Pela Metade nĂŁo tem interesse em nos confortar. E seu maior desconforto nĂŁo Ă© o abuso, a fĂșria, a sangria ou o trauma acumulado. Ă comunicar que Ruben Ă© irresistĂvel.
Richard Gadd constrĂłi o personagem que nĂŁo cabe em categorias simples. Ruben Ă© cruel, controlador, selvagem num sentido quase arcaico. E Ă© exatamente o que magnetiza todos ao redor dele. Os outros orbitam sua masculinidade violenta como planetas presos numa gravidade que reconhecem como perigosa, mas nĂŁo conseguem abandonar. HĂĄ tesĂŁo onde deveria haver repulsa. HĂĄ idolatria onde deveria haver julgamento.
A sĂ©rie tem coragem de admitir que ainda existe um fetiche pelo homem que agride para ocupar espaço e status. A sociedade critica com repulsa o machĂŁo, mas continua, ao mesmo tempo, secretamente fascinada por ele. Ruben Ă© a encarnação disso. Ele Ă© o motivo pelo qual o episĂłdio final Ă© devastador. NĂŁo oferece redenção, mas tambĂ©m nĂŁo oferece clareza moral. SĂł peso. SĂł consequĂȘncia.
O que a série diz, com uma honestidade lancinante, é que a masculinidade tóxica não se sustenta apenas pela força de quem a exerce. Também pelo desejo coletivo de quem a tolera, admira, se atrai e, muitas vezes, alimenta.
Ninguém ali escapa completamente de si mesmo. Nem Ruben. Nem quem o ama.
#pelametade













