É um silêncio que corrói por dentro. Você aprende a engolir as próprias vontades como se fossem apenas um incômodo passageiro, moldando sua existência para que o outro não precise lidar com o peso de te enxergar. É exaustivo ser a casa onde todos se abrigam, enquanto você permanece do lado de fora, no frio, apenas olhando pela janela e convencendo a si mesmo de que é apenas um sacrifício necessário. O sorriso mais cruel de todos, aquele que é dez vezes ensaiado no espelho antes de sair, a mentira que você conta com tanta maestria que, às vezes, até dói acreditar nela: "está tudo bem" “não tem problema” “eu entendo”. Cada vez que você se apaga para que o outro brilhe, uma parte sua se torna sombra, um vazio que ninguém nota porque você aprendeu a esconder os estilhaços debaixo da pele. Você se tornou um mestre em se abandonar, e o pior de tudo é perceber, tarde demais, que quanto mais você se anula para caber no mundo de alguém, mais você desaparece do seu próprio.
eu desapareci.




















