Depressão pós-parto, um problema mais comum do que se espera
Doença, que atinge 1 em cada 4 mulheres, pode ocorrer até um ano depois do parto e se estender por meses.
Matéria por Thaís Fritoli
A depressão, por si, já um problema que, há alguns anos, vem sendo discutida na sociedade. Porém, a depressão pós-parto ainda é um grande tabu na família e precisa ser discutido: pelo menos 20% de todas as mulheres passam por essa situação logo após o parto, ou antes mesmo do nascimento da criança, como ocorre em muitos casos.
Apesar de reconhecida como uma doença, a depressão pós-parto ainda tem muitas questões a desmistificar em torno de si. A psicóloga Marta Souza comenta que os sintomas podem durar por anos se não tratados. “Ela pode começar na primeira semana após o parto e perdurar até dois anos se não tratada direito”, explica Marta.
Os primeiros sintomas podem ser difíceis de reconhecer. Para a psicóloga, o mais importante é perceber os principais e mais comuns deles, como choro frequente, falta de energia e motivação, entre outros. “Os principais sintomas são irritabilidade, sentimentos de desamparo e desesperança, desinteresse sexual, alterações alimentares e de sono, sensação de ser incapaz de lidar com novas situações”, enumera Souza.
Apesar de agir nas emoções, outras situações frequentes para as mulheres com depressão pós parto são as dores psicossomáticas, que dizem respeito ao corpo e à mente ao mesmo tempo, como cefaléia, dores nas costas, dor abdominal sem causa orgânica aparente. Por sua complexidade, muitas pessoas podem acabar confundindo a doença com uma tristeza comum.
Segundo a psicoterapeuta Josefina Aló, é comum que as pessoas confundam, mas o que a distingue é sempre sua intensidade. "A diferença entre depressão e tristeza é a gravidade do quadro e o que ele tem de incapacitante. A tristeza pós-parto é considerada uma reação normal no puerpério (tempo que vai do parto até que os órgãos genitais e o estado geral da mulher volte ao normal) imediato, ocorre na primeira semana após o parto, tendo remissão espontânea," elucida a profissional.
Segundo a psicoterapeuta, a depressão pós parto é mais séria por se tratar de uma doença que, em casos mais graves, pode levar até a morte da mãe. “É uma patologia e precisa de medicação. Perda de prazer e interesse nas atividades acontecem, alteração de peso e sono, dificuldades para se concentrar ou tomar decisões, pode haver até pensamentos de morte e suicídio."
Uma mãe que sofreu com esses problemas comenta sobre as dificuldades que encontrou após o parto. “Entrei no grupo para entender o que estava sentindo, receber apoio e ser compreendida também. Nunca fiz acompanhamento. Logo após o parto eu me sentia diferente, deprimida, pensei que iria passar mas a tristeza, a angústia e o desespero só aumentaram com o passar dos meses," explicou a mãe.
Ela também comentou sobre a vergonha de contar sobre a depressão: "ainda tenho alguns ataques de tristeza ou nervosismo, isso com 11 meses depois do parto, tem dias que saio socando tudo, outros que não consigo sair da cama, muitas mães do grupo compartilham as mesmas experiências. Quem sabe desses ataques é apenas meu marido, que me acalma e me compreende. Faço de tudo para o resto da família não perceber isso, tento parecer a mãe perfeita nas redes sociais, mas em casa é bem diferente," expressou a mãe.
Diagnosticar e tratar os transtornos pós parto é de extrema importância, tanto para a saúde da mãe como para a relação mãe e filho. Martha Souza comenta que além das drogas receitadas pelos médicos é importante o apoio da família, "O uso de medicação antidepressiva é essencial, aliado à Psicoterapia. É importante que a família e os profissionais da saúde proporcionem confiança e segurança à puérpera, sem críticas e hostilidades, mas com compreensão e carinho, acolhendo-a nos momentos de maior fragilidade emocional."
A prevenção também é uma forte aliada no combate à depressão pós parto, reconhecer, ainda que no início, os sintomas pode ajudar as gestantes com problemas futuros. Em todos os casos, o papel de suporte da família é primordial. A psicóloga ainda enfatiza que as consequências da depressão pós parto não tratadas podem ser devastadoras para todos os envolvidos, "podem ocorrer infanticídio, negligências na alimentação do bebê, morte súbita da criança, machucados “acidentais” no recém-nascido, além de depressão também do cônjuge e divórcios.
Outro problema são os casos de suicídio das mães depressivas," esclarece Martha. É importante que todas as mães que passam por essa situação sejam acolhidas pela família e que entendam que elas não estão sozinhas, e que acima de tudo essa doença tem cura e pode salvar a vida dela, do bebê e de toda a sua família.










