O quão longe pode ir nossas invenções?
O que acontece em um mundo onde máquinas são necessárias para a sobrevivência humana? “Autofab” é baseado no conto homônimo lançado em 1955 por Philip K. Dick e tem uma história que discute não só a inteligência artificial, mas também brinca com a noção do que é ser humano.
Depois que mundo praticamente foi aniquilado após uma grande guerra, uma comunidade pequena de pessoas deseja preservar os poucos recursos naturais que ainda restam. Porém, tendo que depender de máquinas para conseguir a maioria dos recursos necessários para sobrevivência, a população finalmente dá as caras para enfim agir contra a principal empresa causadora da gigantesca poluição e degradação do planeta: a Autofab. (Ou era isso que eles pensavam).
Arriscando as suas vidas para invadir a avançadíssima Autofab e tendo ajuda da Android Alice, o grande twist se dá quando o grupo finalmente consegue adentrar na empresa e não só vemos o monstro que o sistema se tornou, mas também o papel que os humanos tiveram no processo.
O problema está acontecendo no presente e não queremos ver
Como resolver esse problema se o próprio causador foram as próprias pessoas que os criaram? Esse é o grande dilema de “Autofab”. O conto é ostensivamente posto sobre os perigos da automação. É sobre os perigos de nunca pensar na possível desvantagem da tecnologia. Não só isso, mas como criamos uma linha de produção descontrolada e desumana inundando o mundo com o nosso próprio lixo.
Uma das coisas que fazem “Sonhos elétricos” de Philip K. Dick se destacar como um espetáculo é que isso levanta questões sobre a sociedade de hoje. “Autofab” é claramente uma paródia da interação entre o capitalismo global e as questões ambientais, uma zombaria do consumo irresponsável.
Em resumo, o conto subverte a história à qual estamos acostumados a ver nas telas de cinema e a transforma em algo que não apenas inova as coisas, mas também levanta questões sobre nossa excessiva dependência de produtos de consumo e sobre qual é realmente a nossa parte no processo de consumismo.
“No fim das contas, apenas estamos recriando nossos erros perpetuamente. Não estamos lutando contra ela. Estamos lutando contra nós mesmos. Contra nossa própria natureza. No fim das contas, fala sobre a humanidade.” - Travis Beacham.
Atividade escrita por Julia B.












