SOMETHING WICKED THIS WAY COMES.
(TW: agressão, sangue e terror. )
ㅤㅤAquela tarde tinha tudo para ser agradável. Comi muitas coisas diferentes e saborosas nas barraquinhas, além de estar indo assistir um espetáculo de circo com a minha namorada. Eu sabia dos rumores sobre o senhor Fournier e isso era como uma âncora que me fazia não querer dar atenção para ele, mas a vontade de passar mais tempo com Yumin naquele fim de semana era mais forte do que qualquer coisa.
ㅤㅤNum instante estávamos acomodados na arquibancada, comendo pipoca e de mãos dadas, e no outro todos tinham desaparecido em um piscar de olhos. Apenas havia restado eu e mais dois garotos que eu conhecia apenas de vista. Curioso, fui ao encontro deles para questionar se sabiam o que estava acontecendo e para onde as outras pessoas teriam ido. Não obtive respostas, eles pareciam… nada receptivos, então não forcei a barra. “Idiotas!” Enya falou em meu ombro, sua voz animalesca ecoando pelo picadeiro vazio e fazendo minhas bochechas enrubescerem.
ㅤㅤOlhava ao redor, procurando alguma pista, quando senti os pêlos dos meus braços e nuca se arrepiarem. Vozes horripilantes vinham da parte desprovida de luz e eu reconheci imediatamente o que estava acontecendo: almas aprisionadas, e não eram do tipo legal delas. Foi então que vi um homem magro e alto saindo do escuro, sequer tinha percebido ele ali antes. O recém chegado carregava incontáveis facas afiadas em um cinto que fazia um X em seu peito. O brilho das lâminas era incomum, como se bruxuleassem, mas ali não havia nenhuma chama para isso. Forçando a visão, percebi as silhuetas e feições que apareciam e sumiam nas superfícies. Aquele era o recipiente que aprisionava os espíritos malignos que eu sentia.
ㅤㅤ— Senhor? — Tudo foi tão rápido, não tive chance de falar nada mais antes das facas começarem a serem lançadas em minha direção e dos outros dois. Logo, percebemos que as armas brancas tinham consciência própria, mesmo que desviássemos de início, elas ainda conseguiam fazer curvas rápidas e nos perseguir.
ㅤㅤEnya grasnou quando uma passou entre ela e minha cabeça. Fui rápido em me teletransportar para outro canto, sendo essa a minha tática de fuga desde o início. Porém, assim que reaparecia, desta vez mais próximo do encantador de facas, o homem lançou cinco delas de uma vez. Apenas tive tempo de erguer a mão direita e ordenar que as almas fossem embora dali. O barulho das facas caindo aos meus pés foi rapidamente seguido por uma exclamação de dor minha. Afinal, uma sexta delas havia sido lançada logo depois e eu não consegui me teletransportar para longe a tempo, pois acabei levando o objeto comigo e tendo o dedo anelar cortado bem na extremidade.
ㅤㅤApesar do sangue e da ardência eu não poderia ficar parado. Os outros dois estavam ocupados demais discutindo e provocando um ao outro. Eu tinha que tentar liberar e banir o máximo possível daqueles espíritos, quem sabe assim o homem que as controlava pudesse apresentar algum tipo de fraqueza visível na qual pudéssemos tirar proveito.
ㅤㅤEm determinado ponto, minha cabeça parecia estar sendo furada por centenas de agulhas; o que queria dizer que usei muito o teletransporte e que precisava de descanso. Só que não era uma opção. Continuei resistindo e liberando as almas o máximo possível. Contudo, quando achei que não iria aguentar mais e acabaria desmaiando ali mesmo, tudo ficou preto e o cenário mudou novamente.
ㅤㅤEstávamos de volta ao picadeiro, só que ele estava mais iluminado e outras pessoas também estavam lá agora. Um som alto ecoou ao nosso redor, era impossível saber de onde vinha exatamente. Logo em seguida, janelas começaram a rasgar o véu da realidade e espaço. Parei de contar na 47º. O que estava acontecendo? Onde estava Yumin? Precisava encontrar ela, mas acabei tendo o braço tomado por um guarda que viu o sangue quente pingando de minha mão e me levou arrastado, apesar dos contra argumentos, para a enfermaria.
















