Aulas de canto costumam deixar Bran inquieto, como se estivesse com uma coceira embaixo da pele que não vai embora não importa o quanto ele coce. É uma agonia tão grande que nem consegue explicar. O estranho é que quando está cantando por vontade própria – sem as mãos invisíveis de sua mãe ao redor da garganta –, ele consegue gostar do ato. Mas como na maioria das vezes está cantando por causa dos desejos de Dahyun, a agonia não vai embora.
Até esperou que estando longe da mãe iria conseguir aproveitar o clube do coral, claro que não estava certo. Pois sua mãe é como uma assombração, sempre à beira de sua visão. Então dizer que estava puto depois da aula, era um entendimento. Cerrava seus punhos para não ficar coçando seu pescoço – era lá que a agonia é mais presente –. Se não estivesse trancado dentro dessa escola, a essa hora estaria dançando balé. Imaginando os passos que estaria fazendo, quase não percebeu quando alguém bateu em si. Ou melhor, tentou atravessá-lo.
“Que porra? “ Olhou direito para o menino. Algumas coisas tinham sido derrubadas, Bran nem fingiu que iria ajudar o outro. “Será que dá para você olhar por onde anda imbecil? “
E a coceira foi embora; ao invés disso, uma sensação tão familiar quanto respirar tomou conta de si. O balé poderia ajudar, mas aqui nesse lugar não tem espaço para a sua arte. Deixando a raiva lhe consumir, fez uma expressão que mostrava para o garoto o que estava sentindo. E esperava que o outro fosse estúpido o suficiente para brigar com ele. Já que não tinha balé, poderia usar o segundo modo de descontar sua raiva: com socos.
ㅤㅤㅤㅤ ❝ aquele não era mesmo o seu melhor dia, o cansaço era tão grande que poderia facilmente personificar a imagem de um elefante sobre suas costas, mesmo com todo o prazer de terminar o dia com uma boa pintura - esta deixada guardada para ser finalizada no dia seguinte. no fundo, a sensação de ser produtivo poderia valer muito mais em sua cabeça, mesclando perfeitamente com todas suas ideias e viagens que pareciam cada vez mais distantes conforme caminhava sem qualquer preocupação.
somente sentiu o impacto contra o seu corpo pequeno, o susto e o ‘acordar’ já que suas coisas - que carregava em mãos, claro - estava ao chão, junto a um suspiro pesado que escapou de seus lábios. estava prestes a se desculpar, sim, ia ter essa primeira ação. mas a reação alheia soube exatamente como lhe tirar do sério. esse era exatamente o tipo de gente que mingjun mais odiav, com todo seu coração. o ouviu, mas seu olhar rapidamente tornou-se frio e raivoso. — se eu não olho, porra, imagina você, não é?
mingjun era mesmo do tipo briguento, ao fundo, gostava disso, acreditava ser algo marcante de sua personalidade, mas nossa, não tinha dia melhor pra isso? o rapaz era desconhecido aos seus olhos e mesmo com uma leve diferença de altura, não se deixou intimidar. — você também não desviou, e aí? quer colocar a culpa inteira sobre os meus ombros por acaso? “imbecil”. — fez questão de retribuir o xingamento mesmo que seu sotaque fosse ainda bem forte.