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Ă engraçado como a vida nĂŁo segue um fluxo linear, como um momento⊠um Ășnico momento pode mudar tudo. Era uma manhĂŁ como qualquer outra, ou pelo menos foi o que pensou. Summer tomou o tĂpico cafĂ© forte e saiu para o trabalho. Tudo normal, com exceção de duas figuras peculiares que a esperavam do lado de fora do prĂ©dio. â VocĂȘs.. â A voz soou rouca, quase inaudĂvel. Os anos podiam ter passado, mas ela lembrava perfeitamente do semblante deles e, principalmente, dos cabelos igualmente ruivos que ainda a assombravam. Agnessa e Thomas, seus pais, a observavam em silĂȘncio. ApĂłs alguns minutos, quando finalmente tomaram a iniciativa de vencer a distĂąncia entre eles, Roosevelt sentiu como se o chĂŁo faltasse em seus pĂ©s⊠como se a qualquer momento fosse simplesmente cair.Â
â VocĂȘ cresceu, Summer. â A mulher falou conforme dava mais um passo Ă frente, recebendo como resposta dois passos para trĂĄs da atriz. NĂŁo desejava contato com eles, na verdade, nĂŁo desejava sequer lembrar que um dia tinham convivido juntos. A maioria de seus traumas, medos e inseguranças foram provocados pelos dois. â Ă bom ver vocĂȘ depois de tanto tempo. â Thomas completou com um meio sorriso. Toda a cena que se desenrolava era bizarra e fazia seu estĂŽmago revirar. Como podiam simplesmente agir com tanta naturalidade depois de tudo?Â
Sentia como se sua energia, aos poucos, estivesse sendo drenada sĂł pela presença deles. NĂŁo conseguia pensar direito ou tomar a atitude de simplesmente sair do local. Summer estava completamente apĂĄtica, os lĂĄbios cheios minimamente abertos para manter o ritmo da respiração. Apenas respire, pensou, na tentativa de controlar a ansiedade notĂĄvel no movimento inquieto das mĂŁos. â NĂłs podemos conversar? â Agnessa perguntou. NĂŁo, nĂŁo podiam conversar. NĂŁo tinha nada para falar com eles! â Precisamos de ajuda, Summer, nĂŁo temos dinheiro e estamos praticamente na rua. Soubemos que vocĂȘ estĂĄ bem e pensamos que como nossa filha poderia nos ajudar. Usamos o resto do dinheiro que restava para comprar as passagens pra cĂĄ. â Filha, a palavra dançou em sua mente, aquilo sĂł podia ser piada.Â
Uma merda de uma piada. Sim, aquela situação toda era exatamente isso.Â
â VĂŁo pro inferno e nĂŁo apareçam mais na minha porta! Nunca mais! â Cuspiu as palavras com toda a raiva acumulada antes de dar as costas e caminhar na direção oposta. Todas as fraquezas e lembranças do passado que tentava esconder vindo como uma onda desenfreada em sua cabeça. Sentiu as lĂĄgrimas rolarem pelas maçãs do rosto, seus gatilhos⊠cada um deles acionados naqueles minutos que, para Summer, pareceram uma eternidade. Assim, seguiu em frente sem um destino especĂfico. Precisava de um lugar onde pudesse ficar sozinha.











