutis sardas sobre o nariz levemente empinado, mas enrugado. Os lĂĄbios entreabertos e os dentes raspando a carne algumas vezes. As sobrancelhas estavam unidas em concentração. NĂŁo foi preciso mais do que um quase imperceptĂvel toque acidental no braço esquerdo coberto por camadas de vestes protegendo-o do frio.
Ele entĂŁo mordeu. E vocĂȘ nĂŁo conseguia sequer disfarçar. O observava cheio de curiosidade e atenção, e ele agia como se apenas ele e aquela garota que o tocou estivessem ali.
⊠Salazar.
November, 1977. Fall.
Duas, quatro, seis, oito, dezenas batidas com o dedo indicador no cabo prateado do talher.
Cinco fungadas cronometradas. Somente uma olhada de soslaio.
Havia se passado um ano. Um ano inteiro resumido em apenas espiar, tirar conclusÔes a respeito daquilo que não podia ver, um ano que não fazia a menor diferença na vida de Regulus Black.
Sua sĂndrome te controlava.
Maior, mais forte, mais poderosa. VocĂȘ nunca teve chance contra ela.
Entretanto, nĂŁo imaginava que ela exerceria tanto poder sobre suas açÔes. VocĂȘ nĂŁo queria, Bartemius, segui-lo atĂ© aquele corredor, chamĂĄ-lo como o fez, menos ainda confessar algo que pretendia manter consigo pelo resto da vida.
Se ele nĂŁo sabia antes, tivera certeza ali.
Conquanto prevista, a reação dele te machucou. Fora um ano, afinal. Um ano criando expectativas e imagens fantasiosas em sua cabeça tulmutuada. Um âfique longeâ foi o suficiente para mudar alguma coisa.
Os tiques estavam mais fortes, e sua vontade de tĂȘ-lo por perto tambĂ©m.
O que ele disse na semana anterior ainda retumbava em sua mente. VocĂȘ estava mais cuidadoso. Como poderia ficar longe?
Manteve uma distĂąncia maior naquele perĂodo, mas apenas vĂȘ-lo nĂŁo te satisfazia. Como na primeira vez que falou com ele, o impulso de sentar ao seu lado viera sem vocĂȘ notar.
Também ouvira palavras indesejadas como na primeira vez. Quando seus pés te arrastaram até ali, esperava nada além daquilo. Ameaças.
Ele prometera que iria usar de seu poder caso o primeiro episĂłdio se repetisse.
E nada do que ele dizia era importante, porque de repente seus lĂĄbios cobriram os dele. RĂĄpido como um piscar de olhos, e longo o suficiente para provocar no outro um repĂșdio jamais sentido. Por que fizera aquilo?
Foi breve, atrapalhado e casto. Mas foi bom. NĂŁo era isso o que vocĂȘ precisava.
Se nĂŁo, passou a ser.
December, 1977. Winter.
NĂŁo houve arrependimentos da sua parte, mas a resistĂȘncia da dele ainda existia. VocĂȘ queria se desculpar, contudo, porque sabia como aquilo o afetava.
Alguma coisa mudava, e mesmo sabendo que deveria impedir, vocĂȘ queria que aquela mudança acontecesse.
Os jantares em Hogwarts eram eventos Ă parte. Cada um deles era responsĂĄvel por toda a baderna insuportĂĄvel com a uniĂŁo dos estudantes das quatro casas e de todos os anos. Levou uns poucos dias atĂ© vocĂȘ ter a ideia e colocĂĄ-la em prĂĄtica sem chamar atenção. Ele parecia nĂŁo ter noção do que vocĂȘ pretendia quando o chamou para ir atĂ© o SalĂŁo Principal algumas horas posteriores ao horĂĄrio da Ășltima refeição.
O local estava vazio e silencioso. Dois pratos decoravam a mesa de madeira escura. Suas mĂŁos estavam escondidas dentro dos bolsos das vestes em um aviso mudo de que nĂŁo faria nada daquela vez. NĂŁo gostaria de espantĂĄ-lo. NĂŁo queria ficar longe. O fato de estar ali, mesmo que desconfiado, mostrava certa crença. Incomum ou nĂŁo, vocĂȘ buscava por ela.
Parecia que vocĂȘ tinha feito algo certo, afinal, Barty, e aquele gesto simples e significativo tornou-se um hĂĄbito rotineiro. Conheceu mais sobre ele, e ele sobre vocĂȘ. E jĂĄ nĂŁo podia chamar mais aquilo de obsessĂŁo. NĂŁo tanto.
December, 1977. Christmas.
VocĂȘ nunca gostou do Natal. Nem sequer acreditou nas coisas que a data pregava aos tolos esperançosos.
Desde que ingressou em Hogwarts, deixou de passar essa data com sua famĂlia. Apesar do descontentamento de seu pai e a chateação de sua mĂŁe acerca disso, vocĂȘ concluiu que seria melhor assim. De que adiantaria estar presente e nĂŁo participar de algo que ambos apreciavam e compartilhavam sozinhos? Era um dia como todos os outros, com exceção a grande diferença dada na instituição dada pela ida da maioria dos alunos para suas casas. Tinha Hogwarts para vocĂȘ por alguns dias, e essa era a Ășnica vantagem que o feriado possuĂa.
... Até Regulus convidå-lo para passar aqueles dias com ele.
Foi com surpresa que vocĂȘ aceitara a oferta feita por ele, e vocĂȘ nĂŁo fazia ideia que como seriam aquelas semanas convivendo diariamente. VocĂȘ foi mesmo assim, imaginando que ele jĂĄ nĂŁo te queria tĂŁo longe como havia dito semanas atrĂĄs.
VocĂȘ dormia em um quarto ao lado do dele, e quando fechava os olhos, podia imaginar a expressĂŁo sĂ©ria suavizando-se atĂ© aparentar total serenidade. VocĂȘ dormiu muito pouco naqueles dias.
Foi impossĂvel nĂŁo se lembrar das madrugadas em Hogwarts onde vocĂȘ perdia o sono apenas o observando do outro lado do quarto. Os cabelos tampando os olhos cerrados e os lĂĄbios entreabertos a salvo dos dentes que insistiam em feri-los. Suas mĂŁos formigavam, Barty, ansiando em tocar o rosto e sentir a textura da pele ou dos cabelos que vocĂȘ tanto olhava. E mesmo sem tocar, vocĂȘ podia jurar que saberia dizer cada sensação diante dos toques. TambĂ©m era impossĂvel nĂŁo saber, nĂŁo quando vocĂȘ ensaiava fazĂȘ-lo tantas vezes.
Algo que vocĂȘ nĂŁo imaginava, era que ele estava tĂŁo acordado quanto vocĂȘ.
VocĂȘ mal podia escutar o som dos pĂ©s pisando o assoalho de madeira do corredor, e sĂł pode perceber que jĂĄ nĂŁo estava mais sozinho no quarto quando a luz foi acesa com um manear sutil da varinha que nĂŁo era sua. Os olhos cinza te encaravam, agora de perto, e o cheiro dele era a Ășnica coisa que predominava em sua mente naquele momento.
 O que ele queria?
Parecia que sua respiração jamais voltaria ao normal, e vocĂȘ fungou inĂșmeras vezes antes dele ele se aproximar ainda mais. Ele estava sĂ©rio, e os olhos mais escuros do que vocĂȘ se lembrava. VocĂȘ fungou mais uma vez sem fazer ideia do que dizer ou de como agir, mas nada disso foi necessĂĄrio, porque quem tomou a atitude de colar os lĂĄbios dessa vez foi ele.
Regulus Black tinha medo de tocar outras pessoas.
Mas estava tentando, com vocĂȘ. Foi desajeitado, houve lĂngua, saliva e respiraçÔes descompassadas misturadas de modo que nĂŁo saberiam dizer qual era a de quem. Ainda assim, vocĂȘ fechou os olhos e permaneceu estĂĄtico enquanto ele estava no comando. Ele tinha vocĂȘ nas mĂŁos.
Ele se afastou um, duas, trĂȘs, quatro vezes, mas tentava novamente. E a cada nova tentativa, algo em vocĂȘ queria puxĂĄ-lo para ainda mais perto e concretizar tudo o que imaginara durante o ano que se passou. No entanto, com paciĂȘncia e compreensĂŁo â algo que nunca te viram exercer, a propĂłsito â vocĂȘ deixou que ele fizesse o que desejasse. Era claro que uma hora ou outra ele se afastaria e nĂŁo mais voltaria a tomar os seus lĂĄbios.
Assim ele se foi, tĂŁo sorrateiramente quanto viera.
Seus lĂĄbios entreabertos formigavam, o sabor dele ainda estava na sua boca. VocĂȘ estava surpreso, e nĂŁo sabia quando conseguiria pregar os olhos sem sentir o Ămpeto de invadir o quarto do anfitriĂŁo. Contrariando suas vontades, contudo, vocĂȘ se cobriu deixando somente o rosto Ă mostra. Cada cĂ©lula do seu corpo o sentia, e queria mais.
VocĂȘ nunca gostou do Natal, atĂ© Regulus convidĂĄ-lo para passar o feriado com ele.
VocĂȘ, ainda com os olhos abertos, passou a ponta dos dedos no local recĂ©m beijado pelo alvo de toda sua atenção. E sorriu. Podia ser loucura, obsessĂŁo, podia nĂŁo ter nome ou qualquer significado. Podia nĂŁo ser fĂĄcil, bonito, ou especial. Mas era. E Regulus acabara de te dar essa certeza. E deitado sobre uma cama que nĂŁo era sua, mas se sentindo muito mais em casa do que em qualquer outro lugar, vocĂȘ achava que era o suficiente.