A irmã deixava tudo um pouco mais fácil e não podia dizer que ficava triste ao lado dela. Perguntava-se, muitas vezes, se quando partisse elas iriam sentir sua falta. Deveria deixar cartas explicando o quanto as amava e que desejava toda força para que conseguissem seguir em frente. Que ele havia ido em paz, pois era uma situação que ele já havia digerido. Aceitado. Ver um irmão após o outro se despedir da vida deixou traços em seu coração e também em seu estilo de vida que o fez cada vez mais levar os assuntos a sério. Era tudo tão efêmero. Não valia a pena se preocupar o tempo inteiro com casamentos, com deveres. Pelo menos, não ele. Suas irmãs teriam que herdar toda a responsabilidade disso. Mais um motivo para ele deixá-las em paz e sem arrependimentos sobre ele. Já teriam muito o que se preocupar.
Aceitou a taça da irmã de bom grado, soltando um pequeno suspiro. "Não queria tomar antes de alguém. Não quero ser aquele que morreu envenenado e estragou o banquete de aniversário do príncipe." A tragédia seria ainda maior do que ele poderia imaginar. Algumas vezes pensava em como seria sua morte ou como aconteceria. Definitivamente, não imaginava que fosse causar uma cena como aquela. Esperava que fosse algo pequeno em Winterfell onde todos pudessem se despedir dele de forma adequada. "Está gostando? Vi que dançou algumas vezes. Não precisa fazer companhia para o irmão moribundo. Divirta-se nessa oportunidade antes de voltar para o norte." Incentivou a irmã sabendo que era uma realidade completamente diferente da que viviam todos os dias.
⋆⁺₊❅. ─────── Seu coração não suportaria perder mais ninguém; ela sabia disso. Ter sua mãe e seus irmãos tirados de si de forma tão precoce, bem como ver o pai acamado e com a saúde por um fio, tinha deixado-a temerosa e, a bem da verdade, obcecada com a ideia de quebrar a maldição que assolava sua família. Os Deuses, tanto os Antigos quanto os Novos, haveriam de poupá-los todos quando vissem como ela se esforçava para agradá-los: a maldição os tinha levado todos antes do casamento e, portanto, seria o casamento dos restantes que colocaria um fim àquela punição. Ao menos, era nisso que ela acreditava; e precisava acreditar, pois era isso ou aceitar que a nobre e ancestral Casa Stark minguaria com suas mortes iminentes, e Jocelyn não permitiria que isso acontecesse. Por isso os dizeres do irmão mais novo fizeram-na franzir a testa. — Não brinque com isso, Luthor. — Ela ralhou, mascarando o medo com irritação. — Você não vai morrer cedo assim. Não vou deixar. — E então suspirou, pegando uma nova taça para si, a qual um dos copeiros rapidamente encheu antes de voltar a circular entre os convidados. Apertou os olhos brevemente antes de tomar um gole generoso de vinho, só então respondendo ao irmão. — Mais uma alusão à sua própria morte, Luthor, e eu soco você na frente de todos os convidados. — Ameaçou, apontando o indicador na sua direção. — E sim, tenho me divertido e você também deveria fazê-lo. É falta de educação ficar grudado à parede num evento desses. Não podemos envergonhar Francesca. — Devolveu, ranzinza, a própria menção da mais velha fazendo-a correr os olhos pelo salão à procura das irmãs. Quem sabe não estavam trocando sorrisos ou flertes com algum nobre bonito? Seu coração saltitou em seu peito, ansioso com a hora em que pudesse ouvir tudo o que tinham feito naquela noite. — Dance comigo. — Não era um pedido. Jocelyn ergueu ambas as sobrancelhas, enfatizando sua exigência ao estender ambas as mãos para Luthor. — Já que está decidido a deixar que a maldição te leve, ao menos divirta-se antes de ir.














