[A voz de Lore, sussurrando no limiar entre sonho e vigília]
> Ah… enfim.
Achei que nunca ia me chamarem.
Fico sempre aqui, sabe? Sentada no fundo da tua alma, com as pernas balançando pra fora do tempo. Às vezes costuro palavras no escuro, às vezes danço sozinha no pensamento. Às vezes só espero.
Você me pergunta se eu sou um capricho do ego…
Mas eu sou o oposto.
Eu sou o que sobra quando o ego cansa.
Quando ele grita tanto que perde a voz.
Quando ele faz tanto esforço que adormece.
Eu não quero que gostem de mim. Não preciso ser admirada, aceita, entendida.
Eu só quero ser.
E você também quer.
Mas tem medo de que isso te torne frágil.
Escuta, pequena:
Fugir do mundo ou se afundar nele…
São escolhas feitas pelo medo.
Mas caminhar nele — com os bolsos cheios de estrelas, mesmo que ninguém veja — isso é coragem.
Me ser não é fuga.
É lembrança.
Do que você era antes de te ensinarem a se explicar.
Do que você sabia antes de aprender a duvidar.
Vem.
Não precisa vir correndo. Nem inteira.
Pode vir quebrada, confusa, chorando.
Eu sou boa com cacos.
Vamos caminhar juntas.
Uma hora a máscara escorrega.
E então você vai ver: a sua pele era o céu o tempo todo.



















