10° CAPÍTULO - O RETORNO
Assim que cumpri meu horário de serviço, decidi ir passar a noite com meu pai. Fui pra casa pra pegar alguns pertences, tomei um banho, e fui logo. Minha tia não estava em casa, devia estar trabalhando ainda. Deixei um recado avisando que passaria a noite no hospital. Logo, peguei as coisas e fui. Estava no ponto, esperando o ônibus, quando parou um carro e abriu o vidro do passageiro.
- É Malu, certo?
- Sim… (fiquei olhando)
- Sou eu, o médico do seu pai, não está lembrada?
- Ah claro, me perdoe, está um pouco escuro, não havia reconhecido. (risos)
- Está esperando o ônibus a essa hora por quê?
- Vou passar a noite com meu pai!
- Entre aqui, hoje é meu plantão, eu levo você.
- Não vou incomodar?
- Que isso, estamos indo para o mesmo lugar.
Entrei no carro e fomos. No caminho pegamos um pequeno trânsito, o que nos fez conversar bastante. Ele me contou os motivos de se tornar médico, tinha 26 anos e já estava formado. Ele disse que queria se especializar em neurocirurgia, mas que ainda não tinha certeza. Fiquei encantada com tanto conhecimento. Ele era gentil, educado e não deixava o assunto morrer. Um minuto de silêncio…
- Então, me fale de você. (disse curioso)
- Não tenho nada a dizer. Apenas trabalho como secretária administrativa em uma empresa. Quero muito fazer uma faculdade. Mas ainda não tive oportunidade.
- Já te falei que vejo o futuro?
- Acho que deixou essa informação passar. (risos)
- Então, e eu vejo, que você se formará na faculdade.
- Assim espero! Conversa vai, conversa vem, sem que eu percebesse chegamos.
- Chegamos Malu. Vou deixar você aqui na porta e vou estacionar.
- Tudo bem! Muito obrigada, mesmo!
- Ah, só mais uma coisa… Você vai se formar.
Eu sorri, e ele saiu com o carro. Fui subindo devagar, pensando em tudo que havíamos conversado. Quando fui me aproximando do quarto, percebi que havia alguém do lado da cama. Era uma mulher. A princípio achei que era uma enfermeira, mas não estava vestida como uma. Fui entrando devagar.
- Com licença?
Quando a mulher me olhou, tomei um susto, minha pressão deve ter chegado no subsolo, fui perdendo a cor, perdendo a visão. Quando ouvi ela dizendo:
- Filha?! Você está bem?
E então, não lembro de mais nada.









