𝕿alvez você esteja precisando 𝗺𝘂𝗶𝘁𝗼 ler isso, assim como 𝘂𝗺𝗮 𝘃𝗲𝘇 eu estive também.
Sabe aqueles momentos em que as circunstâncias externas começam a te afetar psicologicamente? O impacto costuma parecer muito mais "real" do que qualquer entendimento interno.
É como se tudo que você tivesse aprendido, como: "não há o que conseguir", "tudo já está acontecendo na consciência" e "não existe distância entre você e o que deseja", simplesmente não conseguisse sustentar o peso da experiência do momento.
Mas isso não significa que você não entendeu nada, nem que está falhando, significa só que a mente ainda tenta usar o entendimento como uma defesa, e a vida mostra que não é assim que funciona.
Quando algo de fora te machuca, a mente entra correndo dizendo "mas eu sei que nada disso é real, por que ainda dói tanto?". Só que a dor não é um erro. A dor é uma reação natural de um "eu" que aprendeu por anos a interpretar o mundo como algo sólido, separado e ameaçador.
Esse corpo e essa mente carregam condicionamentos, e eles não desaparecem só porque você percebeu algo mais profundo, como a não dualidade. Eles continuam se movendo por um tempo, e isso não invalida a verdade que você já reconhece.
Você sente que não consegue porque ainda está olhando para si mesmo como alguém que precisa superar as circunstâncias. Mas nessa visão não dual, não existe você de um lado e o mundo de outro.
Essas "circunstâncias externas" também está aparecendo na mesma consciência onde aparecem seus pensamentos, suas emoções e até sua sensação de impotência, de insegurança.
Eles não estão contra você. Há apenas experiência acontecendo, e uma vontade enorme da mente de rotular isso como um problema pessoal.
É muito comum saber que "não há nada a conseguir" e mesmo assim, sentir que não dá conta. Isso acontece porque a mente tenta transformar esse entendimento em uma regra: "se não há o que conseguir, eu deveria estar bem"
Só que não é sobre >dever<. É sobre ver que até a sensação de incapacidade está incluída no que você é. Você não precisa eliminar ela. A própria tentativa de se livrar dela é o que reforça a sensação de que existe algo errado.
Quando as circunstâncias te machucam, você não precisa fingir indiferença. Pode admitir, dói, assusta, parece maior que você. E ainda assim, algo em você percebe essa dor. Algo em você não é essa dor. Algo em você permanece, mesmo quando tudo parece desabar.
Essa presença é o que você é. E é isso que significa não haver nada a conquistar, não porque "é fácil", mas porque nada do que surge, externo ou interno, tem o poder de alterar o que você é.
Você pode se sentir incapaz, sem força, saturado e mas nada disso diminui a verdade, nada disso tira de você o que sempre foi seu. O reconhecimento não é cancelado por emoções fortes ou recaídas. O "sentir que não consegue" também é só mais um movimento dentro da consciência.
Ele não define nada. Ele não prova nada. Ele não é um obstáculo real. É só mais um movimento passando, um que vai passar, sempre passa.
E é exatamente aí que algo começa a suavizar, quando você percebe que até o momento em que tudo parece te prejudicar está acontecendo dentro de um espaço que nunca é prejudicado.
Mesmo que a mente não entenda isso na hora, o simples fato de você perceber a dor já mostra que há um ponto em você que não está preso nela. O descanso que você busca não vem de controlar a vida, nem de eliminar circunstâncias difíceis, e nem de "fazer tudo certo".
Ele vem quando você para de tentar ser mais forte que o que surge e começa a ver que o que surge nunca teve força para te definir. Você está aqui, consciente, mesmo quando tudo parece pesado demais. E isso já é o que parecia faltar.
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