Encontrei este livro por acaso, ou ele quem me encontrou, em uma pequena feira de livros por R$15 em um supermercado. Por não se aparentar um bestseller lá estavam 3 unidades dele deixados de lado pelo tempo. Comecei a ler desinteressado e só parei quando terminei. O livro é narrado, a maior parte do tempo, por Joaquín que deixa “o livro” como uma espécie de confissão para sua filha. No livro em si, Joaquín conta para sua filha (e para nós) toda sua vida de amargura, inveja, traição e vingança para com seu amigo de infância, um quase irmão, Abel. A relação dos dois é baseada e permeada pela passagem bíblia de Caim e Abel. Aqui, Joaquín é o Caim bíblico enquanto Abel Sánchez interpreta Abel - o bíblico. Joaquín o mais comprometido, estudioso, chato, pedante e Abel o mais extrovertido, amigável, artístico e indiferente. Joaquín cresce consumido pela preferencia de todos ao quase irmão, e ao “perder” Helena, sua paixão, para Abel, Joaquín se promete uma vida de inveja e vingança. A relação ultrapassa gerações até voltar ao pó, primeiro se vai Abel e depois Caim… Como na bíblia. A narrativa é em sua maioria diálogos o que deixa a leitura bastante fluída. A forma de construção do romance parece bastante mecânica, matemática e rígida. O conteúdo, inveja, traição e vingança deixa cada capítulo (que não passam de 3 páginas) bastante pesados. Primeiro livro que conheço de Unamuno e já soube que parece o mais amargo do autor. Concordo com o peso, com a amargura, com a esquematização do romance. Mas é intrigante, me fez querer chegar ao próximo capítulo e acompanhar a cólera tomando conta de Joaquín e até que ponto ele iria conseguir dividir essa cólera com Abel. Não recomendo para uma leitura leve antes do sono, mas traz algumas reflexões superficiais mas interessantes e com diálogos ágeis dá gosto em ler. É um bom livro. #migueldeunamuno #abelsanchez #book #bookstagram #instabook (at São José, Santa Catarina)