Tudo aconteceu por um descuido. SiWon é um puto oportunista, ele se aproveitou da minha fraqueza porque viu o quão duro eu estava, excitado demais para declinar seu convite. Não é assim que as coisas funcionam, ok? Não é deixando um cara no limite o jeito certo de se conseguir algo dele. Algo que, em pleno domínio de si próprio, ele recusaria decididamente. Vocês entendem o que eu quero dizer? Ele abusou da minha boa vontade. Eu nunca tinha bancado o passivo pra ninguém; e por ter me feito passar esse vexame, eu vou odiá-lo pro resto da vida. Mas, puta que o pariu, foi uma das melhores fodas jamais experimentadas. Essa é o porquê da minha infelicidade, pura e simplesmente.
No fundo, eu queria repetir a dose. Sendo sincero, porra, com todas as palavras que em nenhuma outra ocasião eu ousaria usar: eu morria de tesão por ele. E nem é caso de se perguntar: quem em meu lugar não sentiria o mesmo? Não se trata de estar ou não em meu lugar, o fato é que se você é humano, mentalmente são e tem alguma noção do que significa beleza e sensualidade, você inevitavelmente vai desejar Choi SiWon. Esses três itens é o que você precisa ter para querer que ele lhe foda forte, até que o mundo se rache em dois. Falo a sério.
Independente disso, eu não queria ficar remoendo aquilo por mais tempo. Eu já estava irritado o suficiente e me desvencilhei dele, ele que se explodisse com aquela raivinha patética por ter perdido o cargo de vice-presidente pra mim: eu não estava com cabeça pra me digladiar com ele, eu só queria ficar sozinho e não pensar em nada por um tempo. É compreensível, não é? Eu tinha ficado meio abatido depois daquele dia no refeitório, quando vi SungMin e comecei a raciocinar sobre aquela merda... Eu tinha noção do quão estúpido era, e isso nem de longe significava que eu iria desistir.
Eu deixei SiWon no vestiário e saí dali às pressas, quase correndo; seria muito estressante se ele resolvesse me seguir e me apressei em sumir de suas vistas. Fui à sala e assisti às aulas da tarde. Nada mais que uma repetição sem graça dos dias anteriores. Vez ou outra eu corria a vista pelos meus colegas de classe, aqueles traidores. Eles não mudavam o repertório. RyeoWook stalkeando KiBum e YeSung – e eu desconfiava que meu lacaio vivia a planejar o dia em que os três se atracariam no banheiro da escola e fariam o mais épico ménage à trois de que já se tivera notícia – KiBum com um livro qualquer, o qual pretendia esconder entre a carteira e suas pernas, mas que qualquer um perceberia que ele o estava lendo; YeSung desenhando tartaruguinhas na aba de seu caderno, HyukJae com os olhos colados no quadro negro, DongHae com os olhos colados em HyukJae.
Henry roendo as unhas compulsivamente... com os olhos colados em Zhou Mi? Eles realmente estavam se dando muitíssimo bem, que maravilha! Zhou Mi remexendo em seu estojo – eu vi uma camisinha ali dentro? Que merda~! Não, não, uma camisinha dentro do estojo já era demais. Devia ser só impressão minha. E, por fim, JinKi praticamente comendo a ponta do lápis – não havia uma hora do dia ou da noite que aquele garoto recusasse um coxa de galinha, e eu apostava minha alma como ele estava mastigando seu lápis idealizando que ele fosse a suculenta carne de seus sonhos. Freaks. Todos eles.
À exceção de um. Isso já estava virando costume, ou melhor, mania minha. Sempre começava da mesma forma. Eu via meus companheiros, não enxergava nenhum e, instantaneamente, meus olhos, minha mente, minha alma convergiam para Lee SungMin. Quantas vezes eu ainda vou repetir que ele é diferente? Que ele é insuportavelmente diferente? Pela segunda vez, eu voltava àquele mesmo ponto. Ele. Que eu me deleitava ao divagar sobre ele, não havia dúvidas. Todavia, esse hábito já estava fugindo das raias do aceitável. Eu me recusava a tolerá-lo por mais tempo. Eu tinha que tomar alguma atitude.
Como que num vislumbre genial, RyeoWook e a extrema utilidade que ele poderia ter naquele negócio me veio à tona. Chegava a hora de agir. E um lápis voava pela sala em direção a cabeça esquizofrênica de meu subalterno. Quando houve a colisão, o professor de biologia, Kim-ssi – um porre de ser humano – virou-se em direção a nós, olhinhos apertados estudando atentamente cada um de seus pupilos, e o que ele pôde ver que lhe chamasse atenção fora RyeoWook esfregando o topo da cabeça, um semblante de dor expresso através de seus lábios contorcidos. Quem aposta como Kim-ssi não imaginou que RyeoWook estava sentindo dores de cabeça porque a teoria de Lamarck era muito hermética para seu cerebrozinho oco? 50 pratas que fora isso mesmo.
E assim que Kim-ssi voltou-se ao quadro negro e continuou a copiar a definição disso e daquilo, RyeoWook virou-se e me encarou, cheio de ressentimento. A pancada tinha doido? Pior! E é claro que ele havia se virado para mim, quem mais naquela sala lhe acertaria, tão certeiro? Só eu tinha aquela pontaria do caralho.
“O que é?”, ele sussurrou, ainda magoado.
“I’m mastermindish”, disse, em um mover de lábios. Sorri de canto e olhei para ele com triunfo.
“Quê?”, ele balbuciou, a indefectível cara de retardado que ele fazia quando não entendia o que lhe era dito – o que ocorria quase todas as vezes que alguém tentava lhe transmitir algo, na verdade.
“Eu sou foda!”, repeti, agora em coreano, porque, do jeito que Wook era estúpido, só assim para me fazer nítido.
“E daí?”, ele gesticulava, indignado por eu o estar distraindo da pior matéria, a qual ele tinha mais dificuldade. Certo que ele tinha dificuldade em todas, mas... deixa pra lá. Pobre RyeoWook.
“Você vai ajudar EunHae”, sentenciei, fazendo um gesto... hm, não muito apropriado para a hora nem para o lugar; Lau Henry, que estava extremamente concentrado em Zhou Mi – este ainda mexia em seu estojo – esbugalhou os grandes globos castanhos para mim instantaneamente, as bochechas infladas conferindo-lhe um ar de estupefação que beirava ao cômico. Aliás, quem ali naquela sala, à exceção de mim, claro, não era ridículo a perder de vista? Quem?! Eu lhe dei um aceno sem graça e ele se voltou à sua atividade anterior.
“Que diabos é EunHae?!”, estúpido RyeoWook, quase gritara em plena sala de aula. Kim-ssi, todavia, mal deu importância. RyeoWook era mesmo desprezível.
“Espera aí”, respondi e, arrancando uma página de meu caderno, escrevi em letras garrafas. EUNHAE = EUNHYUK + DONGHAE = NOVO CASAL 20 DA SHINHWA HIGH SCHOOL! VOCÊ VAI ME AJUDAR A TORNAR ISSO REALIDADE OU NÃO? E na borda, em letras menores: Reflita, ok. Primeiro é EunHae, depois pode ser YeWook. Ou YeBum, o que você acha de YeBum? Muito mais coerente do que YeWook, não? Ou você ia preferir YeBumWook?
Pedi que HyukJae lhe passasse e logo RyeoWook estava lendo. O bilhete retornou às minhas mãos em questão de segundos. RyeoWook havia escrito numa letra convulsa sua mensagem de ódio.
QUE MERDA VOCÊ TÁ FALANDO, KYUHYUN? POR UM ACASO A PORRA DO SEU NAMORADO LHE SUBIU À CABEÇA?
HA-HA! Eu não ia deixar aquilo barato.
Meu namorado o caralho. Zhou Mi é só sexo. TÁ COM INVEJA, NÉ? O QUE É QUE FOI, MASTURBAÇÃO NÃO TÁ DANDO MAIS CONTA DO SEU FOGO, QUERIDO? – e desenhei uma boquinha do lado. Tipo (K)
Por que eu gostava tanto de baixar o nível com RyeoWook? (E só com RyeoWook, vale acrescentar) Porque a brincadeira ficava muito mais divertida, esse era o motivo.
Para, valeu? ): Isso não é legal. O que você quer que eu faça?
Venci, venci! RyeoWook era tão fácil de se persuadir, tão fácil de se atiçar. Ai, ai. MAS, POXA, EU ESTAVA RINDO TRESLOUCADAMENTE POR DENTRO! ISSO NÃO É LEGAL, MY ASS! TIRAR UMA COM A CARA DO WOOK ERA LEGAL PRA PORRA.
Você vai cozinha o jantar deles.
E assim ficara combinado. DongHae sequer havia convidado HyukJae, mas isso não era problema. Porque ele o faria em alguns minutos, assim que Kim-ssi se despedisse de nós. Não fazia diferença se todos os colegas estavam na sala, sentados em suas respectivas carteiras, em silêncio, esperando o próximo professor adentrar e nos encher com a inutilidade de que era sua competência. DongHae era tímido, introvertido, acanhado? Foda-se. Ele iria propor um jantar a HyukJae ou eu não me chamava Cho KyuHyun.
E o sinal tocou, Kim-ssi saiu e só estávamos nós, os estudantes, na sala. Fui sorrateiramente até DongHae e, como a própria cobra do paraíso, lhe ofereci a maçã vermelha do pecado. “Vá convidar Hyuk para um jantar”, sibilei, em tom sensual, bem próximo à orelha de meu comparsa. Eu notei quando os pêlos de sua nuca se eriçaram e ele se remexeu sobre o assento. Oh, DongHae, tão gostoso. Eu até pegaria você, mas isso seria um problema a mais...
“Você tá louco...? E-eu não posso. Não assim, não tão de repente”
Eu suspirei, fazendo emergir todo o meu poder de convencimento. Isto é, estava me dando tempo para encontrar algo que o amedrontasse o bastante para fazê-lo ir ter com Hyuk.
“Sabe, um amigo de meu pai sempre repetia uma frase. Uma frase meio sentimentalista e completamente boba, mas depois que ele se tornou o primeiro presidente negro dos Estados Unidos, eu pude perceber o quanto ele estava certo. Antes, eu nunca dera ouvidos ao que ele falava, mas depois disso, tudo mudou”, comecei, narrando minha pequena história em tom sonhador. “Sabe o que ele dizia, Hae? ‘Yes, you can!’ YOU CAN, HAE! AGORA VAI!”
Eu lhe dei um empurrão, e ele quase caiu da cadeira, porém, num instante ele estava sentado novamente, temor e receio compunham uma máscara sobre o rosto bem desenhado.
“Vá lá antes que eu o faça”
“Se você não convidá-lo, eu o convidarei por você”
“Estou falando a verdade”
Pela maneira como eu o olhei, orbes ameaçadoramente o fitando, ele não titubeou em ir até Hyuk. Ele não poderia se negar. Viram como eu sou convincente em meus argumentos? Não exatamente argumentos, mas valia tanto quanto. Quem liga? DongHae estava a caminho da carteira de HyukJae e o universo conspirava a meu favor. Coitado do garoto, suas pernas estavam bambas como um par de varas de bambu ao vento. Por um átimo, eu fiquei mal por ele. Mas foi só por um átimo. Não porque eu sou tão perverso que nem sou capaz de ficar penalizado por alguém, e sim porque SungMin parara à minha frente, sorriso amplo e ar simpático.
Ah meu Deus, por quê?! Eu tive vontade de me esconder e chorar. Eu não entendia por que, de repente, ele conseguia me desestabilizar desse modo tão... escroto? É, essa é a palavra certa. Ele era um escroto filho da puta! Seus sorrisos, seus trejeitos, sua bunda e cada pedaço de si – tudo artifício do demônio para afundar homens como eu... Espera! Que merda eu estou falando? Eu estou fora de mim? SungMin nunca, nunca... Ele nunca. Eu nunca. Por que eu não sentia nada por ele.
“Olá, Kyu-ah”, ele me cumprimentou, sorridente e radiante como a porra de um raio de sol. Entediante como o inferno. Se sua bunda me dava pontadas num lugar obscuro, sua simpatia gratuita me faria vomitar qualquer dia desses. Eu tinha asco. Sabe o que é pior? Eu não tinha motivos para isso. Não era como se ele estivesse sendo forçosamente simpático, ele era simpático. Era óbvio que ele verdadeiramente sentia toda aquela empatia por mim e tudo mais. Só que eu não aceitava que fosse tão simples. Nós não éramos amigos, nós não éramos nada um para o outro. Ao menos, não deveríamos ser.
Ou melhor, nós éramos inimigos, rivais. Sim, era o que nós éramos.
“Boa tarde, Minnie-ah”, eu lhe devolvi o sorriso, tentando ser o mais agradável que pude. Maldição! Era tarde demais. Ele já havia me fodido – não literalmente, óbvio.
“Como está? Eu fiquei preocupado com você esses dias, você anda tão distante e alheio...”, ele falava como se estivesse se desculpando. É, Lee SungMin, se desculpe! Porque é mesmo tudo culpa sua! Se desculpe, e nem mesmo assim eu lhe perdoarei! “Me perdoe se eu estou sendo inconveniente, eu só queria dizer que você pode contar comigo, tá? Pra qualquer coisa!”
Argh, seu idiota! Eu estou tramando o fim de sua liderança de sala, de sua carreira escolar, de sua dignidade, de qualquer oportunidade que você tenha para melhorar a sua vida e sair dessa perrengue no qual você provavelmente vive junto a seus pais e seus dez irmãos famintos e miseráveis. Não me trate como seu eu fosse a melhor pessoa do mundo! Eu estou mais perto de ser a pior!
“Obrigado, SungMin, mas não tem de nada errado comigo”, retruquei, lacônico. Ele me observou com doçura, aparentando compreender o que se passava comigo, mas ele não poderia. Talvez seria como ele demonstrava sua gentileza: contemplando as pessoas como se entendesse o que as perturbava. O que era uma idiotice, já que SungMin estava tão apartado dessas ninharias como nenhum outro. Nada que estivesse no nível mundano o atingiria, era o que eu concluíra. Quero dizer, para chegar a ele, deveria ser mais essencial, mais profundo, mais intenso. E eu queria arrasar a vida dele por mesquinharias. Era por isso que ele estava tão vulnerável a mim: o que eu tencionava era superficial, fútil e idiota. SungMin, por sua vez, vivia em outra esfera.
Daí, eu vi o furo em meu plano. Não bastava que eu me fingisse seu amigo, me aproximando dele, e lhe desse uma punhalada nas costas. Não bastava que eu o atirasse nos braços de Henry Lau e esperasse que a história chegasse aos ouvidos do Embaixador e que este ficasse possesso por seu único filho e herdeiro estar envolvido com um garoto – um garoto pobre, o que era pior – não bastava que eu fizesse de tudo para expulsá-lo daquela escola debaixo de vaias e com a dignidade e a inocência conspurcadas. Não bastava.
Eu queria ir mais fundo. Eu queria estraçalhar seu coração com minhas próprias mãos, me regozijar por ter seu rosto banhado por lágrimas depois que ele descobrisse minhas intenções por trás daquela polidez e condescendência. Que ele dissesse “Eu te amei, Kyuhyun, mas você foi a pior coisa que me aconteceu”. Que ele lamentasse, que ele desejasse que tudo tivesse sido diferente. Eu queria que SungMin sentisse por mim o que eu sentia por ele. Me deseje, fantasie comigo, me adore, me tenha como a melhor das criaturas.
Eu estava prestes a excluir Henry de meu plano e eu mesmo encenar seu papel. Certeza que eu o faria com muito mais habilidade, talento, paixão. Lee SungMin era meu. E não era mais segredo para mim, eu não me atreveria mais a negar o que estava tão na cara. Eu estava patologicamente, irreversivelmente obcecado por ele.
Ele continuava ostentando o sorriso puro e gentil em seus lábios tão suculentos – como eu ansiava tomá-los, não era sadio que eu alimentasse essa vontade, but... I just can’t help myself. Ele sentou-se ao meu lado, no espaço que DongHae deixara. Colocou uma mão sobre meu ombro e afagou essa região, maternal. Eu quase fechei os olhos ante ao contato. Era tão acolhedor, tão seguro. SungMin era um feiticeiro, um demônio e ele estava me envolvendo poderosamente, me enleando em seus encantos, e eu o odiava tanto, tanto.
“Kyu-ah, eu não lhe avisei antes por achar que você não estava com disposição para enfrentar essas burocracias com as quais nós teríamos que lidar”, ele começou, ainda acariciando minha pele por cima de meu uniforme. Seu toque me causava arrepios indevidos, eu era um idiota. Oh, eu era. “Acontece que nós tivemos várias reuniões esses dias com a diretoria, com a coordenação, com os membros do grêmio. Provavelmente nós teremos que passar por tudo isso de novo, já que você não pôde comparecer.”
Eu me livrei de seu incômodo contato e o perscrutei, de cima a baixo, meu olhar praticamente o despindo, não por eu não conseguir mais conter aquela vontade imprudente de fodê-lo de todas as formas possíveis, mas porque eu tencionava deixá-lo desconfortável como ele nunca se sentira na vida. Quem ele pensava que era para me deixar de fora dos compromissos como vice-líder? Ele estava tentando me passar a perna? Maldito.
Seja lá o que fosse, eu o havia deixado acanhado. Ele abaixara os olhos, as bochechas enrubescidas, esfregando as mãos uma na outra enquanto mordia o lábio inferior. Provocante como o inferno. Um puto genuíno, era o que ele era.
“Você devia ter falado comigo, SungMin”, redargui, controlando as emoções que poderiam me trair. “Tudo bem, tudo bem. Vamos em frente. Quando será a próxima reunião?”
Rolei os olhos, entediado. Ele levantou a vista e me sorriu, aliviado. Ele era bobo, bobo, bobo! Eu ficaria com dó se tal sentimento fosse de minha natureza.
“Hoje à tarde, Kyu-ah. Depois da próxima aula”, anunciou, alegremente. “Quando Yang-ssi terminar a explanação, já podemos sair e nos dirigir à sala do diretor. Ele estará nos esperando.”
Ele se ergueu do assento e piscou para mim, matreiro.
“Essa é uma das vantagens de sermos líderes. Temos permissão para matar aula, se tivermos uma boa desculpa.”
Oh, SungMin, você está tão certo, refleti acompanhando seus movimentos sutis, porém sensuais de seus quadris e de sua bunda absurdamente apetitosa. Suas coxas carnudas, enchendo a calça do uniforme com aquela protuberância que beirava ao indecente. Os fios negros ondulando levemente ao menor rumor. Você está tão certo, Lee SungMin, e um dia, eu prometo, sim é uma promessa, nós mataremos aulas e eu o estarei fodendo e você estará gemendo. Não, não, gemendo é pouco, você estará gritando, implorando para que eu vá mais forte, mais rápido. Você vai me chupar e, é, vai ser tão bom, você nunca irá provar nada igual em toda a sua vidinha idiota...
“Pensando em mim, meu baobei?”, era Zhou Mi, já deslizando suas mãos à volume entre minhas coxas.
Eu gargalhei nervosamente. Cruzei as pernas, procurando disfarçar aquele inconveniente e repousei minhas mãos em meu colo, detendo os dedos ágeis e implacáveis de Mimi. Agarrei sua mão, conduzindo-a até meu peito, no qual meu coração batia, trôpego.
“Shh, Mi. Não deixe que os outros percebam” Inútil pedir isso, porque à essa altura, JinKi e YeSung nos assistiam como se fossem espectadores de um filme pornô encenado ao vivo. Zhou Mi escondeu o risinho com a mão e aconchegou seu rosto na curva de meu pescoço, inalando meu perfume ou o que quer que fosse. Engoli a seco, porque eu já estava tão duro, não precisava de ninguém para vir me atiçar. Minha (má) sorte era que Zhou Mi sempre estava a postos.
“Eu quero uma noite longa, selvagem, despudorada, insana com você”, ele segredou, sugando o lóbulo de minha orelha sem dar a mínima para nossa plateia. Eu cerrei minhas pálpebras, mentalizando RyeoWook vestido de coelho da páscoa distribuindo ovos para as crianças das redondezas, o ápice de sua existência, uma história da qual eu jamais iria me esquecer e que me servia todas as vezes que eu tentava me distrair de Zhou Mi e suas provocações. E eu falhei, droga. Não era Zhou Mi, era SungMin. Eu tinha que arranjar uma distração para quando SungMin me deixasse duro, especificamente. Talvez eu devesse vestir RyeoWook de Papai Noel este natal? Parecia uma boa idéia.
“Você vai ter, minha bonequinha, você vai ter”, enxuguei o suor de minha testa e me afastei dele alguns centímetros. “Agora me deixe voltar ao normal, nós estamos em sala de aula, Zhou Mi. Tenha dó”
Ele fez um biquinho adorável e se ergueu, todo pernas e afetação. Soltou um beijinho no ar para mim e dirigiu-se à sua carteira. Graças a Deus! Todavia, levou cerca de uma hora para que eu voltasse ao normal, os minutos exatos, porque quando eu já suspirava aliviado, contente demais por não ter melado minhas calças, SungMin me arrastava para fora da sala. “Vamos à diretoria”, ele cantarolava, quase pulando pelo corredor afora.
Eu estava prestes a chorar. Por favor, por favor, por favor, eu repetia em minha mente, não me deixe duro de novo, por favor, seja clemente. Não tinha como manter o foco quando há duas nádegas interagindo diretamente com seu pau, quer dizer, não diretamente... Que seja, elas falavam ao meu pau, era isso. Fique duro, fique duro, duro como concreto. Duroduroduroduroduro! DURO! Fique...
“INFERNO! ME DEIXE EM PAZ”
Ok, eu tinha gritado. Alto, alto demais para a minha própria segurança. Eu tapei minha boca com as duas mãos e SungMin me olhava, atônito, rosto inclinado e lábios abertos. Ele devia estar se indagando pelo que eu estaria passando, alguma crise familiar, ou mesmo crise de adolescente que não tem nada melhor para fazer a não ser sofrer e se lamentar por tudo, oh, Senhor, ele estava morrendo de pena de mim, era visível. Seu queixo estava tremendo, porra! Ele ia se debulhar em lágrimas, ele ia!
Entretanto, sua reação foi correr e me abraçar. Ele me apertou contra si como se não houvesse amanhã. Como se eu fosse me despedaçar se ele não me segurasse firme em seus braços. O que diabos estava acontecendo? Ele acarinhou meus cabelos, passando a ponta de seus dedos por entre meus fios. Felizmente, eu estava pasmo demais para me excitar ante toda aquela proximidade. Eu deixei o ar sair de meus pulmões após prender a respiração por uns segundos consideráveis. Eu nunca havia recebido um gesto de carinho tão gratuito, tão sem razão. Eu não pretendia reconhecer, no entanto, era inevitável que eu me defrontasse com o que estava em jogo.
SungMin. Lee SungMin. Saia de perto de mim. Não me seduza assim tão intencionalmente. Não me deixe assim.
Eu o empurrei. E ele me mirou em cheio, nossos olhares se cravando um no outro, à medida que ele camuflava sua mágoa tênue por eu ter desfeito o abraço. Ele puxou uma de minhas mãos e me fez uma carícia amigável na palma desta. Eu suspirei pesadamente, me amaldiçoando por eu ser tão mesquinho, perverso e libertino, me amaldiçoei ainda mais por eu não conseguir ser mesquinho, perverso e libertino o suficiente. Caso contrário, eu não estaria me censurando por sê-lo.
“Desculpe, SungMin-ssi”, pedi, a voz se fazendo parcamente audível. “Eu só estou um pouco exausto. Nada demais”
Ele me presenteou com o sorriso mais radiante que um ser humano tinha condições de dar. Não era como se sua preocupação anterior tivesse se desvanecido, ele só estava menos aflito por minha causa, e isso se dava porque eu fizera o impossível para ser convincente. Bom, deu certo. Ele chacoalhou minha mão, esta ainda envolvida entre a sua. Eu retribuí seu sorriso, embora não tão iluminado como o dele.
“Está tudo certo, Kyu-ah. Eu vou cuidar de você daqui pra frente, ok? Não vou deixar que você se canse muito ou trabalhe além da conta. Deixe tudo comigo, eu prometo que farei um bom trabalho”
Eu juro que eu morri por dentro. Pessoas como SungMin ainda existiam? Eu achei que elas tivessem sido extintas. Extintas por canalhas como eu.
E é isso. Eu sou um canalha. Um canalha completo, sem tirar nem por. Quem discorda? Hm. É. Hora de agir como tal.
“Obrigado, SungMin. Mas eu vou adorar fazer meu próprio trabalho!”, retruquei, pisando forte e o deixando para trás. Ele, todavia, me alcançou e permaneceu ao meu lado durante todo a trajeto. Chegamos à sala do diretor e foi aquela lengalenga que eu já esperava. Que se dane. Park-ssi era um filho da puta, eu o odiava: ele era pai de LeeTeuk e isso era demais. Esteja ligado a LeeTeuk e eu já eu estou lhe odiando.
Ainda que eu não lhe tivesse um pingo de respeito, ouvi seu discurso inteiro sobre como nós tínhamos uma responsabilidade grandiosa e honrável em nossas mãos, nós éramos líderes, o que significa que nós havíamos sido escolhidos diretamente por nossa turma para conduzi-la numa estrada de glória. Nós tínhamos como missão nos comportarmos como os mentores desses jovens, nós tínhamos um dever social em nossas mãos, e era tarefa nossa nos dedicarmos a ele com toda a seriedade e distinção e, assim, nos tornaríamos grandes homens.
Tudo enchimento de lingüiça. Meu objetivo na vida era ser mais poderoso e rico que meu pai. E meu pai, definitivamente, era podre de rico, tanto poder que ele poderia limpar a bunda com o poder, poderia jogar poder pela janela de sua limusine, ele tinha poder como nenhum outro coreano. Eu superaria meu pai. E o discursozinho medíocre de Park-ssi não acrescentaria em nada.
SungMin, por sua vez, tinha os olhos marejados. Ele já ouvira aquele discurso antes, sim. Não importava, não era? Ele escutaria Park-ssi mil vezes e por mil vezes ele se emocionaria como se fosse a primeira vez. Estúpido.
Tão logo deixei SungMin, contatei RyeoWook a fim de acertar alguns detalhes do encontro de DongHae e HyukJae. DongHae não era prioridade, eu estava certo de que ele convidara HyukJae e ai dele se não o tivesse feito. Disquei o número de RyeoWook em meu iPhone 4 e ele atendeu em questão de segundos.
“Qual é o prato?”, eu indaguei, indo direto ao ponto.
“Kimchi”, ele pontuou, inseguro.
“Eles já devem estar cheios de comer Kimchi. Ah, que seja. E quanto a sobremesa?”
“Hm, boa escolha. Guarde um pouco pra mim. Já arrumou o espaço?”
“Sim, vai ser no terraço do segundo prédio. Eu pedi as chaves a ShinDong-shi e ele as conseguiu para mim. Você sabe, ele é membro do grêmio e tudo mais”
“Sim, sim. Perfeito, Wookkie. Conto com YeSung para servi-los. Ouviu bem?!”, berrei, o mais assustador que pude. Hehehe, RyeoWook certamente estava tremendo do outro lado da linha. “Eu quero aquele pateta servindo o casal 20. EXIJO!”
“A-acho que se você conseguir um aquário maior para Ddangkoma, ele topa”
Que porra era? Algumas das bizarrices de YeSung, como RyeoWook me confirmou em seguida.
“A tartaruga de estimação dele”
“Pelas chagas de Cristo! Quanto custa uma droga dessas?”
“Providencie uma! Que droga. Te encontro em dez minutos, Wookkie”
E desliguei o celular, enfiando-o no bolso de minha calça. Em relação a SungMin, eu já não o via mais como o problema. Eu o via como parte da solução.
Eu sorria como uma criança que acaba de ganhar seu primeiro Playstation. Sim, enfim, eu visualizava a resolução de meus dilemas, bem à minha frente, brilhando com a força de mil sóis, mas não a ponto de ofuscar minha visão. Eu era tão genial. Eu estava tão satisfeito que arrisquei alguns passos de uma dança que eu acabara de inventar. Batendo meus calcanhares e caminhando. Ah, a vida é bela como a manga é amarela, mes amis!