Não quero ser pessimista e nem demasiadamente melancólico, mas me parece que a vida é um constante apagar de luzes.
Sinto que tenho assistido a muitos espetáculos, seguidos por cortinas fechadas, por vezes, permanentemente.
Sou signo de fogo. Sou naturalmente relutante contra as ideias do apagar-se, do vazio, da escuridão, dos finais e da morte.
Pensar nessas questões faz com que eu me sinta como a chama de uma vela, que por mais tímida que seja, pode iluminar um cômodo totalmente tomado pela escuridão. No entanto, assim como essa mesma vela, à medida que queimo e ilumino, eu vou adiantando o meu fim.
Em momentos como esse, em que percebo a vastidão do vazio ao meu redor , sinto como se minha chama se encolhesse por um momento na tentativa de desacelerar o processo do apagar-se. É como se, por um instante, eu cedesse um espaço para a escuridão esticar as pernas.
É como se, de relance, a escuridão esboçasse um sorriso apático, como quem sabe que em breve voltará a preencher todo o cômodo, depois que o último lampejo de luz da vela for apagado por sua própria cera.