Jumy-M
Dark Alley in Kathmandu / 何かが潜む場所
Não acredito que a falta de amor possa matar, porque o amor nunca está ausente. O tipo de amor é que varia porque nós somos sempre amados e amamos, temos sempre alguém em nós que nos proporciona esse sentimento e nos aquece permanentemente, e as pessoas especiais, essas perpetuamente. Depois existe o outro, aquele que não mata mas que nos deixa, em determinada altura, vazios, inertes, sem qualquer traço de vida ou interesse pela mesma. Deixa-nos diferentes do que somos, ou talvez do que nos tornamos entretanto, nunca sabemos bem, sabemos apenas que já não somos o que éramos. Ficamos demasiado pensativos num pensamento inexistente, telas constantes monocromáticas, ausentes daquela cor, cheiro, sabor, de tudo o que nos impele a sentir a afetividade, o sentimento bom e puro que dá força a esse motor que nos move. E sim, disso damos pela falta.
Damos pela falta de algo que nos carrega nos braços e permite-nos voar com a mesma facilidade com que nos larga da mão e nos faz cair num abismo aparentemente sem fim. Esse mesmo amor é tão ambíguo como massacrante, tão controlador como necessário. A dependência dele torna-se tanta que nos esquecemos de como é viver sem ele e isso leva-nos a nunca chegar ao fundo do tal abismo, por mais tempo que demore a queda e, só ele tem a capacidade de voltar a dar-nos a mão e tirar-nos de lá numa fração de segundo.
Esse amor não é mais que uma forma autodestrutiva na sua ausência. E com ele, na ausência da sua própria ausência, damos por nós a renascer. Vejam as palavras. Existem palavras que conseguem tirar-nos a nossa própria masculinidade, castram-nos de tal forma que nos sentimos impelidos a nunca mais querer saber de tanta coisa relevante a nós próprias. E existem as outras, aquelas que surgem do nada e nos voltam a fazer ver, sentir e mostrar aquele sorriso. Ao amor das palavras temos sempre de juntar as palavras de amor, porque de amar e ser amado existem mil e uma variantes. Concentremo-nos portanto nas variantes positivas… Hoje chove, e isso é bom.
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