Dias depressivos na cama. Eu posso muito resistir, e relutar para não voltar para ela. Mas minha mente fica tão pesada, perdida, consigo até sentir meu estômago embrulhar, pedindo para eu voltar. Não consigo dizer se é meu lado obscuro querendo tomar conta, ou apenas o efeito dos meus remédios que não podem decidir entre me fazerem feliz ou extremamente melancólico.
A grande dualidade dos antidepressivos não é mesmo? Enfim, fiquei na cama muitas horas do dia essa semana, fazendo nada e mais nada, vendo as horas passarem enquanto me amargurava com o tempo que corria e as tarefas que acumulavam. E a sensação de crescer, que na verdade só veem mesmo através de cobranças para ter um emprego, uma casa, um carro. Ou sei lá que qualquer tipo de vida, os padrões de vida são hoje.
Mas nem para só ficar na cama eu me aguento. As vezes levanto, e faço parte de uma tarefa. Alguém diria “pequenos passos”, enquanto na verdade, é apenas uma uma querida forma de dizer “veja, você ainda não é completamente inútil”.
Talvez seja, porque eu minha cabeça, pessoas realmente depressivas não façam nada. Concepção errada que prejudicou eu mesmo entender meu problema como depressão. A ideia de que ‘ só estarei depressivo se ficar o dia todo na cama sem comer e sem beber nada ‘ . Imprimiria aqui uma risada se fosse possível. Fiz eu mesmo de tolo. Enganei achando que estava bem, e veja, que buraco profundo cavei, aponto que escrevo para você, sujeito que deve também encontrar estado equivalente ao meu.
Enfim. Acaba que nem na cama descanso, pois a mente não para. Estudando ou trabalhando não consigo, pois meu corpo está muito exausto. Calafrios, só de pensar, de me por na cadeira, que fica ali, 1m da minha cama, para fazer isso. Então as vezes ando. Deito, reviro. Mente não para. Dor não para. Nada para. Ao mesmo tempo, como posso me sentir, a pessoa para desconexa do universo? Que assiste tudo que passa, mas que é apática para tudo o que há. Apenas flutuando, mas com uma não pode controlar. Melancolia.



















