E o lobo soprou e soprou e soprou...
Passei algumas semanas remoendo o que dizer sobre Casa de Papel. Na história temos um grupo de atracadores (eu nunca mais vou falar assaltantes) que se enfia na casa da moeda de Madrid para ficar imprimindo dinheiro igual pão quente durante dez dias. Para tanto tem que colocar de refem o país inteiro acompanhando negociações, ameaças e despistes. A arte de enrolar levada ao seu último nível.Uma interessante metáfora do modelo netflix.
Por alguma razão misteriosa um cliente empanturrado é um cliente feliz, então se tem investido em cada vez mais volume não importa o custo narrativo disso. Filmes e séries e livros tem ficado cada vez mais inchados e parece que se desaprendreu a ser objetivo. É uma orgia de entrenimento. E como toda orgia precisa de uns filler entre os pedaçoes bons você empurra carne de segunda igual churrascaria.
O objetivo da história é literalmente enrolar a polícia e a audiência por quase vinte horas. O problema é nessa enrolação nada é para valer. Seguindo uma cartilha rígida todo ep termina apresentando um problema que é resolvido no ep seguinte; a escalada dos problemas aumenta de intensidade gradualmente mas não é uma bola de neve pois são situações episódicas e frouxamente relacionadas. O que Arturito vai aprontar agora? Ou vai ser a Tokio que vai fazer cagada? Ou vai ser o Professor apaixonado? Existe coerência. Os causadores de problemas são sempre os mesmos mesmo as merdas tendo consequencia zero para a trama geral. São crises que te empurrar para o ep seguinte. É um mérito, sem dúvida, mas se o único objetivo é prender a audiência na frente do netflix estamos apenas deixando a vida escorrer de clique em clique.
PS: Descobri que a série era originalmente de 15 eps de 70 minutos cada e não 22 de 45. Ou seja o ritmo foi retalhado e remodelado o que compromente um pouco a leitura. Mas como o modelo apresentado para a plébe das americas foi esse, é isso que temos para trabalhar.