Apesar de Dolohov continuar debruçado sobre a bancada encarando o fundo chamuscado do seu caldeirão, a aula de poções já tinha acabado e com ela o dia letivo. A essa altura todos os seus colegas de classe estavam aproveitando o ar livre perto do lago, quem sabe. Ao menos Dolohov faria isso se não tivesse que cumprir aquela detenção tola. Horace Slughorn, o professor de poções e o último a deixar a sala, ainda aproveitou a ocasião para alertar - ou seria humilhar? - Dolohov. Sua situação era frágil no seleto clube de alunos escolhidos a dedo pelo professor. Seu talento nato para os duelos já não era mais suficiente para fazê-lo ignorar os frequentes deslizes do rapaz. “Por que você não se inspira em Malfoy?”, Slughorn dizia. “O quanto antes, para evitar dar de cara nas portas fechadas de nossas reuniões”.
Maldito Malfoy. Ordenar uma detenção no primeiro dia de aula já era estúpido o suficiente, por que ele ainda precisava se atrasar uma hora? Fazia de propósito, é claro. Queria alimentar a raiva de Dolohov, provocá-lo com a certeza da impunidade. Afinal, se reagisse, acabaria com mais um dia de detenção para cumprir.
Uma hora de espera... Quem ele achava que era?
Com um simples apontar de sua varinha Dolohov fez um pote de vidro abandonar a prateleira empoeirada para explodir contra a parede. A magia não verbal que aprendia a dominar deixava de ser um talento promissor para virar uma brincadeira fútil quando seu tédio encontrava a raiva.
Enquanto alguns comem quando se veem ansiosos ou roem as unhas sem notar, Dolohov destrĂłi.
Quando a porta finalmente se abriu uma dúzia de potes de vidros já tinham virado cacos no chão. Dolohov, tomado por uma boba onda de animação que preferia dedicar ao seu feito destrutivo, riu consigo e se aquietou na cadeira. Que a sujeira fosse as boas vindas para o distinto Malfoy. Não dedicaria uma só palavra ao infeliz.