Neona, 6 de Maio de 547.
Caro amigo,
Sinto por não ter continuado lhe escrevendo, eu mal pude tocar ao menos numa pedra de carvão, quem dirá uma pena.
Estive encarcerado — o óbvio — perdi as contas de quanto tempo passei aqui, não tenho noção, gasto minha sorte em noventa e sete dias.
Creio que deve estar confuso e partilho do mesmo sentimento: como pode um prisioneiro ter a mordomia de escrever? Por razão do destino meu amigo, destino esse que discordo, o meu caso saiu do controle da capital de Neona e será repassado para o tribunal da sede do Reino De Aneona — Yason.
A JuĂza Suprema De Aneona — Neen, Ministra de Yason, Filha herdeira do Sagrado GrĂŁ-Rei Eadi — requisitou por espanto pĂşblico reavaliar o meu julgamento, desconsiderando a minha declaração clara — com total respeito a Vossa Princesa, discordo dessa decisĂŁo.
Por hora, aguardo em minha cela, porém, ganhei certa liberdade enquanto eu não fui levado para Yason — queria poder estar lá em outro estado, lá é sagrado.
Às vezes, eu penso se estou fazendo um ato certo, se tivesse ficado quieto isso não me alcançaria. Então lembro do que você me disse uma vez quando cogitei pedir desistência: nada vale uma muralha de ouro se estiver oca por dentro. Hoje, vejo que não sou de ouro, mas nunca fui oco.
Não sei quando vou voltar a escrever, mas recomendo esperar sentado — elfos não são bem conhecidos quando o assunto é tempo.
Desejo o melhor para ti e a tua famĂlia, vá em paz e eu com forca.
Com saudade.
Ex-CapitĂŁo Das Forças De ExtermĂnio De Neona, Aaron Lok.













