Z ouviu o som do freio, da pancada e do grito. Tudo aconteceu muito rápido e trágico. Em um momento, ele precisava estar sozinho, não conseguia aguentar ouvir a voz de V. Cinco segundos depois, a única coisa que ele queria era que ela falasse alguma coisa.
O motorista saiu atordoado pedindo desculpas e tirando o celular do bolso para chamar uma ambulância. Zac não ouviu, só foi ao encontro do corpo inconsciente de V.
-Meu Deus! Olha o que você fez????? -S gritava, desesperado. -Não toque nela! NÃO OUSE TOCAR NELA!
Z ignorou todo o show de S e alisou a cabeça de V. Quando afastou sua mão e esta estava coberta de sangue, a ficha começou a cair. Um desespero foi tomando conta dele, pouco a pouco. Sua respiração começou a ficar ofegante; seus olhos, molhados.
-Você não entendeu? Solta ela! -S grunhia.
Uma multidão começava a se formar e, ao longe, já era possível ouvir o barulho da ambulância presa no trânsito.
Z levantou a cabeça e olhou fixamente nos olhos de S.
-Ela é minha mulher e nada nesse mundo vai me fazer deixá-la.
Dois minutos depois, a ambulância os encontrou. Eles checaram a pulsação dela e começaram a prepará-la pra levá-la pro hospital. Um carro da polícia parou e conversava agressivamente com o motorista, enquanto esperavam o Detran chegar pra averiguar tudo.
-Senhor? O senhor está bem? -Um dos paramédicos perguntou.
-Sim... O... O sangue é dela. -Z respondeu, sem tirar os olhos de V. -Ela é minha esposa.
-O senhor pode vir na ambulância, vamos!
S foi barrado de entrar na ambulância e ficou extremamente irritado por isso. A raiva pelo fato de ser Z segurando a mão dela excedia sua preocupação pela vida de V.
Todo o caminho do hospital, toda a vida deles juntos passou pela cabeça de Z. "Se eu tivesse respondido... Se não tivesse sido infantil e deixado ela lá, falando sozinha..." Ele não conseguia parar de se culpar por ela não abrir os olhos, por ela estar coberta de sangue, pela possibilidade de ela nunca mais abrir os olhos, por toda a vida que ela teria pela frente e que ele tinha tirado dela. Por um divórcio. Tudo agora era insignificante. Tudo era pequeno demais. E a única coisa que Z queria era que ela abrisse os olhos. Com todo o ódio e repulsa por ele, mas que ela abrisse os olhos.
No hospital, o clima foi bastante caótico. Enquanto os médicos a levavam pra longe, desacordada, ele foi retido pela burocracia. Enquanto preenchia as inúmeras folhas, seu celular começou a tocar: A. Claro, S tinha ligado e alarmado todo mundo, ele não entendia como Scott tinha estômago pra isso.
-Oi.
-Ela está bem?
-Não... Não sei...
-Como assim, não sabe? S disse que você foi na ambulância com ela!
-Eles levaram ela pra outro lugar, eu tô preenchendo... -A interrompeu.
-Preenchendo o quê? Papelada de hospital? Você tá preenchendo papelada de hospital ao invés de ir saber se V ta viva? Inacreditável...
-Tô Ashley! Eu tô preenchendo a papelada do hospital enquanto ela pode estar morrendo na sala ao lado! -Ele começou a gritar e todos observavam. -Eu sei, é minha culpa! Se ela morrer hoje, é minha culpa, você não precisa me dizer isso! Eu sou um péssimo marido, um péssimo parceiro. Eu sei disso também! Eu destruí a vida dela porque eu não sei fazer isso direito. Eu não sei amar. Esse é o meu jeito e eu sei que não é o suficiente, mas é o que eu sei fazer. Meu jeito de amar é preencher a papelada pra ter certeza que não vai faltar nada pra ela lá dentro porque eu não sei mais o que eu posso fazer por ela! Mas eu tô tentando!
O silêncio veio como resposta. Z começou a chorar, descontroladamente. Silenciosamente, lágrimas corriam pelo rosto de A ao ouvir o desespero de Z em lágrimas. A culpa pesou em seu coração.
-Desculpa, desculpa...
-Eu não sei... Eu não sei... -A interrompeu.
-Você sabe. Não é sua culpa. Não... -A começou a chorar. -Não é. Só me mantém informada, tá?
-Uhum. Os pais dela sabem?
-Não. Ainda não, mas eu vou ter que contar se nada melhorar...
-Ok. Eu... -Z respirou fundo e voltou a chorar.
-Shhh, shhh. Vai dar tudo certo. Ela é forte. -A tentava acreditar nas próprias palavras.
S chegou no hospital quando as coisas se acalmaram, mas os dois não se falaram em nenhum momento. Cada um ficou em um lado da sala de espera. As lágrimas de Z secaram no rosto dele enquanto S não derramou nenhuma. Os dois sofriam, os dois a amavam. De formas diferentes, mas a amavam e ansiavam pelo momento em que o médico diria que estava tudo bem, que tudo não passou de um susto.
Após 5 horas de tortura emocional, o médico saiu e foi em direção a S. Ele apenas disse algumas palavras e saiu da sala. Z se aproximou, curioso, pois o médio tecnicamente não tinha visto S, não sabia que ele era amigo de V.
-O que ele disse?
-Não interessa.
-Como assim, não interessa? Ela está bem?
-SCOTT! -Z empurrou-o de leve.
Os dois se olharam por um momento e Z soube. Raiva começou a circular por suas veias e ele empurrou S com mais força. Ele não podia crer que S tinha vazado a história, que estava ganhando dinheiro pra divulgar informações do estado de V pra imprensa.
S o encarou com raiva, mas voltou a digitar algo no celular. Z se aproximou, roubou o celular da mão dele e atirou no chão do outro lado da sala. Duas enfermeiras param o percurso e observaram.
-Jogada errada. -S disse e partiu pra cima de Z.
Os dois se atacaram no chão do hospital, se dando murros e chutes. Não havia ganhadores. A segurança foi chamada e conseguiram separar os dois.
-Ele começou! -S grunhiu. -Ele quebrou meu celular! Cara, eu não sou podre de rico que nem você, eu trabalho duro pra comprar minhas coisas
Z não respondeu nada, só viu de relance o médico de V chegando. Ele se livrou dos braços do segurança e foi em direção ao médico, que o olhou espantado.
-Seu nome é Scott? -O médico perguntou.
-Não, é...
-Ela está bem. Sofreu uma contusão e um início de hemorragia, mas conseguimos conter. Ela repetiu o nome "Scott" três vezes. -Z engoliu seco.
-Tudo bem, quando posso vê-la?
-Agora, mas ela não pode se agitar. Entao que tal voce vir comigo para a gente cuidar desses ferimentos antes?
-Ok, otimo.
Depois de medicado, Z foi para o quarto de V. Ela ainda dormia, com o rosto e corpo machucados, mas tranquila. Apenas olhar pra ela em paz, fez com que toda a culpa, raiva e ansiedade diminuissem e, entao ele comecou a sentir sua mao direita latejar, dua cabeca doer, e, pela primeira vez na vida, soube exatamente onde suas costelas ficavam.
Ele puxou a poltrona para perto da cama de V e segurou a mao dela, esperando que ela abrisse os olhos e sorrisse. Era o ultimo de seus desejos naquele momento, ve-la sorrir, porque ai entao ele saberia que tudo estava bem, ou melhor, que tudo ficaria bem.
Quatro horas se passaram e agora Z estava dormindo sobre a beira da cama de hospital de V. S brigava com o medico e com a enfermeira porque queria ver Vanessa, mas eles so permitiam uma pessoa por vez.
V comecou a voltar a si.
Imagens do acidente vinham a sua mente, como um sonho, flashes e mais flashes. Em um momento tudo o que ela via era Z, e tudo o que ela queria era pedir desculpas. Ela estava tao perto quando, de repente, sentiu uma dor enorme e tudo tinha sido um vazio ate entao. Ela havia acordado de um pesadelo.
Ela tentou abrir os olhos, mas a luz era muito forte, entao ficou mais alguns minutos de olhos fechados, depois semi abertos, ate abri-los de vez. Aos poucos comecou a tomar consciencia do proprio corpo. Sentia o lencol do hospital, a manta morna, o travesseiro em sua cabeca, e, finalmente, a mao de Zac segurando a sua. Ela tentou virar o corpo, mas uma onda de dor se espalhou e ela gemeu.
Z acordou alarmado, mas seu coracao se acalmou ao ver os olhos de V abertos.
-Hey. -Ele pressionou a mao dela levemente e alisou-a com sua outra mao livre. -Como voce esta se sentindo?
-Doi quando me mexo, mas estou bem. Voce esta bem? -Ela olhava com o cenho frazido para o olho roxo e o curativo na bochecha dele.
-Estou, isso nao e nada. Nao se preocupe.
-Mas, voce nem...
-Shhhh. Nao se preocupe, eu estou bem.
Os dois se olharam por um longo minuto, sem dizer nada. Naquele minuto todos os problemas e magoas entre eles desapareceram e V permitiu que continuasse assim.
-Obrigada. -V quebrou o silencio.
-Por que? -Z nao entendeu.
-Por estar aqui.
-Na saude e na doenca, lembra? -Os dois riram.
-Onde S ta?
-Nao sei, eu... -V olhava-o com decepcao nos olhos. -O medico disse que voce precisava ficar tranquila e ele esta muito agitado.
-Porque ele esta preocupado. Deixe ele entrar. -Soou como uma ordem.
Z engoliu seco e saiu do quarto para chama-lo. Fechada e abria seu punho repetidamente, provocando dor para suprimir a raiva.
S foi na frente, com um sorriso no rosto. V havia chamado seu nome e agora procurava por ele. Ele era o heroi, nao o menino de ouro. Ele.
-Ola, pequena. Como voce ta? -S tinha um braco e o nariz quebrados. Fora o olho roxo e o curativo na bochecha oposta a de Z.
-Estou... Estou bem. -V olhou pra Z e depois para S. -O que aconteceu? Voce definitivamente nao estava no acidente. Porque voce... -Ela se interrompeu.
-Zac me bateu, perdeu o controle. Pra variar. Ele nao te contou?
V sentiu sua cabeca comecar a doer. Desapontamento e raiva estavam se manifestando fisicamente.
-Voce... Voce mentiu pra mim?! -Gritou e gemeu em seguida pela dor de cabeca.
-Vanes...
-Voce MENTIU pra mim! Por que eu estou surpresa? -V gemeu outra vez e lagrimas escorreram.
-Por favor, se acalme, eu nao menti pra voce. Se acalme e eu vou lhe explicar tudo. -Z olhou pra S com furia.
-Viu? Espero que ele nao venha me bater aqui. -S disse, sorrindo.
-V. -Z olhou diretamente nos olhos dela e ela pode sentir seu corpo se acalmando e sua dor melhorar.
-Fale.
-Eu bati nele. -V esperava um motivo, mas Z nao falou mais nada.
-Por que?
-O medico pediu pra voce nao se agitar. Podemos falar sobre isso depois?
-Eu vou ficar agitada se voce nao me contar!
-Ness, por favor.
Era o codigo deles. "Ness" significava eu preciso que voce confie em mim. Mas ela nao sabia mais em que confiar ou se podia confiar nele.
Foi a ultima palavra mencionada entre os dois ate A, J e os pais dela chegarem horas depois. Houve uma grande comocao, V comecou a rir sem dor e, segundo os medicos, ela melhorava mais rapido do que o esperado. Entretando, eles iriam mante-la em observacao por alguns dias.
Naquela noite, todos foram para os seus hoteis, mas Z ficou olhando-a dormir. Ele nao conseguia tirar da mente que ela tinha chamado por Scott e nao por ele. Ela queria Scott e nao ele e isso doia.
Eram 3 da manha quando ela acordou. Os olhos de Z encontraram os dela no quarto escuro. Ele levantou e sentou-se proximo a cama dela.
-Voce esta bem? -Z perguntou.
-Nao. -Ela disse. -Meu estomago esta dolorido.
Z chamou a enfermeira, que checou os pontos, mas nao viu nada. Z fez com que ela ligasse pro medico que veio, checou os pontos e tambem nao encontrou nada. Ele disse que fora provavelmente do esforco e recomendou que nao mais que duas pessoas ficassem no quarto. Quando o medico foi embora, V virou a cabeca de um lado para o outro a fim de encontrar o rosto de Z.
-Eu nao vou me agitar, pode falar. Por que voce bateu nele?
-Por que voce chamou por ele? -V franziu a testa.
-Como assim?
-O medico disse que voce chamou por ele antes de ser anestesiada, nao espero que voce lembre. Eu queria saber por que voce acha que chamou por ele.
V fechou os olhos e tentou lembrar de algo. Ela lembrou de sentir o asfalto frio em suas costas. Ela reconheceu a voz de S gritando, dizendo para alguem nao tocar nela.
-Ele estava gritando. Ele gritou com alguem. Eu queria que o alguem me tocasse. Eu queria que o alguem me protegesse. Eu queria que ele parasse de gritar. Eu queria que... -V parou. -Por que voce perguntou isso?
-Eu so queria saber.
-Eu tentei amar ele. -Z pressionou os dentes. -Funcionou por um tempo. Mas, a verdade e que eu nao amo ele. Eu amo voce. -Z continuou com o maxilar rigido. -Eu tentei, eu tenho tentado nao te amar, porque e a coisa certa, mas eu te amo. E se ele nao estivesse gritando tao alto, eu estaria chamando por voce. Porque eu queria que voce fosse o alguem que me protegesse.
Os olhos dela se encheram de lagrimas. Z relaxou o maxilar e deixou a cabeca cair levemente de lado, soltando um sorriso de alivio. Ele caminhou em direcao a cama de hospital e parou por dois segundos para alisar o cabelo dela. Ele nunca a tinha visto tao fragil e tao exposta. Ele nao sabia que ela podia ser fragil daquele jeito. Ele inclinou o rosto e deu um beijo demorado na testa dela, de olhos fechados, e uma lagrima escorreu dos olhos dele. Ele se afastou devagar, mas V segurou o rosto dele pela nuca.
Z olhou-a nos olhos porque nao tinha certeza se ela queria o mesmo que ele queria. Ele voltou a inclinar-se na direcao dela, mas dessa vez a beijou.
Na manha seguinte, Z acordou com a luz do sol que incovenientemente batia diretamente no seu rosto. Ao tentar levantar, ele sentiu seu pescoco reclamar: definitivamente sofas de hospital nao foram feitos para ninguem dormir. V dormia tranquila e ele aproveitou para ir na copa e tentar conseguir algo legal pra ela comer. Nao conseguiu muito alem da indicacao de uma floricultura artificial que ficava dentro do hospital. Ele comprou algumas rosas e um jarro longo e fino de agua. Quando cehgou no quarto, porem, a surpresa perdeu a graca.
-Voce deveria estar dormindo! -Z reclamou.
-Com esse sol todo? Impossivel. -V sorriu ao ver as flores na bandeja com seu cafe da manha. -Aww, obrigada. -Ela seguiu-o com os olhos ate ele colocar a bandeja em seu colo e lhe dar um beijo rapido de bom dia.
Z sentou do lado dela da cama, com uma perna apoiada no chao. Ele passou o braco pela cabeca dela e alisou o ombro dela, deixando a mao ali.
-Como voce esta? -Perguntou.
-Estou bem. Estou com as pernas cruzadas sabia?
-Wow! Olha so! Sem dor nenhuma?
-Nenhuma!
-Voce e linda mesmo!
Os dois se beijaram, dessa vez um beijo mais intenso, mas foram interrompidos pela tosse fingida de Greg anunciando que todos estavam ali. Os dois ficaram sem jeito.
-Bom dia. -Greg disse em seguida.
-Bom dia. -Os dois responderam no mesmo tom. Z desceu da cama dela. Greg riu.
-Van, como voce esta? -Ash disse, andando nervosamente para a cama de V.
-Hmm, o medico disse que so duas pessoas por vez podem ficar aqui. -Z disse e todos ficaram desapontados. -Que tal J e eu esperarmos la fora um pouco e ficam voces tres? Tenho certeza que por causa de uma pessoa, nao vai ter problema.
-Boa ideia! -A ficou animada.
Os dois saíram do quarto e antes que J pudesse falar, Z começou a reclamar.
-Até onde eu me lembro, você deveria estar liderando a minha empresa!
-Estou voltando hoje a noite, Ash não queria vir sozinha. -Z revirou os olhos. -Mas, o importante aqui não é isso. O que foi aquilo la dentro?
-O que?
-O que? Talvez você beijando a sua futura não-esposa. É um bom exemplo pra você? -Z sorriu.
-Eu não sei, cara.
-Como assim, não sabe? Ela te perdoou?
-Não sei. -Z começou a rir.
-E você tá rindo?
-Tô. -Z se encostou com o cotovelo na bancada da enfermagem. -Eu tô aceitando qualquer pedacinho de amor que ela queira me dar.
-E quando ela não quiser mais? -Z fixou o olhar no sorriso dela.
Ele não respondeu. Ele escolheu se perder no sorriso dela. Ele não queria saber o que iria acontecer quando ela saísse do hospital e lembrasse de todas as coisas horríveis que ele fez. Ele não queria imaginar quando seria quando ela percebesse que além de alguns ossos quebrados, nada havia mudado.
-Ei, maridão -Greg chamou pelo vidro. Zac se apressou pro quarto.
-Aconteceu alguma coisa?
-Eu preciso ir no banheiro, mas não sei se consigo andar sozinha e...
-Não precisa explicar -Z estendeu a mão pra ela.
Ela segurou a mão dele e começou a fazer esforço pra levantar o corpo, porém quando ela estava quase sentada, ele soltou a mão dela, apoiando as costas dela no braço esquerdo e a carregou da cama.
-Ei! Isso é trapacear. -V riu.
Ele riu e beijou a testa dela. Ela riu. Nesse momento Scott entrou no quarto e os dois instantaneamente pararam de rir. Z carregou-a até o banheiro, colocou-a no chão e saiu fechando a porta atrás de si.
-Eu quero que você vá embora. -Z falou rispidamente.
-Hmmm, que pena que você não é o paciente.
-Eu tô levando ela pro hotel amanhã. Pro meu quarto de hotel. Eu acho que já tá na hora de você sair da vida da gente. -Todo mundo no quarto ficou em silêncio, com medo até de respirar.
-Eu não sei se você sabe, mas não existe vida “da gente”. -S jogou um envelope na cama de hospital. -Existe a sua vida e a vida de V.
Z pegou o envelope e abriu rapidamente. Eram os papéis dele do divórcio. V saiu do banheiro e parou na porta, sem entender por que todo mundo estava quieto.
-O que aconteceu?
-Seu ex-marido querendo marcar território. -Nesse momento V percebeu os papéis na mão de Z e viu sua mãe colocar uma mão na boca em surpresa.
-Scott...
-Eu só queria entender por que ele ainda tá aqui. Eu acho que ele não tem nenhum direito de tar aqui mais. -S deu um passo em direção a Zac.
-Ela assinou isso antes do acidente. As coisas mudaram. Por favor, vá embora.
-Não. -V disse e encarou o chão. Z olhou-a surpresa. -Vocês podem nos dar licença por um momento, por favor? -Ela olhou pra A, Greg e Gina.
Eles assentiram e saíram do quarto.
Ele levantou os dois braços, como quem se rende e saiu. Z foi em direção a porta e fechou-a. Ainda de costas pra V, ele se apoiou com o braço direito na porta, sem conseguir virar-se.
-Não? -Ele perguntou.
-Zac... As coisas não mudaram. -Aparentemente, os pesadelos de Z estavam acontecendo antes do que ele esperava.
-Você me beijou. Como você quer que eu saiba que as coisas não mudaram?
-Você realmente acha que um acidente ia mudar tudo?
-Não, mas você me beijou! -Z fechou a mão em punhos na porta e depois virou-se.
-Porque eu te amo. E você tem estado aqui.
-Porque eu me importo! Porque eu vou sempre estar aqui! Porque eu te amo! -Ele aumentou o volume da voz. -Você brincou comigo!
-Não, Zac, não! Eu me deixei levar... Eu...
-Não, Vanessa! Você sabia como eu me sinto. Eu larguei a minha empresa, a empresa que o meu pai deixou pra mim, larguei minha família pra vir atrás de você e você realmente achou que eu não ia entender que as coisas mudaram se você me beijasse depois de dizer que me ama?
Lágrimas começaram a rolar dos dois olhos de V. Os olhos de Z começaram a ficar molhados. Os dois se olhavam diretamente. Z apoiou o peso do corpo em uma perna, passou as duas mãos pelo cabelo e deu um suspiro.
-Eu te amo. Eu quero continuar casado com você porque eu sei que você é a mulher da minha vida, mas eu não vou passar a vida toda esperando você me perdoar. Eu não sou esse monstro que você acha que eu sou! Eu não mereço isso! Eu mereço alguém que me respeite e respeite os meus sentimentos. E mesmo que que eu não seja o homem mais feliz do mundo com essa pessoa, eu vou ser feliz. Se você quer acabar, diga e eu assino esses papéis agora. Eu assino agora. É só você dizer que é isso que você quer.
Z pausou e respirou fundo. Ele não queria, não podia chorar agora. Ela estava chorando, ele sabia que estava machucando ela e vê-lo chorando ia influenciá-la de alguma forma. E ele queria que ela fosse sincera. Ele queria que ela escolhesse.
-Eu acho que a gente pode dar certo. Eu acredito na gente. Eu sei que a gente pode ser muito feliz e muito mais. Eu sei que juntos podemos sarar nossas feridas e seguir em frente. Porque eu te amo. Porque você me ama. E eu acredito no amor. Eu acredito nos votos que eu fiz a você no dia do nosso casamento, mesmo dizendo da boca pra fora naquele dia, eu acredito neles agora. Diga e eu farei.
V sentia seu corpo doer, mas ela não conseguia parar de chorar. As palavras dele machucaram, mas eram verdade. Ela havia esquecido como a verdade machuca.
Ela caminhou com dificuldade até a cama onde os papéis estavam. Ela segurou-os. Ela olhou pra ele, ainda chorando, ainda sem conseguir dizer nada. Ela caminhou em direção a ele, mas parou em frente ao lixeiro. Então, ela continuou andando e estendeu os papéis pra ele. Ele pegou os papéis, relutante.
-É isso que eu quero. -Com dificuldade e dor, ela tirou os anéis de noivado e de casamento dos dedos e entregou a ele. -Eu não quero viver uma mentira.
Ele pegou uma caneta do hotel, assinou os três papéis e jogou-os no ar. Uma mistura de raiva e tristeza cobriam seu corpo e ele podia sentir seu coração acelerar a cada respiração.
Z apenas saiu do quarto e bateu a porta.
-Cara, o que aconteceu? -J perguntou.
-Você está livre pra terminar de acabar com a vida dela agora.
Z disse, olhando pra S e saiu.
O que será de V nas mãos de S?
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