Acidental
O amor Ă© acidental. Incongruente.
ColisĂŁo entre dois veĂculos O amor nĂŁo tem freio nem marcha rĂ©.
Quando é que o amor irá me encontrar Na próxima esquina à caminho de casa?
No retorno perigoso que se esconde na avenida Nos becos engolidos pelas grandes construções
Em baixo dos viadutos ou enquanto o sinal ainda está vermelho? O amor é acidental
Inesperado Indomável. O amor não manda recados nem dá aviso prévio
Talvez ele chegue algum dia e bagunce toda a casa novamente Quando eu já tiver organizado os livros por autor
Quando toda a sala e a cozinha e o resto dos cĂ´modos estiverem adaptados para a minha solidĂŁo.
Talvez o amor desconstrua os viadutos, os retornos, as grandes construções.
Talvez o amor abra espaço para os becos estreitos escuros, grafitados poéticos
O amor, quem sabe me aperte na parede grafitada de um beco e me beije como sĂł o amor pode beijar
Talvez ele chegue e destrua e reconstrua e dissemine qualquer outra coisa que eu nunca dei atenção.
É porque, sabe, o amor Ă© acidental. Ele acontece como uma colisĂŁo entre dois veĂculos.
Aquele instante exato, a velocidade certa a desatenção exigida ou não se colidem ou não há acidente. Ou não acontece o amor.
JĂşlia
















