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― Apenas Uma Cama: (Doutor Estranho x Clea) (Smut • One-Shot • +4k)

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Apenas Uma Cama (Doutor Estranho x Clea)
{Doutor Estranho x Clea} {Smut • One-shot • +4k}
– Você podia dormir no sofá. – O mago apontou para o móvel empoeirado de dois lugares, talvez um dia aquela coisa tivesse sido laranja – Você é menor, cabe ali. A feiticeira torceu o nariz, jogando suas coisas no chão ao lado da cama de casal, a única do cômodo. – Sou uma princesa, membro da família real da Dimensão Sombria, não vou dormir naquilo. – Não aqui. – Bateu a porta – Aqui você é ninguém, não é princesa.
– Você não tem mais ninguém para atazanar a vida?
– Até tenho, mas te atazanar é mais divertido. – Clea cantarolou para o sonolento Doutor Estranho conforme ele dava de ombros na intenção de seguir até a cozinha do Sanctum Sanctorum – Geralmente as pessoas dão “bom dia”.
– Não enche. – Falou para a intrusa, mas logo se voltou para Wong – O que ela está fazendo aqui?
– Ajudando. – O chinês se limitou a dizer. Ele gostava de Strange e gostava de Clea, mas ter os dois juntos no mesmo cômodo era um tanto cansativo.
– E desde quando Clea ajuda em alguma coisa?
– Majestade. – O corrigiu com um sorriso.
– E desde quando Vossa Majestade ajuda em alguma coisa? – Repetiu a frase com ainda mais rispidez, o que alargou o sorriso da princesa da Dimensão Sombria.
– É um zumbi. – Indicou o morto-vivo flutuando no centro da sala, ele se debatia contra as Faixas de Cyttorak que o prendiam – Paciente zero, peguei em alguma parte da Coréia do Norte. De nada.
– Pelo o quê?
– Por fazer o seu trabalho e evitar um apocalipse zumbi.
Stephen riu de um jeito forçado. Ele sabe que esse não é o verdadeiro motivo da visita. Mais do que isso, ele sabe o verdadeiro motivo da visita, o que torna tudo pior e mais desagradável.
Todavia, por se tratar de um tópico constrangedor para todos os três – principalmente para si próprio – prefere continuar o teatro.
– Quer um prêmio de boa samaritana e um aperto de mãos?
– Ah, humanos são muito sentimentais. – Revirou os olhos a faltine – Então, Wong, consegue curar o menino-zumbi?
O mago suspirou ao lançar um olhar rápido para os outros dois místicos.
– Vou precisar de uma amostra de sangue primeiro.
…
– Você bem que podia dormir no chão.
Stephen levantou os olhos com tanta raiva em sua lentidão que a faltine teve que segurar a gargalhada.
Como sempre, Clea passou semanas sem visitar a dimensão da Terra. Tinha suas próprias obrigações como Maga Suprema da Dimensão Sombria a cumprir. Foi Wong quem a procurou, pedindo auxílio: O Mago Supremo da Terra estava desaparecido há alguns dias.
O encontrou sem tanto esforço, o problema era que estavam momentaneamente presos em uma dimensão sem acesso à magia.
– Você podia dormir no sofá. – O mago apontou para o móvel empoeirado de dois lugares, talvez um dia aquela coisa tivesse sido laranja – Você é menor, cabe ali.
A feiticeira torceu o nariz, jogando suas coisas no chão ao lado da cama de casal, a única do cômodo.
– Sou uma princesa, membro da família real da Dimensão Sombria, não vou dormir naquilo.
– Não aqui. – Bateu a porta – Aqui você é ninguém, não é princesa.
Isso a irritou de verdade.
– Não estou nem aí, eu não vou dormir nesse sofá e ponto! – Fuzilou-o com o olhar, mas ele estava ocupado demais arrancando sua camiseta com mais agressividade do que o necessário para com uma peça de roupa.
– Eu não caibo ali, Hoggoth, você não é razoável. – Grunhiu – Não sei o que Vishanti tinha na cabeça quando fez de você Maga Suprema da sua dimensão… Uma mimada!
– E você é um escroto egocêntrico e arrogante, mas não estou reclamando, estou?
– Está sim, na verdade. – Jogou a camisa no sofá, Clea teve que abaixar os olhos para suas próprias coisas para não encarar – Então vamos dividir a cama, porque não vou ficar com o sofá. Se você conseguir reprimir um pouquinho dessa sua manha de monarca, talvez eu caiba no colchão. – Murmurou seco.
– Tem espaço o suficiente na cama pra mim com minha manha e até pra você, mas sua presunção é melhor que enfie no rabo.
O mago riu de desgostoso, ele estava de costas para a faltine agora.
Tinha bons ombros largos. E, droga, ele era alto.
– Eu vou te falar no rabo de quem vou enfiar minha presunção.
– Eu quero ver você tentar!
Strange respirou fundo com um sorriso descrente nos lábios, como se estivesse infeliz demais com o que estava acontecendo consigo.
– Vá tomar um banho, Clea. Some da minha frente por pelo menos vinte minutos! – Ordenou. Seu timbre era baixo, mas não menos irritado.
– Está me ameaçando? – Franziu as sobrancelhas.
– Agora! – Não foi a primeira vez que ele gritou com ela, mas ainda a divertia, porque era raro conseguir tirar Stephen Strange do sério a ponto dele falar aos berros, gritar a plenos pulmões.
Ele se considerava ainda um homem da ciência, racional… O grito sempre vinha acompanhado de uma careta, como uma autocrítica tardia por ter se deixado levar pelas emoções.
Clea obedeceu, ainda sorrindo e andando devagar quase propositalmente. Strange encarou-a perplexo enquanto passava as mãos pelos cabelos grisalhos, tomando ar. Ela gostava da aparência dele, não podia negar. Stephen era alto, forte e moreno. Seus olhos azuis quase da cor do céu do planeta Terra completavam o visual um tanto exótico para alguém de outra dimensão. Lançou-lhe uma bela olhada maliciosa antes de entrar no banheiro minúsculo, e só fez isso porque Stephen ameaçou ir até ela, com um ar quase agressivo.
…
Quando Stephen saiu do chuveiro Clea estava trocando os lençóis da cama, com um joelho dobrado sobre o colchão salientando a curva da nádega direita. Ela estava vestindo um pijama de seda da Terra: shorts curto e uma babydoll.
Ah, que inferno de tentação.
Teria uma longa, longa noite.
Puxou o ar com raiva enquanto secava as gotas de água do seu peito molhado, na intenção de se distrair da visão.
Ela fazia de propósito? Ela parecia fazer de propósito. Não teria efeito nenhum em Strange caso a maldita não fosse a fêmea mais bonita de qualquer espécie que ele já tivesse tido contato na vida. É claro que beleza era um termo relativo e talvez um chitauri não concordasse com a opinião do mago, mas ninguém o instigava mais do que a princesa da Dimensão Sombria.
– Temos um problema. – Ouviu-a dizer, soltou um simples resmungo para que a moça continuasse a falar – Eu só consigo dormir abraçada com um cobertor e nós só temos um cobertor.
Pena que era da nobreza.
– Tanto faz.
– Ótimo.
– Ótimo. – Repetiu. Por que ela o fazia se comportar como um garoto de treze anos?
– Ótimo! – Olhou-o irritada, mas a expressão vacilou ao vê-lo seminu.
Clea desviou o rosto com um sorriso malicioso, balançando a cabeça para algum pensamento que teve. O Mago Supremo teve que controlar a língua para não dizer "ótimo" uma vez mais.
Stephen não tinha tempo de conhecer pessoas novas para cortejá-las e (enfim) levá-las para a cama, então se tornou um hábito visitar a Dimensão dos Sonhos quando queria diversão. Mais especificamente a divisão dos sonhos eróticos, onde íncubus e súcubus habitavam.
Já era uma espécie de rotina há longos anos procurar conforto na cama de Erotica, a soberana daquele pedaço de terra, mas… Há mais ou menos dois anos Erotica tinha assumido a forma corpórea de Clea.
No começo Stephen pensou que a rainha estava fazendo algum tipo de piada sem graça, até que se deu conta de que era o que ele realmente queria. Então ficou menos vergonhoso apenas agir como se o desejo fosse algo proposital e relacionado ao desdém dele pela família de Dormammu do que admitir que ele estava encantado pela princesa faltine.
Strange se perguntava se Clea sabia disso.
E, se sabia, qual era sua opinião.
Sentou-se na cama ao mesmo tempo em que a feiticeira puxava o cobertor e se deitava de costas para ele.
Stephen apagou a luz, deitando-se muito desconfortavelmente. Encarou o teto por tanto tempo que, quando se deu conta, Clea já estava dormindo. Parecia vulnerável assim… Tão quieta.
Reprimiu a vontade de debruçar-se sobre os ombros dela e deslizar a boca do pescoço aos seios. Ela não era Erotica, era Clea. A de verdade. A que tinha que odiar.
…
Acabou pegando no sono e acordou com a faltine a alguns centímetros de seu rosto. Franziu os olhos e a moça pareceu assustada, não queria tê-lo acordado.
– Estava frio. – Explicou-se.
Ela havia o coberto. Agora estavam os dois debaixo do fino cobertor, que não barrava o ar gelado da madrugada tão bem assim. Se tinha um jeito daquilo tudo ficar mais constrangedor…
– Por que veio atrás de mim? – Doutor Estranho quebrou o silêncio da noite.
– Porque Wong pediu. – Sussurrou trêmula, esfregando os braços. Voltou a se deitar o mais longe que podia de Strange sem sair debaixo do tecido.
– Estaria confortável e quente na sua cama agora caso tivesse o ignorado.
– E você teria sido engolido por uma enguia gigante, então de nada.
Não pôde evitar o sorriso.
– Imagino que não ache que minha vida em troca de seu conforto tenha sido uma troca justa, não é Vossa Alteza? – Piscou para o teto – Afinal, é uma princesa.
– Ainda estou decidindo, na verdade. – Murmurou ao se encolher, o que a deixou um pouco mais próxima dele – Mas certamente preferia sim estar comprando laços bonitos e vestidos coloridos do que perdendo meu tempo com você, nesse muquifo horroroso e nesse frio desgraçado.
– Espirituosa.
– Agradeço.
– Não foi um elogio.
– Não me importo com seus elogios, médico. – Uma pausa – Se puder continuar tagarelando igual uma cacatua, eu irei agradecer, me distrai da temperatura. Se eu morrer de hipotermia perco uma aposta.
Strange puxou o ar com força e o soltou com a mesma intensidade.
– Quer que eu te esquente?
– O quê?
– Quer que eu te esquente? – Repetiu a frase, virando o rosto do teto para a moça pela primeira vez desde que acordou – Se estiver tão ruim assim eu consigo te esquentar. Não fique tão ofendida, é só uma técnica de primeiros socorros.
– Por que eu aceitaria uma coisa dessas?
– Porque vamos ficar quites.
A única luz no cômodo era a luz da lua, que invadia o quarto pelas janelas. Era fraca demais para que ele enxergasse um pouco mais do que a silhueta do rosto da faltine se contraindo enquanto ela decidia.
– Se contar pra alguém eu juro por todos os deuses que te mato.
– Certo. – Soou sem ânimo – Precisa me abraçar. Prefere de frente ou de costas?
– De frente. Eu posso estar sem minha magia, mas tenho uma faca, é bom que saiba disso.
– Se já terminou de me ameaçar, Clea… – Virou-se de lado para que a faltine pudesse se acomodar contra seu peito e deitando a cabeça de um jeito desconfiado no bíceps de Stephen.
A verdade era que ele não estava com tanto frio assim, mas Clea nasceu em um local quente e não estava tão acostumada com essas mudanças bruscas de temperatura.
E ela não foi de todo ruim com ele nesse período, uma boa ação não iria matá-lo.
– Vou colocar minha mão em você agora, tudo bem?
O mago teve que se esforçar para não rir.
– O seu povo é tão pudico assim?
– Não sou pudica, sou educada. – Seu mau-humor era palpável – Posso ou não?
– Quando a deixei chegar perto eu já partia do pressuposto de que ia encostar em mim, não precisa de permissão, ela fica implícita.
– Hostes Hostis de Hoggoth… – Sussurrou pra si mesma, abraçando Stephen enquanto resmungava – Você é insuportável.
– Cala a boca, Clea, por favor.
– Vishanti, eu adoraria socar a sua cara na parede agora. – Resmungou ao bocejar, procurando uma posição confortável sob o cobertor. Ele sorriu tamanha era a contradição entre as ações e as palavras, espalmou as mãos nas costas da feiticeira e começou a fazer movimentos para que a fricção gerasse calor também.
Ela vibrou contra ele, soltando um pequeno gemido satisfeito conforme o abraçava com força, o puxando para si.
Talvez…
Não tivesse sido uma ideia tão boa assim.
– Já tentou fazer terapia para lidar com seus problemas de raiva? – Criou um assunto para distrair a mente do corpo dela se movendo contra o seu próprio.
– Eu não tenho problemas de raiva. – Sussurrou, ele sentiu os dedos de Clea contra sua pele exposta. Ela estava brincando com os pelos de seu peito? Parecia… Que sim.
– Ah, certo.
O cabelo prateado da feiticeira tinha um cheiro doce e frutado, era gostoso de sentir.
A proximidade dela causou uma reação espontânea em seu corpo. Não era culpa dele, era? Provavelmente estava só carente, há muito não dormia com ninguém no mundo físico.
Se ele ficasse bem quieto talvez fosse passar despercebido.
Gentilmente escorregou a mão até a cintura de Clea e a empurrou um pouquinho, só um pouquinho, para longe de sua virilha.
– É sério? – Houve uma pontadinha de deboche em sua voz.
– Eu não sei do que você está falando e não quero saber.
– Precisa mesmo de tão pouco para estimular a sua espécie?
– Vai dormir, Clea.
– Eu mal toquei em você. E não foi de um jeito sexual, foi um abraço.
– Eu vou te jogar pela janela, juro por Agamotto.
Sentiu o hálito doce da faltine em seu rosto quando ela riu, não podia vê-la, mas sabia que a boca dela não deveria estar tão longe da sua.
– Doutor Stephen Strange…
– Ninguém morre de hipotermia nessa temperatura.
– … Prefiro você quando está corado desse jeito, não quando está me xingando. – Uma pausa – Minha espécie enxerga melhor no escuro, sabe?
– Se não se insinuasse tanto para mim, não estaríamos passando por isso agora.
– O quê? – Deu risada – Eu não faço isso. Não pra você, pelo menos.
– Ah, faz! E como faz.
– Ah, agora tudo é culpa minha, não? – Comentou irritadiça – Estamos presos aqui por culpa minha, não conseguimos pegar a enguia por culpa minha, não havia mais quartos por culpa minha. Agamotto ter ligado nossas almas e cruzado nossos destinos foi culpa minha também. Sua falta de controle sobre o seu p…
– É tudo culpa sua sim! – Ele não achava, realmente, que fosse, mas ela ficava particularmente irritante quando começava aquele discurso. Puxou-a para mais perto de si, agora pressionando de verdade seu volume contra a coxa dela – Feliz? Agora cala a boca e dorme.
Estava teso como o inferno e nem sabia o motivo, piorou quando a faltine espalmou a mão em seu peito nu para afastar o tronco, claramente irritada.
– Seu… – Procurou as palavras – Bruto!
– Bruto?
– Estúpido!
– Aprendeu a xingar onde, princesa? Na escolinha dominical?
Clea buscava compreender o que ele tinha dito, mas claramente não deveria fazer ideia do que era uma escola dominical.
– Nem Oshtur consegue mensurar o quanto eu te desprezo. – Riu de nervoso, mas soltou um suspiro de excitação.
Strange ficou confuso por alguns segundos, a confusão só durou até sentir os dedos de Clea sobre os seus próprios, quase implorando para que ele liberasse o quadril dela de seu aperto.
Ele não tinha se dado conta de que a apertava contra seu corpo. A ansiedade dela o divertiu, ao menos não estava passando por aquilo sozinho.
– Não faz isso. – Estava ofegante, o que denunciava a aceleração da frequência cardíaca.
Já estavam na lama mesmo…
Avançou contra o pescoço dela lentamente, deixando um rastro de beijos suaves. Não era como se Clea estivesse tentando se esquivar daquilo, deu espaço para o mago descer os beijos por seu colo.
– Despreza, é?
– Muito.
Confessou em um sussurro desejoso, deslizando as mãos para os ombros dele.
– Eu posso ver. – Sorriu torto.
Abraçou-a, mão direita a segurando pelos fios de cabelo da nuca. Sua boca procurou os lábios dela, que aceitaram o contato quase que imediatamente. Ela era quente e macia, quase não conseguia mais esconder a excitação, soltava gemidos e suspiros, ainda muito ofegante.
Stephen tentou se erguer o suficiente para mudar de posição na cama, mas a feiticeira o impediu, montando sobre ele.
Quebrou o beijo com um estalo, os dois estavam ofegantes. Stephen a segurou pelo rosto, para que não se afastasse.
– Se não disser a ninguém eu também não digo. – Ela propôs, quase sem ar na fala.
– Não vou.
O acordo foi selado.
Stephen se apressou em descer as alças do pijama da faltine enquanto ocupava a sua boca com os lábios dela mais uma vez, talvez tenha sido um pouco bruto quando arrancou os shorts, roupas de baixo e a blusa da moça ao mesmo tempo. Ela riu soltando um pouco de ar pelo nariz, mas não parou de beijá-lo. Os dedos dele voltaram acariciando a pele macia das costas dela por debaixo do cobertor.
Clea se ajoelhou, pairando sobre o mago. Ele sentiu a mão suave o pressionar por sobre a roupa, não reprimiu o grunhido de alívio que o ato lhe causou. Instintivamente suas mãos se agarraram na cintura da feiticeira, forçando-a contra sua ereção. Foi a vez dela de resmungar de desejo, os dois ainda aos suspiros exasperados.
– Hoggoth, Stephen. – Foi um sussurro.
– Clea…
– Homens humanos são sempre tão vocais? – Perguntou mais para si própria do que para ele – Gosto disso.
– Não sei. – Murmurou rapidamente, enfiando os dedos do meio e o anelar pela vulva da moça. A posição não era muito confortável, mas ele fez o possível para ser gentil, explorando o corpo. A fisiologia faltine era muito próxima à humana, ele havia estudado um pouco por curiosidade – Oh, aqui está. – Clea deixou um soluço escapar quando o mago alcançou seu protuberante ponto de Gräfenberg.
Ela fazia um barulho molhado indecente, os dedos lhe escorregavam com muita facilidade. Strange se perguntou por quanto tempo Clea quis aquilo, para que estivesse o recebendo tão bem.
– Eu nem posso acreditar… – Ele sussurrou – Que consegui te deixar quieta e dócil pelo menos uma vez em anos.
A faltine espalmou a mão no peito de Stephen, sorrindo divertida. Seus cabelos prateados estavam bagunçados, segurou as mãos do mago e as deslizou pelas laterais de seu corpo, subindo até os seios fartos e rosados. Um tracejado molhado se formou por onde os dedos da mão direita dele passaram.
– Poderia falar o mesmo, mas… – Houve uma pausa para tremular quando Stephen apalpou-a, beliscando o mamilo – Pensei que ia dizer que mal acreditava… Que ganhou a incrível oportunidade de satisfazer a monarca da Dimensão Sombria.
Os dois riram antes de voltar aos beijos, um pouco menos apressados, mas não menos desejosos do que antes.
– Vossa Majestade anda insatisfeita?
– Você me fez insatisfeita, doutor. – Ele arqueou as sobrancelhas para aquela resposta, Clea o ajudou a se livrar das calças cáqui – Se tivesse dado o que eu queria há quatro anos, não estaríamos nessa situação.
– Se não fosse tão mandona…
– Não estrague o clima me deixando com raiva, Stephen. – O interrompeu.
– … Poderíamos ter resolvido isso há muito tempo.
Calou-o quando tornaram-se um, puxando-o para que se amassem sentados na cama. Suspiraram juntos um contra a boca do outro, movendo-se em sincronia. A cama rangeu, desaprovando a nova movimentação sobre o colchão.
– Não se empolgue tanto, a madeira não parece muito confiável. – Stephen murmurou desconfiado, Clea pareceu não lhe dar ouvidos, apesar de ser murmurado um doce "aham".
Ela estava no controle total daquele sobe-e-desce, distribuindo beijos pela clavícula do mago. Estavam espantando bem o frio. Ah, Vishanti, os ruídos prazerosos tomaram o quarto junto com o som de pele. Strange desejou vê-la, a pálida luz da lua que invadia o quarto pela janela mal permitia que enxergasse os lábios inchados e entreabertos buscando o ar que faltava.
Se bem que foi o escuro que os tornou tão corajosos.
– Steph… – Ronronou manhosa ao abraçá-lo e ele obedeceu. Antes de sequer saber o que ela queria, ele obedeceu.
Agarrou-a num aperto, forçando-a a se mover com mais rapidez e força. Colocou a boca no ombro dela e a mordeu, sentindo aquela pele alabastrina suave como um pêssego e um pouco salgada com o suor que começava a brotar. Clea pulsava, o apertando como o inferno. Era molhado e quente e deslizava com tanta, tanta facilidade.
Por que estava com raiva de Clea mesmo? Porque Vishanti conectou o destino dos dois e os deixou sem a escolha do próprio futuro? Isso parecia tão bobo agora, com a faltine choramingando seu nome com a testa encostada na dele. Os dedos dela apertando sua pele, numa tentativa vã de conter o desejo crescente.
– Se continuar… – Ela não precisou terminar seu sussurro para ser compreendida.
Os apertos em seu membro se tornaram mais constantes, fortes e menos espaçados. Clea encostou o nariz ao nariz do mago, seus olhos revirando um pouco com a sensação. A cintura dela se moveu de uma forma necessitada enquanto o corpo tremia com o orgasmo, procurou a boca de Stephen ainda ofegante e risonha, o segurando pelos cabelos grisalhos das têmporas. Ele teve que se esforçar pra não terminar naquele momento.
Vishanti nunca havia falhado com Stephen antes, de qualquer forma. Não parecia tão ruim quando sentia o corpo de Clea perdendo as forças, relaxando contra seu colo, tão satisfeita.
– Como quer fazer agora?
– Parece cansada, quer continuar?
– Eu sou uma warlord, Stephen, vai precisar de um pouco mais que isso pra me cansar. – Debochou, o senso de competitividade entre os dois deixava Strange excitado – Não precisa ter pena, pode fazer o que quiser.
– As coisas são mais divertidas com um pouco de magia, é uma pena… – Jogou-a para o lado, a fazendo rir – As Imagens de Ikonn seriam realmente úteis agora.
A faltine entendeu o que Stephen queria enquanto ele se ajoelhava na cama, posicionou-se de joelhos também, apoiando o peso com os antebraços.
– Você consegue mesmo ser cooperativa quando quer. – Segurou-a pelos flancos, fazendo-a abrir mais os joelhos ao empurrar as pernas dela procurando por mais espaço entre elas.
– Depende do que eu ganho com o esforço.
Procurou-a com necessidade, enterrando-se dentro da faltine sem gentileza alguma. Já estava laceada por ele, o volume não a incomodou.
Stephen a observou apertar os cobertores e lençóis com os dedos das mãos, ele a segurou pela cintura, a forçando para baixo na base da coluna, o que fazia seu quadril ficar mais exposto e protuberante.
Ele quis ligar a luz para enxergar melhor aquela bela bunda batendo contra sua virilha. Ah, que inferno, teria que pensar em boas maneiras e desculpas para que repetissem a dose em outro lugar que não parecesse um cativeiro.
Sentia falta de flutuar, das Faixas de Cyttorak, e mil outros feitiços que a fariam sentir-se ainda mais no céu. Mas, no momento, teria de trabalhar com o que tinha. A cabeceira da cama batia contra a parede com a mesma intensidade que Stephen batia contra Clea, a fazendo gemer enquanto ele grunhia.
Estava febril, sentindo as gotas de suor escorrendo pelo peito e costas. Sentia-se bem e a sensação só escalava, ele sabia que estava bem perto do fim.
Não queria realmente terminar.
Ultimamente sexo o trazia mais culpa do que bem estar, no entanto, agora estava nas nuvens.
– Você pode, se quiser. – Clea falou com um pouco de esforço, ele encarou as costas dela um tanto confuso, mas sem diminuir seu ritmo.
– O que?
– Você sabe, estava pensando nisso… Não estava? – O desejo dela o contaminou ainda mais. Na verdade ele não tinha pensado naquilo, ainda não, mas a imagem encheu sua mente e, de repente, não havia mais espaço para nada.
Ela queria? Então ele não era o único com segredos sujos.
Puxou-a contra seu peito, a tirando da posição de quatro e a abraçando, ajoelhados. Não parou de investir contra a moça quando o fez, mordendo-a no ombro para controlar parte do tesão.
Provavelmente nunca esteve tão excitado em toda a sua vida, nada mais importava agora.
Estavam os dois sem fôlego quando o mago apertou a feiticeira contra si, beijando seu cabelo prateado conforme diminuía o ritmo frenético das estocadas e enfiava-se contra Clea de forma a alcançá-la bem no fundo. Preencheu-a com esperma e isso teria sido bom o suficiente caso a feiticeira não tivesse estremecido uma vez mais, compartilhando do momento com Stephen. A sensação de dominância lhe encheu o peito, provavelmente a princesa lhe daria um belo soco na cara caso pudesse ler seus pensamentos.
Mas ela não podia, não agora.
Contemplou a própria satisfação enquanto ajudava a faltine a se deitar na cama, buscavam controlar a respiração juntos. Deitou-se ao lado dela, fazendo careta para os lençóis frios contra suas costas.
– As coisas entre nós vão ficar esquisitas agora, não vão? – Clea perguntou e os dois riram – Quero dizer…
– Por que, está com medo? – A provocou, voltando a puxá-la para seu peito suado. Tentou se convencer que fez aquilo ainda para reter calor e não porque era bom tê-la nos braços como vinha desejando há tempos. Clea de verdade, não Erotica – Pensei que a princesa da Dimensão Sombria seria um pouco mais corajosa do que isso.
– Medo do quê? – Quase conseguiu vê-la franzindo o cenho no escuro, tinha decorado algumas das expressões da moça.
– De se apaixonar, é claro.
Ela gargalhou com vontade.
– Tadinho do Mago Supremo da Terra. Quer dizer, não foi ruim, mas também não é nada que valha o esforço da repetição… Lide com isso, querido.
– Ah, é? – Encarou aquilo como um desafio.
…
Dois meses depois, Sanctum Sanctorum.
Strange estava encostado no batente da porta do banheiro de seu quarto, trajando nada além de um roupão mal amarrado e uma expressão de diversão. Segurava uma taça de vinho pela metade enquanto observava Clea se enfiando em suas roupas com uma pressa bizarra, ainda grogue pelo tanto que beberam durante a madrugada.
A faltine riu, balançando a cabeça, ao perceber o olhar de Stephen em si.
– Foi só uma recaída.
– A segunda na semana. – Bebericou um pouco mais, vitorioso.
– Tive uma semana complicada.
– Ainda é quarta-feira.
Colocou-se de pé e andou até Stephen, roubando-lhe um beijo suave.
– Então te vejo na sexta-feira para a próxima recaída.
– Não precisa sair correndo sempre, não me importo de dividir a cama com você até amanhecer. – Acariciou-a nos cabelos brancos enquanto a faltine tomava alguns goles de sua taça.
– Não quero te atrapalhar, não sei dos seus compromissos.
– Não é como se você me pegasse de surpresa toda vez que quer ter uma recaída, não é? – Sorriu torto, pegando a taça de novo ao passar o dedão na pequena gota de vinho que escorria dos lábios inchados da feiticeira – Sempre marcamos… Como um casal de velhos.
– Velhos nem transam. – Riu, segurando os dedos de Strange entre os seus – Também não sei se um dia vou chegar aqui e precisar dividir a cama com mais alguém. Nunca se sabe.
– É claro, vou arrumar uma namorada humana que aceite feliz o fato de que eu e você estamos predestinados como amor verdadeiro e alma gêmea um do outro, sim. – A fatine se afastou, ainda bem humorada – Mulheres humanas amam isso, vai ser incrível. Vocês podem até ser melhores amigas uma da outra.
– Pensei que não gostasse nem de pensar nessa coisa de predestinação, mago. – Comentou, pegando sua bolsa.
Strange suspirou, encarando o fundo da taça.
– Não me importo se isso te ligar a mim.
Trocaram um olhar afetuoso.
– É claro. – Olhou para cama – Talvez em uma próxima oportunidade.
– É claro. Até mais, Clea, querida.
– Até mais, Steph.