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@selfish-shafiq

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not-a-princess-fortescue :
Tudo bem, esquecido. Prometi ao meu pai que daria mais chances às pessoas antes de ele… Bem, enfim, é isso que estou fazendo aqui. Fico feliz que você tenha tomado essa decisão, Richard, principalmente por parecer estar feliz com ela, meus parabéns. Sei que em algum momento seu avô vai perceber isso se você realmente se esf… Espere, você fez o quê?
Tudo bem. Eu até entendo você ficar brava por inúmeros motivos, mas dessa vez eu só falei que fiz uma flor. Não pode ser tão errado a ponto de você ficar brava com isso também.
not-a-princess-fortescue :
Olha não se gabe tanto, só vim porque sou realmente uma boa pessoa e não acho certo ignorar completamente um pedido feito com educação, por mais que a pessoa mereça. Mas se você não tem nada legal pra dizer, acho que já vou indo.
Não. Esquece o que eu falei está bem? Eu te chamei por uma coisa que eu considero legal. Não sei se você sabe, provavelmente não, mas eu decidi estudar Herbologia. Eu vou provar para meu avô que vale a pena não me esquecer. Contudo, tivemos um progresso e ele deixou eu analisar as plantas com que ele trabalha, e eu acabei que fazendo umas experiências novas. Misturando folhas, e sementes junto com aromas segundo o livro, e bom. Eu criei uma nova flor, e decidi dar seu nome. Achei que você deveria saber.
Você realmente leio minha carta, e veio se encontrar comigo. Se eu estou sonhando, Ada, não me acorde.
{Flashback} Thanks for acting like you care and making me feel like I was the only one || Shascue
not-a-princess-fortescue :
Carter Fortescue nunca fora uma garota do tipo que perdia as esperanças fácil. Quando ela acreditava em alguma coisa, realmente tinha fé nisso, colocava toda a sua dedicação e esforço para que isso desse certo. Talvez, por ter passado a infância cuidando do emocional frágil de seu pai para que o homem não se quebrasse por completo, seria fácil para as pessoas deduzirem que ela acabara se tornando alguém amarga e que se cansara de cuidar das outras pessoas, mas aquela não era a verdade. Fazia parte de sua natureza querer colocar as outras pessoas acima de si, se colocar por detrás delas para sustentá-las para que elas não caiam de forma alguma, e não havia nada nem ninguém que pudesse mudar isso. Ela às vezes tinha a estranha mania de até mesmo esquecer-se de si mesma para ajudar outras pessoas, e mesmo seus amigos dizendo que aquilo não lhe era saudável, continuava a fazê-lo de novo e de novo, conservando o péssimo hábito de colocar fogo em si mesma para manter as outras pessoas aquecidas. E isso tudo sem esperar nada em troca, como se não passasse de sua mera obrigação. She’s the type of girl who would hold you while you cry and stay up all night just to make sure that you’re okay, even if she’s the one breaking sometimes.
E por este motivo ela ficara ao lado de Richard todo aquele tempo. Ele se considerava uma causa perdida, mas ela não acreditava em causas perdidas, apena em causas para se salvar. E fora exatamente isso o que fizera: tentara salvá-lo. Mesmo com os vários avisos que tivera de ouvir, Carter não se deixara abalar, ela acreditava que ele tinha sim um bom lado e até aquele momento não se decepcionara. Ele era bom para ela. A fazia sorrir como ninguém mais parecia capaz de fazer, se importava com ela, cuidava dela e estava sempre ali quando ela mais precisava, por isso ela realmente acreditara que tudo aquilo poderia ter um bom final, acreditava que ela poderia mudá-lo, poderia apagar aquela fama ruim que ele conservava pela torre da Grifinória e torná-lo alguém para se orgulhar. E por um tempo, achou que estivesse conseguindo. As outras pessoas poderiam dizer que não, poderiam rir pelas suas costas e chamá-la de tola, mas ela acreditava em Richard Shafiq tão ferozmente que nem mesmo as palavras firmes e gentis de seu pai eram capazes de mudar sua mente. Ela insistira nisso, apertara tanto aquela tecla que quase a quebrara, e talvez aquele tenha sido seu maior erro. Insistir e lutar com unhas e dentes por algo e alguém que não mereciam. Talvez se ela só tivesse sido mais inteligente e escutado as pessoas, nada daquilo estaria acontecendo. Talvez ela apenas pudesse seguir com a sua vida e deixar aquela história para trás, mas ela fora tão burra, tão estúpida. Como ela se odiava.
E naquele momento, quebrando tudo o que ela sempre acreditara, Carter chorava sentada em um banco de frente com uma velha tapeçaria no sétimo andar. Sabia que não passavam muitas pessoas por ali, mas ainda queria poder se bater por estar chorando de forma tão pública. Ela não gostava de chorar em algum lugar onde outras pessoas pudessem ver, evitava aquilo ao máximo e, quando sentia que estava prestes a se quebrar, preferia se esconder em algum banheiro ou no seu quarto quando estava em casa. Não que tivesse aquele bobo pensamento que já lera e ouvira outras pessoas dizendo, sobre não poder demonstrar suas fraquezas ou algo assim. Não tinha problema algum em deixar que as pessoas soubessem que ela tinha fraquezas, mas tinha um sério problema em deixá-las saber ou até mesmo se preocuparem com seus bobos problemas de autoestima quando elas mesmas provavelmente tinham problemas bem maiores para se preocupar. Ela apenas não queria atrair atenção indesejada, mas daquela vez não conseguira evitar. Quando vira Richard… Beijando aquela garota… Fora demais para ela, muito mais do que conseguia suportar sem derramar uma lágrima publicamente. Ela não era capaz de procurar um banheiro e muito menos de se esconder em seu dormitório, por isso acabara caindo ali mesmo, naquele velho banco no meio de um corredor onde qualquer um poderia encontrá-la. Ela era uma completa fraca.
Ele sempre soube que acabaria estragando as melhores coisas de sua vida. Como se soubesse que aquele tipo de afeto não pertencesse a ele. A forma como Carter olhava para ele como se ele fosse seu mundo como se ele fosse digno de todo aquele carinho da garota. Aquilo estava aterrorizando os sonhos do Shafiq a muito tempo. Ninguém nunca tinha ficado por tanto tempo daquela forma. Ninguém tinha se importado tanto com ele, a ponto de fazer coisas daquele tipo. De não ligarem para o que as outras pessoas falavam e simplesmente ficar ao seu lado. Aquele sentimento que estava crescendo debaixo de seu peito era novo para Richard. Nunca fora garoto de uma única namorada, e ali estava ele a um grande tempo com a mesma garota. Seus colegas brincavam que ele já não era o mesmo. Que ele havia sido transformado ou até mesmo havia entrado em uma coleira. Não ligava para esse tipo de comentário. Sua única preocupação era Carter. O problema era que ele não era merecedor da garota. Todas as formas que ela o tratava a forma como ela o amava. Os pequenos detalhes como a forma que o lábio dela se curvava e os olhos ficavam mais ternos quando ele recebia uma nota baixa e eles falavam que fariam dar certo ou que melhorariam as coisas. Tudo aquilo era estranho para ele. Alguém se esforçar tanto para ajudá-lo. Querer ficar com ele por tanto tempo, e a dependência que ele estava tendo em relação a ela.
Tudo que ele mais queria era calar aqueles sentimentos. Negá-los de toda forma possível e esconder no fundo da gaveta. Se continuasse desse jeito iria chegar o dia que Carter abriria os olhos e perceberia que ele não era a pessoa que ela queria. Como ele ficaria depois disso? Ele já nem mesmo sabia como ficar sem ela agora. Richard sempre foi muito bom em guardar seus sentimentos. Em não demonstrar muito ou fazer parecer que ele não se importava. Havia construído tudo aquilo em sua casa. A única pessoa que sabia que ele era capaz de amar e sorrir era Ada. Ele nunca escondeu nada disso da irmã, pois ela era muitas vezes seu porto seguro. Ada era o rosto que ele procurava durante as festas e reuniões de família, e era por conta dela muitas vezes que ele não fazia uma cena. Por respeito a irmã que ele algumas vezes tolerava Ava por perto, e por conta dela não havia dito coisas horríveis a seu avô antes. Agora ele tinha achado outra pessoa, e não conseguia deixar de se sentir tão vulnerável por causa da presença da mesma.
Ele sabia que era a decisão errada. Qualquer pessoa saberia, mas tinha de ser feito. Algum dia ela iria deixa-lo, e Richard ia se sentir muito pior. Uma pessoa racional teria conversado e explicado para a garota que ele a amava mais do que qualquer outra coisa, e que não sabia lidar com aquele sentimento. Richard não era uma pessoa racional. Pensou que se ele tentasse ficar com outra garota seus sentimentos acabariam indo embora. Aquela necessidade, aquela dependência sumiria. Carter realizaria que ele não valeria a pena como todos haviam falado para ela, e tudo estaria bem. Fora por isso que fizera aquilo. Por ser um idiota que não sabia lidar com seus sentimentos, e mesmo depois de beijar uma outra garota o sentimento não estava indo embora. Muito pelo contrário parecia que estava ficando até mais claro, pois ele não queria continuar beijando outra garota. Ele queria Carter. Como fora tão estupido a ponto de pensar que poderia simplesmente colocar seus sentimentos de lado tão rápido. Agora ele estava caminhando, pois precisava respirar. Tentando fugir dos monitores para poder usar seus fumo. Caminhara tanto que nem mesmo reconhecia o lugar direito. Porém era vazio o suficiente para acender seu cigarro. Ficou um bom tempo ali, apenas desligando-se da realidade a sua volta. E então começou a ouvir alguém chorando não muito longe da onde estava. Virou-se para ver a situação, e quase engasgou quando o rosto tão conhecido apareceu a sua frente. Um aperto tomou conta de Richard. Ele nunca queria fazer aquilo com ela. Ele fora tão estupido. Nem mesmo ligando para o cigarro em suas mãos ele andou em passos rápidos e sentou-se ao lado da menina. Não fazia ideia do que falar, mas ele não tinha mais outra escapatória. “Eu acho que amo você.” Ele nunca havia falado aquelas palavras, e agora deveriam significar ainda menos para a garota, mas ela precisava ouvir e saber. Ele havia estragado tudo, mas ela precisava saber da verdade.

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Beautiful Disaster | Dick&Crystal | Plot Twist
c-kouchner :
Uma coisa impossível para Crystal Kouchner era não criar expectativas. Não importa em que situação ou a quem ela se refere, imaginar mil possibilidades e se perder em todas elas é um dom que ela possui desde muito cedo. Muitas foram as vezes que a morena amaldiçoou sua capacidade de quebrar a cara de forma tão simples e desnecessária, mas outra parte de si sabia que as expectativas criadas não eram de todo ruim, afinal, elas pelo menos a permitia viver algo que ela desejava, ainda que não fosse se concretizar necessariamente. Ali não fora diferente. Por mais que tivesse aprendido a controlar todos os pensamentos magníficos de como tudo poderia ser bom em sua vida, Crystal se pegou pensando em como Richard Shafiq poderia ser bom para ela, mesmo com todo aquele ar de superioridade, o sarcasmo presente em todas as palavras e principalmente a experiência anterior que os dois tiveram anteriormente, mas ainda havia algo nele que ela sabia que poderia melhorar. Uma mudança que seria bom para a vida do rapaz, muito além do que poderia ser para ela. E mudança, no mundo de Kouchner, nunca era algo ruim.
Um sorriso simpático permaneceu exposto nos lábios da bruxa, ainda que seu semblante remetesse surpresa pelo cavalheirismo repentino do outro. Crystal assentiu de maneira breve deixando que ele entrelaçasse seus braços e começou a caminhar ao lado do mais alto, segurando seu braço com delicadeza e observando os poucos alunos que se espalhavam por ali e também seguiam em direção ao festival. Uma pontada de nervosismo se fez presente no momento, talvez, que ela realmente se deu conta de que realmente estava dando uma outra chance para aquilo, mesmo depois de quase dois anos seguidos em que só havia se decepcionado com o sexo oposto. – Somos dois. – Murmurou virando o olhar para ele, concordando em relação aos doces, lembrando-se bem da última vez que estivera ali com o primo e ele acabou por roubar metade dos seus doces na semana seguinte. – Espero que eles tenham um bom estoque de tortinhas de abobora. – Comentou num tom mais baixo, quase como uma nota para si mesma, antes de continuar. – Hm, acho que os jogos não devem estar tão lotados agora então seria melhor pra gente aproveitar, né? – Questionou de forma pensativa, imaginando como todos os alunos em algum momento se dirigiriam ao mesmo tempo para lá e, como multidões não faziam parte de suas coisas preferidas na vida, seria melhor se eles evitassem. – E assim a gente não perde tanto tempo esperando a atração principal. – Completou erguendo as sobrancelhas com um sorriso mais largo nos lábios, referindo-se a conversa que tiveram quando Dick a convidou para o festival e a forma como ele ameaçou fingir não conhece-la caso ela fizesse uma cena com o show da banda principal. – Você vai comigo né? – Perguntou pressionando os lábios em um sorriso comprimido, para não se permitiu rir, esperando que ele assentisse sem questionar seu bom senso.
Ele não sabia o quanto uma pessoa era capaz de muda-lo. Ele nem mesmo acreditava em mudanças. Sempre pensava que era algo que as pessoas falavam para acreditar que as pessoas poderiam mudar. Ele sempre teimou falando que não era capaz de tais mudanças. Que era independente e que seria daquela forma para sempre. E então ele perdeu a única coisa que o mantinha são. Perder Carter só fez com que Richard ficasse ainda pior do que já era. Se o garoto tinha problemas de estudos, em se relacionar com outras pessoas, e tudo mais que gostavam de caracterizá-lo pelos corredores. Ele não tivera forças o suficiente para lutar por ela. O garoto não possuía nem mesmo vontade para ir as aulas. O que Richard mais queria era ser reconhecido por seu avô. Já não aguentava mais ser uma mera sombra de Ava, e ser caracterizado com uma decepção. Richard nem mesmo sabia o porquê de ter ganhado aquele título. Provavelmente por ser tão parecido com seu pai, mas o garoto lutava para não ser assim. Agora que ele já não tinha nem mesmo a expectativa de orgulhar seu avô ele só estava perdido. Ou pelo menos estava, até conhecer Crystal. Era por isso que ele estava nervoso naquela manhã. Por mais estranho que pudesse parecer, Crystal havia sim mudado o jovem Shafiq. Fazendo ele se transformar em uma pessoa melhor que poderia ser até mesmo uma pessoa digna.
A bruxa a sua frente tornara-se alguém muito importante para Dick. Alguém que ele não queria decepcionar. Sabia que as coisas havia começado da maneira errada entre os dois, mas agora ele queria ser alguém que pelo menos Crystal tinha orgulho. Já que ela era a única que parecia acreditar nele. Todos ao seu redor já haviam desistido. Então aquele dia era um grande desafio de como impressionar a Kouchner. Assim que a garota fizera a pergunta ele sorriu abertamente. Fazia tempo que Dick não sentia-se tão leve na presença de outras pessoas. Era bom para ele brincar com Crystal daquela forma, e provoca-la. Em muitas maneiras ela o lembrava de sua irmã menor. Ada que fazia com que o garoto se divertisse daquela forma. A parte boa era que Crystal não era nada relacionada a ele, e era alguém que confiava nele. Talvez ela fosse quem ele precisasse. Talvez com ela ele conseguisse finalmente seguir em frente. Ser alguém que o avô se orgulharia. Alguém que ele mesmo poderia se orgulhar. “Como você consegue comer tanto e ficar tão magrinha? Sua gordura se transforma em energia?” Brincou pelo modo agitado que a garota sempre agia. Crystal estava sempre sorrindo, e andando de um lado para o outro. Concordou em irem aos jogos, e depois em leva-la para o concerto. Ele faria de tudo para que aquele no final fosse um bom encontro. Que desse certo para os dois. Passou o braço pelos ombros da garota menor. “Quero ver você ganhar de mim em alguma coisa.” Se divertiu enquanto caminhavam, e decidiu rir um pouco da menina. “Vou. Você e as outras garotas precisam ver o que é beleza de verdade ao invés de ficarem gritando por essas bandas bruxas aí qualquer.” E deu de ombros enquanto dava risada. Aquele seria um dia bom. Ele nem possuía dúvidas. Não estava nervoso, e quando achou a mão da garota e tentou entrelaçar entre seus dedos ele teve a certeza que estava fazendo no caminho de algo certo.
You're way too young to be broken. You're way too young to fall apart. | Dick&Carter | Pós-PT
not-a-princess-fortescue :
Carter uma vez se proclamara a Rainha dos Arrependimentos. Era apenas mais uma de suas conversas bobas com Liv, em uma tarde aonde as duas não precisavam se preocupar com mais nada. Era final de seu quinto ano, exatamente no dia em que fizeram a última de suas provas finais. Estavam com a cabeça ainda cheia das questões que viram na prova e cada aluno fazia de tudo apenas para se distrair, aproveitando o fato de que ninguém tinha nenhuma lição de casa e nada para estudar de forma desesperada, então estavam despreocupados. O tempo estava bom, nem muito frio e nem muito quente, o tipo perfeito para ficarem sentadas na beira do lago refrescando os pés na água calma. Mas então sua visão foi invadida pela de Richard, que passava por ali com um cigarro na direção da Floresta Proibida, pouco se preocupando se era de dia ou se alguém o estava vendo cometendo pelo menos duas infrações. E a jovem Fortescue, que ainda tinha muito fresco na memória o sentimento terrível do término recente dos dois, se viu mais uma vez sofrendo por sua causa. Se perguntando o porquê de ter sido tão estúpida a ponto de acreditar que poderia mudá-lo, até mesmo salvá-lo. Naquele momento ela ainda sentia uma fúria terrível e infantil do rapaz, e se arrependia até o último fio de cabelo de ter se apaixonado. Não conseguia se decidir entre odiá-lo ou odiar a si mesma, e em um discurso furioso proclamou a si mesma como a Rainha dos Arrependimentos, visto que só tomava decisões que lhe prejudicavam no final, fazendo Olivia cair na gargalhada ao ouvir título bobo. Porém, para Carter, não havia graça alguma. Em sua cabeça na época ela realmente era a Rainha dos Arrependimentos, e naquele momento se arrependeu de cada coisa – por mais boba que fosse – que já havia feito em sua vida. Cada palavra, cada gesto, cada atitude, tudo. É claro que aquele era apenas um momento de mágoa e fúria infantil que mais tarde passou, porém anos depois ela continuava revisitando aquele dia, e às vezes até mesmo se perguntava se ela não estava certa, afinal. Será que ela estivera errada sobre tudo sua vida inteira? Ali estava ela, tanto tempo depois, sabendo que no dia seguinte teria tantas coisas para se arrepender que não saberia por onde começar e provavelmente se recusaria a sair da cama por um bom tempo até que a vergonha de ser e se chamar Carter Patrizia Fortescue finalmente passasse.
Porém, mesmo sabendo que no dia seguinte se arrependeria e provavelmente se odiaria por estar fazendo aquilo, ao invés de afastar Shafiq como seria o certo, ela apenas o aproximou mais. Não queria mais continuar lutando contra ele, lutara demais naquele dia e seus ossos pareciam feitos de gelatina. Poderia lutar novamente no dia seguinte, quando já tivesse dormido um pouco e suas forças estivessem renovadas. Por um momento se perguntou se ele ainda estaria ali no dia seguinte, mas logo tratou de tirar isso da cabeça. Não valia a pena ficar pensando muito, ela apenas se decepcionaria se o fizesse, porque as chances de criar ainda mais expectativas eram grandes. E ela sabia que havia expectativas ali. Poderia negar. Poderia voltar a afastá-lo, xingá-lo, fingir desprezá-lo, atestar que tudo o que fizera naquele momento era por culpa do ataque que sofrera e até mesmo seria capaz de dizer que não se lembrava de nada do que acontecera quando acordasse novamente no dia seguinte, mas nada daquilo seria verdade. A verdade nua e crua naquele momento era que apenas a presença de Richard ali era o suficiente para fazer ela se sentir melhor do que imaginara que ficaria após sofrer um ataque daquela proporção, e no fundo de sua mente ela nutria uma expectativa de que as coisas fossem ficar bem depois disso. De que eles voltariam a ser como eram antes, antes de toda aquela bagunça acontecer, antes das coisas desmoronarem. Mas é claro que não iriam, e boa parte de Carter sabia disso. A realidade batia em sua cara uma, duas, três vezes, a fazendo se lembrar do real motivo para tudo ter desmoronado, e a dor que a invadiu ao se lembrar daquilo foi tão grande que ela quase o afastou novamente. Teria sido capaz de empurrá-lo da cama direto no chão, e uma parte de si desejava isso. Uma parte pequena e cruel queria olhar para Richard Shafiq de cima, com um olhar de desprezo o repreendendo por tudo de ruim que ele já fizera, mas não ela o fez. Do contrário, agarrou-se a ele como se estivesse afundando, e a sensação que sentia em sua mente era a de que realmente estava. Não sabia de onde vinham todos aqueles pensamentos ruins, mas queria por um fim neles, pois a estavam assustando mais até que o próprio momento do ataque. Carter não era assim. Ela não era cruel, não desejava o mal nem para uma mosca e sequer conseguia desprezar alguém naquele nível. Apesar das várias tentativas, ela nunca fora capaz de odiar a ninguém além de si mesma.
Ao sentir a mão do rapaz em seu queixo, um arrepio se espalhou por todo o corpo da menina. Olhar em seus olhos castanhos ainda não era fácil. Tê-lo tão perto e não beijá-lo não era fácil. Era a primeira vez que ficavam tão próximos desde que terminaram, e desde então ela evitava sequer dirigir a palavra a ele. Mas não naquele dia, não naquelas discussões. Ela não tinha força nenhuma para lutar contra ele naquele momento, e nem contra seus sentimentos. Mas foi com um soco no estômago que pela primeira vez no dia ela se lembrou de Enzo. Não fazia muito tempo que os dois estavam juntos, nem um mês de namoro haviam completado ainda, mas ela se importava muito com ele. Porém já se mostrara uma namorada terrível ao simplesmente demorar tanto tempo para se lembrar dele. E pior, por estar ali, daquela forma, com Richard. Não estavam fazendo nada, mas em sua cabeça aquilo significava muito. Todos aqueles sentimentos conflitantes que faziam embrulhar seu estômago e suar suas mãos significavam muito e ninguém poderia dizer o contrário se pudessem ler sua mente, o que fazia dela uma pessoa ruim. O que ela estava pensando, alimentando esperanças em relação ao Shafiq daquela forma? Criando expectativas de algo que era apenas uma ilusão? Ele estava ali e dizia que continuaria ali, cuidando dele, e que nunca mais sairia do seu lado. Ficava dizendo belas palavras que ela era sua prioridade e ela ia acreditando, mas ele havia dito isso antes e ela também acreditara nisso antes. No momento em que ela estava fraca, vulnerável e cega, parecia verdadeiro. Mas quanto tempo levaria até ele simplesmente se cansar dela mais uma vez e decidir ir fazer algo mais interessante? Ela não sabia e nunca saberia, porque ele era campeão em escorregar por entre seus dedos feito sabonete molhado e talvez nunca deixaria de ser assim. Era triste admitir isso, porém era a verdade inevitável. E se por um acaso algum dia Richard conseguisse deixar de ser desse jeito, não seria graças a Carter. Ela já havia tentado antes, mas não conseguira, e tentar de novo apenas a prejudicaria ainda mais. Naquele momento ela tinha um namorado, e ele era uma boa pessoa. Não que não acreditasse na bondade de Richard, mas era exaustivo demais escavar todas as suas camadas para tentar encontrá-la, e ele simplesmente mostrá-la nos momentos em que ela mais estava vulnerável como aquele não exatamente a ajudava. Por isso, mesmo estando contra todas as células do seu corpo, ela se afastou do rapaz. Não lutando, mas com cuidado, se desvencilhando calmamente de seus braços e apenas se afastando levemente, deixando que o calor de seu corpo continuasse a envolvê-la, mas não exatamente encostando-se a ele. Não teria forças para continuar afastada se se permitisse encostar-se a ele. – Você tem alguma notícia do Enzo? Viu em algum lugar? Sabe se está ferido? – perguntou, e não percebeu o quanto estivera ansiosa até as perguntas saírem por sua boca. Queria perguntar de tantas pessoas, não apenas Enzo, como também Helena, Liv, Marlene, Dorcas, Owen e até mesmo Selina. Mas começaria por Enzo, e dependendo de qual fosse a resposta, perguntaria do restante dos amigos. Não sabia se tinha forças para aguentar uma notícia ruim caso algum deles tivesse sido ferido.
Uma das piores características de Richard era seu orgulho. Não havia quem pudesse falar o contrário. A forma como ele recusava-se a encarar algumas coisas ou simplesmente fingia que não tinha conhecimento mostrava o quanto ele era relutante para aceitar qualquer coisa que ia contra sua opinião. Um desses problemas sem dúvida era agora Enzo. Ele não conseguia acreditar no que estava acontecendo. Eles estavam ali. Juntos, resolvendo suas coisas. Ele tinha quase certeza que era a vez que eles finalmente conseguiriam dar um passo para frente. Ela estava em seus braços, e tudo parecia certo novamente. Tão rápido quanto aconteceu, Carter já estava se afastando novamente. Não, ele não poderia conviver com aquilo. Ele era egoísta, e insensível. E naquele momento queria gritar que Enzo era a última pessoa que ele poderia se importar. Que ele nem ao menos sabia que ele tinha ido ao festival ou ao acampamento. Ele queria falar que tudo que era importante para ele estava a sua frente, e era somente com isso que ele se importava. Que para ele tudo ao redor poderia acabar desde que os dois estivessem ali para sobreviver por tudo aquilo. Eram tantas coisas que ele queria gritar. Eram tantas coisas que estavam enterradas no fundo de sua garganta. As sensações, e todos aqueles sentimentos que ele tentou negar durante a primeira vez e preferiu esconder dela. Ele não queria ter que esconder novamente, mas ao mesmo tempo que ele não queria fazer nada daquilo. Ele sabia que não era justo com a garota. Crystal fez ele perceber que ele era uma pessoa melhor, e que para conseguir o que queria ele precisava se esforçar. Como ele havia se iludido achando que conseguiria ser feliz com a Kouchner. Que todos os seus sentimentos pela garota ao seu lado simplesmente sumiriam como uma passe de mágica. Como se fosse fácil para ele apagar tudo aquilo. Richard percebera agora que ele faria qualquer coisa por Carter. Talvez fosse isso que significasse finalmente amadurecer. Por fazer qualquer coisa por ela, ele percebera que dentro dessa lista incluía abrir mão de tudo por ela. Inclusive dela. Ele finalmente a deixaria ir. Já que era isso que ela tanto queria. Let her go. Ela pedira tanto por aquele livramento para ficar longe dele para que ele finalmente superasse. Não havia mais nada que ele pudesse fazer. Ele conseguia entender isso agora. Encarando a garota tão frágil ao seu lado, ele saiu da cama ao lado dela;
Não era simplesmente seu orgulho que estava ferido. Ele todo estava machucado, mas Richard conseguia ouvir a voz de Crystal falando que ele ao menos havia feito a coisa certa. Tomado a decisão correta. Procurou uma cadeira e aproximou-se da cama para poder sentar. Ele não poderia ficar muito próximo da garota, pois senão ele agiria sem pensar duas vezes. Infelizmente ele não era tão controlado assim. Jogou suas costas contra a cadeira e cruzou os braços em torno do peito. Respirou fundo, e então finalmente tomou coragem para responder a garota. “Eu não sei. Sinceramente eu não vi muita gente, mas acho que se ele não está aqui está na Ala Hospitalar ou até mesmo no salão comunal da nossa casa. Posso ir checar lá se vai te fazer se sentir mais confortável.” Como ele queria gritar o contrário. Como ele queria dizer que não se importava nem um pouco, mas ele havia mudado. Ou pelo menos, estava tentando. Era importante para Carter que ele mudasse. Mesmo que agora ele estivesse abrindo mão dela. Era engraçado, pois a poucas horas atrás ele achava que conseguiria ir em frente com Crystal, e esquecer Carter. Agora ele tinha a certeza que não esqueceria a garota. Que ele nem mesmo conseguiria seguir em frente. Ele jamais teria tudo aquilo com qualquer outra pessoa, ele jamais colocaria a felicidade de outra pessoa, que não fosse Ada, na frente da sua. Agora ele estava fazendo aquilo pela garota a sua frente. Ele estava fazendo tudo por ela. Ele nem mesmo estava ligando que estava fazendo aquilo para ela ficar com outro cara. Finalmente ele havia entendido que tudo que ele mais queria era vê-la feliz. Ele não a fazia se sentir daquele jeito, e se Lorenzo conseguia, então era ele que deveria estar com a garota.
Ainda assim era muito difícil para Richard somente ficar ali parado encarando ela. Não quando mil possibilidades de fazer outras coisas apareciam, mas ele tinha que respeitar os desejos da garota. Ele tinha de fazer o que ela queria. Amar uma pessoa deveria ser isso. Se ele soubesse de tudo aquilo antes. Talvez ele não a tivesse perdido. Era engraçado como quando estava com a garota tudo parecia sumir, e ele agia com impulso. Sabia que não poderia ser mais esse cara. Ele tinha que trabalhar em suas maneiras em seus modos. Se ele queria ser alguém que seu avô se orgulhasse. Se ele queria se formar e trabalhar junto com seu pai e avô. Se ele queria ser reconhecido como Ava ele não poderia ter mais aquela atitude. Poderia ser por isso que Crystal tanto batia naquela tecla com ele. Melhorar os modos, mudar. Ele nunca pensou que estaria pronto para fazer qualquer uma dessas coisas. Ele nunca acreditou que mudaria por alguém, mas ele mudou por Carter. Crystal que o fez perceber tudo isso, e agora ele também sabia que não poderia fazer aquilo com a garota. Por mais que eles tivessem se divertido pouco antes do ataque ele não poderia mais continuar fazendo aquelas coisas com ela. Flertando com ela. Eles se davam bem, e ele considerava Crystal tanto quanto Carter, mas agora ele conseguia entender que o que ele pensava também estava certo. Ele amava Kouchner como um irmão. Era muito mais a questão fraterna. A forma como um protegia o outro não era a forma como ele largaria tudo igual estava fazendo com Carter. Ele nunca sentiria aquilo por qualquer que fosse a pessoa. Ele simplesmente não iria conseguir sentir. A menina a sua frente era única, e ele lutara tanto para concretizara aqueles sentimentos. Esconder eles foi a pior coisa que ele havia feito. Não aceitar que amava ela foi o que fez Richard perder ela.
(flashback) The bigger the ego. The harder the fall | Dick&Sloane
Uma das coisas que Richard sempre soube era que Astronomia não era para ele. Uma aula durante a madrugada para analisar as estrelas era a mesma coisa que pedir para o garoto dormir. Muitas vezes ele faltava as aulas, outras arranjava coisas mais divertidas para fazer. Nas maioria ele iria, e passava boa parte do tempo dormindo ou apenas tentando observar Carter enquanto a garota estava maravilhada com a aula. Quando namoravam era muito mais fácil para ele se manter acordado e prestando atenção na aula, pois ela sempre estava falando sobre o assunto. Algumas coisas ele conseguia pescar, e entender e assim não reprovava nas matérias. Agora que ele não tinha alguém para ajudá-lo sem dúvidas que estava afundado em tudo. Até mesmo Herbologia em que ele sabia tudo de cor e salteado por causa dos negócios da família.
O que havia deixado ele preocupado era que na última noite havia recebido uma coruja do professor de Astronomia pedindo para encontrar com ele na manhã seguinte. Acordar cedo em um domingo para conversar com um professor definitivamente não estava nos planos de Richard Shafiq. Entretanto, não era como se ele tivesse alguma escolha. Se ele não aparecesse provavelmente seus pais seriam contactados, e por mais que ele já soubesse da sua fama ele ainda tinha alguma esperança que seu avô algum diria olharia para ele de uma forma diferente. Que em algum dia ele seria o suficiente. O neto que seu avô queria, e não simplesmente alguém que o avô nunca confiaria. O que sempre o deixava louco uma vez que o mesmo achava que Ava era mais sua neta do que ele.
Sem muito o que fazer o garoto encaminhou-se para a reunião. Não havia nada que fizesse Dick não estar mal humorado. Seus olhos estavam pesados, e sem dúvidas ele não era uma pessoa matutina. Nem mesmo Carter poderia ajudá-lo com aquilo. Resmungando e até mesmo pensando em alguns palavrões sobre a aula de Astronomia, ele estava pronto para dizer o quão desnecessário era aquilo para sua formação. Só mudou de ideia quando deparou-se com a sala e não estava vazia. Uma outra colega de seu ano estava lá. Dick tirou sua capa e jogou no assento enquanto arqueava a sobrancelha. Não imaginava que uma garota como Sloane fosse também “delinquente” como ele.
“Mas o que a realeza faz aqui?” Fez uma careta brincando enquanto sentava e colocava os pés na mesa. Dick não tinha modos, e como não havia ninguém para impressionar nem mesmo se esforçava. Sem dúvidas que a presença ao lado foi no mínimo engraçada. Mas só o deixou mais confuso como alguém como a garota acabaria em uma situação como aquela? Por uns momentos ele pode acreditar que nem tudo era tão perfeito como deveria ser. As pessoas eram muito mais do que aparentavam, e ele provavelmente aprenderia aquilo durante aquela tarde.
Beautiful Disaster | Dick&Crystal | Plot Twist
c-kouchner:
Não era estranho para Crystal sentir um frio na barriga no dia de um encontro, ou no anterior a ele. Poderia parecer idiotice, levando em conta todas as decepções que a bruxa havia tido em tão pouco tempo, mas seu lado romântico nunca a havia deixado verdadeiramente, ainda que ela buscasse não se apoiar nele mais do que o necessário, acabava sempre criando expectativas que não se concretizariam e ela era a única a se decepcionar no fim.
Naquele dia em especial, ela havia acordado com um bom pressentimento. Além de ser o último dia de festival e aparentemente o mais animado de todos eles, ela havia combinado de sair com Richard Shafiq. Sabia que isso poderia não agradar muitos, principalmente levando em conta os julgamentos de Bem sobre o outro, mas sinceramente, ela não estava preocupada. Eles eram bons amigos, já haviam ficado e não havia sido ruim de nenhuma maneira. Então por que não tentar? Claro que parte dela ainda estava receosa com isso. Outra parte ainda cogitava a ideia de insistir em Max, mas ele já havia deixado bem claro de que lado estava e o que havia escolhido. E, por mais positiva e insistente que a Kouchner fosse, tinha que reconhecer quando uma pessoa não queria sua ajuda.
Passou o dia conversando com suas colegas de quarto, que também pareciam animadas com o dia que começara, e escrevendo mais algumas páginas de seu mais novo projeto apenas para não perder o ritmo das coisas. Seu despertador tocou indicando que faltavam uma hora para que ela tivesse que ir até o lugar marcado, fazendo a garota guardar tudo às pressas e começar a se arrumar. Por sorte, Crystal nunca fora o tipo de garota que demora duas ou três horas para se arrumar. Nunca teve paciência para tudo aquilo e sempre estava satisfeita com o seu jeito de vestir, então não havia motivo para demorar mais do que 30 minutos.
Olhou por alguns segundo seu reflexo no espelho, apenas para ter certeza de que a calça azul e justa ao corpo que havia escolhido estava combinando com a estampa abstrata e mais clara da blusa que usava. Havia escolhido um sapado com um salto baixo, para que fosse mais confortável e optado por deixar o cabelo castanho solto e um pouco mais ondulado do que de costume, além de uma maquiagem leve, apenas para destacar um pouco seus olhos e lábios. Não era comum vê-la assim pelos corredores de Hogwarts, mas ainda assim não era completamente estranho para Crystal se ver daquela forma na frente do espelho.
Caminhou até o lugar combinado com os passos ritmados, sem muita pressa por ainda ter alguns poucos minutos, guardando a varinha na bolsa lateral bege escura que carregava antes de ver Dick encostado no canto e começar a direcionar os passos até ele. – Meu relógio está atrasado ou você chegou mesmo mais cedo? – Questionou num tom bem humorado, ainda que tivesse certa provocação na brincadeira, abrindo um sorriso simpático em seguida.
Uma parte de Dick sabia que ele estragaria tudo. Ele sempre estragava as coisas boas para ele. Não sabia como Adhara ainda continuava ao seu lado, mas o garoto sabia que ela era a única que no final ficaria ao seu lado, pois eventualmente ele acabaria magoando Crystal, e ele já havia feito um grande dano para Carter. Um dano tão grande que ele nunca imaginaria ser capaz de reparar. Ainda assim, Crystal estava ali pronta para acreditar no melhor do Gryffindor, e algumas vezes por ela, ele também queria acreditar no melhor de si mesmo. Ainda assim toda aquela situação não parecia ser a mais propicia, por mais que ele quisesse sair com Crystal eles não deveriam. Dick gostava da amizade dela, e já havia errado com ela uma vez. A garota deveria ser realmente boa demais para perdoá-lo.
O festival era tudo que ele esperava, e isso porque ele não esperava grande coisa. Nunca esperava muito das pessoas com medo de se decepcionar, mas não tinha como ele estar mais a vontade no local. Possuía música, luzes, comida, jogos e sem dúvida uma grande representação dos fundadores. Todos decidiram usar orgulhosamente as cores de suas casas. Até mesmo formandos estavam ali, se misturando entre os alunos demonstrando como nunca haviam crescido. Dick encarava os rostos, esperando não encontrar sua irmã mais velha entre eles. Ou melhor sua meia-irmã. Richard nem mesmo a considerava como parte de sua família. O mais longe que a mulher estivesse o mais feliz ele ficaria. Não queria que Crystal o visse irritado por conta da presença da mulher. Sua mão estava coçando, e sua garganta estava seca. Produzia pouca saliva e assim os sinais do nervosismos apareciam para o aluno de Godric.
Com suas mãos no bolso o mesmo procurava incansavelmente por algum cigarro, e então retirou o forro e notou que seus cigarros não estavam lá. Provavelmente alguma brincadeira sem graça de Timmy. Seus lábios ansiavam pelo cigarro, mas ainda assim sabia que era para o melhor. Assim Crystal só teria uma visão mais educada dele, e que não cheirava como uma chaminé. Quando a garota apareceu em sua visão, ele sorriu. Era raro a garota aparecer em um encontro tão rápido. Richard estava acostumado a esperar literalmente algumas horas por companhia. Sempre acabava se distraindo com alguns cigarros ou encontrando algum amigo para conversar. A rapidez de Crystal fez com que o garoto exibisse um sorriso enquanto limpava a palma de sua mão que suava em seus jeans.
A menina estava realmente muito bonita, de uma maneira que Richard não conseguiu evitar o sorriso sacana de escapar de seus lábios. A garota chegara cheia de piadas, e então Richard decidiu entrar nos jogos da mesma. Puxou a mão da mesma dando um beijo educado na palma de suas mãos. “Não seria educado deixar uma dama esperando.” Ele sabia como dizer as coisas certas, na hora certa. “Pronta?” Abriu os braços esperando que a mesma se encaixasse nele. Era verdade que ele algumas vezes chegava atrasado, mas ele mesmo já havia esperado horas por alguém. Então ele sabia como se comportar conforme seu encontro. Naquele dia ele só não queria fazer nada de errado para poder impressionar, Crystal.
Com todo o festival a disposição do mesmo o garoto virou seus olhos para a menor. “Antes de fazermos qualquer coisa vamos comprar um doce, pois eu realmente preciso colocar algo doce na boca. Depois podemos ir nos jogos ou ficar ouvindo a banda. O que você prefere?” Aquele realmente era um Richard diferente. Se fosse ele a pouco tempo atrás, ele simplesmente andaria sem avisar nada. Fazendo o que quisesse, e o que fosse agradá-lo. Não pensando nas pessoas ao seu lado. Ele não seria mais aquele cara. Ele disse que mudaria e se esforçaria ao máximo para mudar.

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c-kouchner:
Acho que todos passamos por isso, mais cedo ou mais tarde, né? Mas ficar pensando nisso também não vai ajudar. E não se preocupe, você não vai se livrar assim tão fácil de mim, principalmente em todo esse processo de mudança que eu faço questão de estar por perto.
Eu realmente espero que você não desista de mim como a maioria. Sou um caso de estudo, mas quero ver manter sua palavra até o final. Sem contar que eu que faço questão da sua companhia, e ajuda. Será que essa ajuda se estende para a prova? Poderia sentar na minha frente e levantar o pergaminho para ajudar o amigo.
Eu tinha tentando driblar o feitiço anti-cola da pena, e a tinta explodiu no meu rosto. Basicamente estou perdido.
[Flashback] Nobody said it was easy | Ava & Richard | December 77
shafiqss:
“You don’t get to call me brother”. Ava sorriu, aquele sorriso torto e irônico que parecia mostrar que ela era inatingível e que não se importava com a forma grosseira que era tratada mas que, na verdade, escondia a raiva que flamejou em suas veias ao ouvir a resposta brusca de Richard. Era sempre assim, ele a tratava de forma esquiva e arisca e ela sempre o importunava ainda mais, fosse por mágoa ou vingança, e os dois seguiam naquele ciclo vicioso por anos. Tanto tempo e ela ainda não sabia exatamente o motivo de tanta raiva. Pensou em retrucar, em falar algo igualmente arisco e rabugento, mas preferiu apenas sorrir e levar sua dose de firewhiskey aos lábios, deixando que o líquido cor de âmbar lavasse o gosto amargo que a resposta de Richie deixou. “Ah, é verdade, eu quase esqueci que você é sempre mau humorado. Você é assim todos os dias? Is it pms or something? Me pergunto como os seus amigos te aturam, mas acho que esse tratamento especial é reservado apenas a mim, não é, little brother? Estou lisonjeada, de verdade.” Objetou, dando de ombros e ainda segurando o copo com sua bebida no ar, tomando mais alguns goles e deixando o meio sorriso se esconder atrás do vidro.
“Nós não estamos em Hogwarts, Richie. Esta é Hogsmeade. Vocês alunos de Hogwarts agora acham que o vilarejo é o quintal de vocês? Na minha época as coisas não eram assim. Há vida comercial aqui, restaurantes, pubs, estalagens, lojas. Você acha que os moradores desse pacato vilarejo vivem exclusivamente para quando os alunos do castelo visitam a cidade? E o que eles fazem quando vocês estão em aulas, huh?” Shafiq sabia que não precisava ser tão incisiva em sua explicação e seus comentários, mas nem ao menos pensou duas vezes antes de sair despejando palavras atrás da outra, nuances de frieza em sua voz. Gostava de Hogsmade. Além das boas lembranças que o vilarejo lhe trazia, ainda era um costume entre ela, seus amigos e seus colegas de trabalho de beberem em pubs da cidadela quando tinham uma folga. “Besides, I’m on my day off and I can drink wherever the bloody hell I want.” Acrescentou, dando de ombros antes de virar o que restava do firewhiskey e erguer o copo de vidro vazio no ar, um gesto que sinalizava ao garçom que desejava um refil. “And since it’s Chritmas and I’m overjoyed with the merry spirit of this time of year, I’m going to ask you an honest question, little brother.” Ava anunciou, ajeitando-se em sua cadeira para apoiar os cotovelos na superfície de madeira da mesa, esperando o simpático bruxo encher seu copo com uma segunda dose de firewhiskey antes de continuar. “What is your problem with me? Really?” A pergunta foi feita com uma expressão séria. Não havia sarcasmo ou tom maldoso em sua voz, muito menos o ar mordaz que usualmente carregava sempre que se dirigia a Richard. Ao invés disso, havia apenas simples e honesta curiosidade em saber a resposta de algo que ela nunca realmente havia perguntado a ele em todos aqueles anos.
Tudo que Richard menos queria naquele natal é ter que passar todo o feriado com Ava. Se ele tivesse que escolher sua companhia a irmã não entraria nem em ultimo lugar. Ele realmente esperava passar sozinho durante todo aquele dia. Natal era um feriado familiar, e tirando Ada era complicado para Dick sentir aquele tipo de harmonia na casa de seu avô. Ainda mais quando o mesmo não possuía um pingo de confiança no jovem aluno da Gryffindor. Se ele ao menos demonstrasse o interesse em Ada ao invés de Ava, Richard poderia aceitar, mas querer colocar tudo nas mãos de alguém que para Dick nem mesmo fazia parte de sua família era algo que ele nunca aceitaria. Por isso ele estava ali fugindo de sua irmã mais nova, pois sabia que a mesma não merecia pegá-lo de mau humor. Torcia para que a mesma estivesse tendo mais sorte do que ele durante o feriado e que estivesse aproveitando. Aquele não era um bom ano para ele. Lembrava-se do Natal passado e como Carter fizera com que ele sentisse alguma coisa. A forma como ela cuidava dele, e fazia tudo para vê-lo sorrir. Não ter ela para alegrar seu dia de Natal fazia com que todo o Natal perdesse graça. E no final a culpa era sua. Como de todas as coisas ao seu redor que davam errado. “A forma como meus amigos me tratam não é da sua conta. Nisso você está certa. Somente você merece todo o meu afeto.” Um sorriso forçado apareceu em seu rosto que poderia ser parecido como algo zombeteiro. Richard não possuía minima vontade de se esforçar para tentar tratar Ava de uma maneira descente.
Apenas revirou os olhos com todo o discurso da meia-irmã quanto aos moradores e trabalhadores de Hogsmead. “Não é quanto aos moradores que falo e sim sobre aqueles que decididamente escolhem não superar Hogwarts e reviver seus grandes e únicos momentos voltando aqui por se recusarem a ser adultos. Por algum acaso o sentimento é familiar, por isso continua voltando aqui?” Novamente ele não tinha como falar o que pensava sem magoar a mulher ao seu lado, e propositalmente ele estava fazendo aquilo para feri-la. Ele não gostava da forma como Ava mesmo com todos os esforços que ele tinha para expulsá-la de perto de si continuava a tentar arrancar alguma emoção dele. Naquele dia ela não ganharia nada. Richard estava sem nada. Nem mesmo Ada poderia fazê-lo sentir-se um pouco especial. Todos os feriados que o remetiam a família o deixavam naquele animo. Por um tempo ele chegava a considerar que Carter era sua família, e também usa casa. Ele havia destruído aquilo. Ele era destrutivo para as pessoas que amava por isso não poderia continuar com toda aquela conversa. Somente faria as coisas ficarem piores, mas Ava tivera que perguntar. Dick não tinha medo algum em falar o que passava por sua mente. “Meu problema é que você realmente não deveria estar aqui. Aposto que vovô está chorando por não ter você na mesa aproveitando sua incrível companhia, afinal, quem é Richard Shafiq. O filho legitimo que sempre tentou fazer de tudo para impressioná-lo quando uma bastarda que a mãe nem mesmo queria fazer parte da família está perto? Não sei que tipo de feitiço jogou nele. Ou o porquê dele confiar tanto em você, mas sua mãe não quis fazer parte da nossa família e ainda assim você usa o sobrenome como se fosse algum titulo ao mérito. Sua mãe decidiu largar meu pai, e depois ainda querem dar tudo a você de mão beijada. Então sim, eu tenho meus motivos para te tratar desse jeito e todo o seu bom humor e tentativas de se aproximar não darão em nada. Já que no fim do dia quem voltara para alegrar meu avô será você, independente dos meus esforços para ser o homem que ele quer que eu seja.” Encarou Ava, e então pagou por sua bebida. Não sabia se a mulher o seguiria, mas o calor daquele local não era algo que ele estava gostando. Preferia sentir o vento cortando suas bocejas e acalmando seus ânimos do que ter que encarar mais uma vez a mulher que estava ao seu lado.
You're way too young to be broken. You're way too young to fall apart. | Dick&Carter | Pós-PT
not-a-princess-fortescue:
Carter Fortescue nunca teve um comportamento que pudesse ser considerado depressivo ou suicida. Mesmo enquanto crescia sendo criada por um pai que já perdera a crença na vida, ela sempre acreditara que existia algo que ainda valesse a pena. Fora essa crença avassaladora, – que ninguém sabia exatamente de onde vinha, principalmente em se tratando de uma garota tão nova – a alegria natural da menina – um possível legado de Eleonora, segundo sua tia Letizia – e uma grande ajuda dos conselhos de seu primo Matthew – que sempre esteve ao seu lado quando ela sentia que não iria mais aguentar – que ajudara Stephen a dar a volta por cima e voltar a ser o homem que era antes da morte de sua esposa, e Carter se orgulhava todos os dias de sua participação nessa reviravolta. Também foram essas características que a levaram a fazer o que fizera por Selina, tentando ajudá-la a mostrar que havia sim motivos para ser feliz nesse mundo, por mais complicado e sem esperanças que ele aparentasse ser. E é claro, foram todas essas esperanças que a fizeram ver o melhor em Richard. Sabia da fama do rapaz, e não negava sua própria culpa em se meter com alguém que no fundo de sua consciência, lá naquele lado sensato e racional de sua mente que ela constantemente preferia ignorar e ouvir seu coração insensato e inconsequente, ela sabia que viria a magoá-la. Acreditava nele, acreditava que dentro daquele rapaz frequentemente subestimado e sempre comentado nas más línguas de Hogwarts batia um coração capaz de amar. Fizera de tudo para tentar ajudá-lo a melhorar, alcançar o melhor de si que estava guardado em algum lugar ali dentro. E por um tempo ela sentira que estava conseguindo alcançar seu objetivo, e nada poderia tê-la feito mais feliz do que aquilo. É claro, ela não fazia aquilo apenas pela sensação de vitória ao ver que ele recebia uma boa nota em algum trabalho que ela o ajudara, mas também porque o amava. Aquilo era o que Carter Fortescue era, alguém que, além de acreditar sempre no melhor que as pessoas podiam oferecer, ela sempre acreditava no melhor que o mundo podia oferecer. Sempre se orgulhara de dizer que acreditava sim no amor, em finais felizes, no lado bom da vida e que ela valia a pena ser vivida.
Mas então, por que naquele momento ela desejava ter morrido no ataque?
Ela sabia estar sendo idiota. Era apenas uma consequêcia do dia longo e cansativo que tivera. Da dor que sentia no corpo e principalmente na cabeça, na região da têmpora, que latejava de forma incessante. Da presença de Richard tão próximo de si. Do tremor no corpo que chacoalhava seus ossos doloridos. Da preocupação com seus outros amigos que também estavam no festival e que ela não tinha ideia de como estavam após o ataque. Da respiração de Richard chacoalhando alguns fios de seu cabelo. Do sentimento de que cometera um grande erro ao tentar salvar alguém que não dava a mínima para ela. Da sensação do chão abrindo sobre seus pés ao perceber que ela não nascera para ser o que ela sempre sonhara em ser. Do calor do corpo de Richard alcançando seu corpo… Tudo aquilo, somado ao fato de que ela não tinha ideia do quanto aquele ataque a afetara. Sabia que seus pensamentos estavam perfeitamente lúcidos, mas e se estivesse enganada? E se todo aquele sentimento ruim fora uma consequência da maldição que a atingira e ela nunca mais conseguisse formar um pensamento coerente e otimista como sempre fizera? Pior, e se ela fosse morrer lentamente de morte cerebral por culpa daquela maldição, que provavelmente ainda estava atracada com seu organismo, consumindo-o a cada segundo que passavam ali sem fazer nada? E as consequências físicas? Será que ela era capaz de mover suas pernas? Sim, era, elas foram bastante úteis na hora de se afastar de Richard. Mas mesmo assim, ela ainda tinha a sensação de que não seria tão sortuda a ponto de sair totalmente ilesa daquele ataque, ninguém recebia uma maldição como aquela e escapava sem nenhuma consequência. Maldita Selina, pensou o lado amargo de sua mente, mas com um sobressalto de surpresa ela percebia que não se arrependia de tê-la salvado. Pior, faria de novo se tivesse chances. Porque era aquilo o que Carter Fortescue fazia, ela ajudava as pessoas, por menos que elas quisessem ser ajudadas. Ela sempre acreditava no melhor, no lado bom das coisas e das pessoas.
E era daquela forma que ela sabia que aqueles pensamentos suicidas não eram seus.
Em meio ao acesso de tosses, ela o olhou com raiva. – V-você não est… – mas não conseguiu terminar a frase, pois logo ele levava o copo à sua boca. Sentir a mão de Richard tão próxima de seu rosto e de seus lábios trouxe de volta novamente a sensação de que seus nervos se transformavam em cabos elétricos, e ela temeu que acabasse explodindo do tanto de energia que passava por seu corpo. Como ela pudera algum dia acreditar que deixaria de se sentir daquela forma? Como pudera ser tão burra ao ponto de achar que poderia se apaixonar de verdade por Caleb, Linus ou até mesmo por Owen? She always loved Richard Shafiq, even when he was a total Dick with everyone. Aquilo era algo do qual não podia fugir, apenas se conformar que não havia nada a ser feito para mudar. Mas é claro que não podia esperar pelo seu próximo movimento, após devolver o copo novamente à mesa de cabeceira. Ao perceber o que ele estava fazendo, o coração da menina se acelerou a tal ponto que ela achou que podia estar tendo um ataque cardíaco. Sabia que seus olhos estavam tão arregalados que aparentariam estar saltando das órbitas, mas ela não conseguiu pensar em formular sua expressão cínica para esconder a surpresa. Na verdade, nem mesmo estava preocupada em fazê-lo. Nada mais importava além do fato de que ele estava ali, tão próximo que dessa vez ela definitivamente sentia o calor do corpo do rapaz irradiar, deixando-a com calor, até mesmo ligeiramente febril. Ele estava tão próximo que podia sentir seu cheiro. Não o cheiro de fritura, algodão doce e poeira que caracterizava alguém que com certeza estivera no festival, mas mais que isso, o cheiro dele por debaixo disso tudo. Algo que misturava canela, hortelã e cigarro. Um cheiro que até aquele momento ela não percebera o quanto sentia falta. Ela sentia falta de Richard a tal ponto que seu coração doía, como se houvesse um enorme buraco negro ali. E aquela proximidade não ajudava. Ela sentiu as lágrimas chegando antes que pudesse evitá-las. Carter estava tão cansada. Não apenas cansada de tudo o que acontecera naquele dia que parecia que nunca acabava, mas também cansada de tentar se convencer que não o amava mais, cansada de afastá-lo, cansada de sempre ser sensata ao se manter distante o máximo que podia. Ela não queria mais mentir para si mesma, não queria mais ser sensata, não queria mais ficar distante, e mesmo sabendo que mais tarde se arrependeria e que – depois que o perigo houvesse passado e ela pudesse finalmente voltar para a torre da Grifinória – ele voltaria a se afastar dela como já fizera antes, ela resolveu que naquele momento fingiria que estava tudo bem, que eles estavam bem, que ele realmente iria cuidar dela como prometia. Naquele momento, e apenas nele, Carter resolveu acreditar nisso. Por isso afundou o rosto no peito de Richard e deixou que todo o seu cansaço saísse na forma das lágrimas que ela segurava a tanto tempo. – Eu estou tão cansada… – verbalizou o que não saía dos seus pensamentos a meses, mas não sabia se ele entenderia o que ela queria dizer ou se acharia que ela estava falando de cansaço físico. Ou se apenas acharia que era uma consequência do ataque. Ela não fazia ideia. Naquele momento tudo o que ela conseguia fazer era chorar contra o peito de Richard, sentindo aquele cheiro que ela reconheceria em qualquer lugar do mundo. Porque naquele momento, ela podia apenas fingir.
Uma das coisas que o Shafiq nunca escondera de ninguém era o desprezo que possuía por conta de sua família. Provavelmente, se alguém fosse analisá-lo tirariam a possível conclusão que por ter tantos problemas em casa o garoto decidira portar-se desse jeito para tentar atrair a atenção dos mesmos. Porém se observassem Ada, irmã de Dick, a teoria não se confirmaria. Mesmo Dick considerando a mais nova, a única exceção as bizarrices que considerava sua família. Aquela sensação de conforto e apego somente eram sentidas quando se estava na presença da menor. Durante muito tempo Richard começou a acreditar que somente com ela sentiria aquilo, e então conheceu Carter. Por mais clichê que pudesse soar o conforto e tranquilidade que a mesma passava para o garoto fizeram de Dick uma outra pessoa. Ele queria ser uma pessoa melhor por ela, o tanto que ela o mudava fazia com que Richard se assustasse tão forte a ponto de cometer um erro. Um pequeno erro de a afastá-la. Não sabia lidar com isso uma vez que tudo que ele gostava se virava quanto a ele. Seus sentimentos por Carter eram tão confusos, e ele havia jogado tudo janela abaixo. Novamente ele havia destruído algo que amava. Provavelmente, a única pessoa que estava segura das ações do mesmo era Adhara. O problema era que ele não sabia lidar com o peso de suas próprias ações. Se ele pensava que deixar Carter ir era o melhor para ela, vê-la com outros caras certamente o deixava louco. A ponto de até mesmo cometer algumas besteiras e procurar brigas. O que trazia somente mais raiva da parte dele. Se todos achavam que ele era uma péssima pessoa antes de conhecer Carter, certamente após eles terminarem ele só havia piorado. Tudo ao seu redor demonstrava isso. Suas notas somente pioraram, enquanto seus vícios aumentavam. Até mesmo o afastamento com mais algumas pessoas fizeram com que Richard realmente chegasse ao fundo do poço. Não era como se ele esperasse que algo positivo saísse de tudo aquilo. Esconder-se por detrás de seus problemas e suas fraquezas tornou-se suas armas, e até um ponto estava dando certo. Era fácil fugir dos problemas. Não ter que lidar com eles, ou apenas usar a raiva ou outros meios para resolver. No final do dia, ele era apenas uma bagunça.
Depois de poucos meses Richard sabia que não poderia continuar no fundo do poço se quisesse impressionar seu avô. Ele precisava ser um homem melhor, e para isso a presença de Carter era inevitável. Porém a mesma nunca mais daria uma segunda chance para ele. Ele havia quebrado o coração dela. Até mesmo ele tinha noção da bagunça que fizera e que não seria tão simples resolver toda aquela situação. A pessoa que o ajudara então fora Crystal. Por mais que conforme passasse mais tempo com a menina, mais ódio recebia de Carter a presença da outra aluna da Gryffindor era uma boa influência para o Shafiq. Que começara a estudar e se esforçar para realmente ser alguém digno. Claro, Richard não era perfeito. Longe disso, sempre acabava cometendo erros, mas agora ele era consciente de quem queria ser. Ele sabia que se continuasse a agir daquela forma seria exatamente o menino que seu avô recusava-se a acreditar. Richard tinha de provar para ele que não era aquilo que ele pensava. Que poderia ser um aluno responsável, e assim um bom empregado. Ele queria ser o sucessor de seu avô, independente da escolha que o mesmo já havia feito com Ava. Ele provaria ser melhor do que ela em qualquer jeito que seu avô pedisse. Para isso ele deveria demonstrar sua real determinação e as poucas mudanças que estava fazendo todos os dias não eram suficientes. Precisava mais do que isso. Precisava ser o melhor. Porém a única vez que sentira-se invencível era quase tinha Carter ao seu lado. Por mais que a presença de Crystal fosse uma boa influência ela ainda não conseguia exigir o lado bom, e o máximo de Dick como a outra. Porém era somente aquilo que ele conseguia lidar. Crystal realmente estava sendo uma boa amiga, e por isso resolveu que como não teria Carter começaria a tratar muito melhor a menina. A final, ela havia perdoado ele por ter sido um idiota e ficado com ela só para afastar Carter. Se Crystal conseguiu perdoá-lo, então ela era realmente uma garota especial. Richard queria mostrar isso para ela, impressionando-a de todas as formas possíveis. Assim como ela sempre acabava impressionando ele de toda forma. Infelizmente, Dick estava começando a ver Crystal apenas como uma irmã que ele gostava de proteger. O que fazia com que ele sentisse ainda pior com toda a situação.
Por mais que muitos tentassem alertar ou pelo menos situar Richard de que sua relação com Carter havia acabado, ele nunca desistiria. Ele sempre teve aquela pequena linha de esperança dentro dele. Não havia nenhuma outra pessoa que o fazia ser uma pessoa melhor ou conseguia fazer com que ele realmente sentisse as coisas. Carter era a pessoa que conseguia trazer a humanidade de volta para Richard. Somente ela conseguia mexer em algo dentro dele que fazia com que ele repensasse em todas as suas ações, e mesmo que Richard não orgulhasse do homem que era. Ele estava tentando fazer o certo daquela vez. Ele estava tentando mudar. Ele queria ser um homem melhor para ela. Provar não somente para ela, mas para seu avô. O problema era que ele ainda possuía fraquezas, e o atalho sempre pareceu uma saída muito mais fácil. Ainda mais quando ele tinha o que sempre desejou bem a sua frente. Era impossível se segurar com Carter tão perto de si. A cena em si pareceu como uma surpresa para o aluno da Gryffindor. Uma vez que Carter estava sempre pronta para fugir de seus braços ou reclamar de seus atos. Ele não sabia o que seria deles amanhã, mas ele era grato por aquele momento. Toda vez que ele imaginava-se com a menina novamente era aquela cena repetindo diversas vezes em sua mente, e por mais que a tentação de beijá-la fosse muito maior. Ele sabia que não podia fazer isso. Aquele não era o momento para conquistá-la. Deveria confortá-la, e fazê-la com que se acalmasse. Ele nunca mereceria ela, mas parecia que ele não era o único que havia desistido de lutar durante aquele dia. Carter ajeitou-se nele. Facilitando o caminho de Dick para os cabelos da menina. Podendo abraçar a lateral do corpo da menina. Jogando-a contra seu peito e apoiando seu queixo na cabeça da mesma. Era torturante para ele saber o quão machucada ela estava. Machucada o suficiente para até mesmo perdoá-lo. Se ele ao menos desconfiasse de alguém que tivesse feito isso a ela seria alguém morto. Richard não tinha paciência alguma para lidar com esse tipo de coisa, pois ele colocaria tudo a perder se fosse para ter Carter segura ao seu lado. Deixou ela descansar ali, enquanto usava seus dedos para massagear o cabelo da mesma fazendo pequenos círculos. Com cuidado para não machucá-la levantou um pouco o queixo dela. Sabia que não poderia abusar de sua sorte. “Você pode descansar. Vou ficar aqui o tempo que quiser. Não precisa se preocupar com mais nada.” Ele daria conforto a ela até que ela mandasse ele embora. Não ligava para o que a enfermeira pudesse dizer. Ela tinha alunos para cuidar, e Dick estava ali somente para poder cuidar dela. “Você é minha prioridade. Deveria saber disso.” Ao invés de fazer algo para afastar a garota como beijá-la a forçando para uma situação que a mesma pudesse ficar com raiva dele. Dick contentou-se apenas em dar um beijo na testa da mesma. Enquanto a enrolava em seus dois braços. Ele nunca a mereceria. Nem em um milhão de anos. Ele precisava dela de uma maneira que nem saberia como explicar. Não a assustaria falando o quanto a amava, pois ela não precisava ouvir aquilo naquele momento, mas Dick tinha a impressão que era desnecessário. Carter deveria saber o quanto ele a amava. Não havia como alguém não saber.
Beautiful Disaster | Dick&Crystal | Plot Twist
Poderia ser idiotice da parte do menino, e bom Richard sempre fora um pouco infantil em suas ações, mas ver que Carter estava tão bem assim sem ele o deixava um pouco enciumado e bom, ele sabia que não importava ele poderia sair com inúmeras garotas, mas sua mente só tinha espaço para uma. Era até um pouco injusto pelo fato do mesmo sempre acabar saindo com várias garotas, mas Richard não conseguia evitar. Ele amava Carter, mas também amava sua liberdade. A garota havia deixado explicitamente claro que não gostaria de ter nada com ele, e Richard nunca foi do tipo que lutava por alguém. Sem contar que ele estava ficando irritado com a forma que se importava tanto com aquilo, e estava agora somente querendo algo que o pudesse distraí-lo, ele estava pronto para superá-la, ou pelo menos queria estar. Sua convivência com Crystal o fizera acreditar que ele poderia mudar. Que poderia se transformar em uma pessoa diferente. Um homem muito melhor que ele sequer imaginaria.
O festival como havia pensado era uma ótima oportunidade para primeiros encontros. Novos começos. Já havia levado sua irmã e acabara se divertindo muito, então porquê não? O último dia do festival chegara assim como o dia que havia combinado com Crystal de saírem. Ele não estava nem um pouco nervoso. Aquela situação não trazia nervosismo ou qualquer tipo de reação daquele tipo. Ele simplesmente ficara em seu quarto jogando conversa fora com Timmy até a hora de sair. Não era do tipo egocêntrico que ficava muito tempo se encarando no espelho, apesar de sempre gostar do que via refletido. Richard era muito seguro de si, talvez seguro até demais. Razão para qual havia virado piada em seu dormitório. De toda forma era bom ser livre ali, pegou um cigarro e ofereceu para o amigo.Com o mesmo relaxara um pouco mais pensou em pegar alguma planta especial que havia contrabandeado da última vez que estivera nas plantações de seu avô. O avô agora parecia mais preocupado com Ava do que com ele, então Richard nem mesmo se importava em fazer coisas daquele gênero.
Olhou no relógio e viu que já estava na hora. Era engraçado, mas Richard queria que aquilo funcionasse. Queria poder livrar sua mente da outra garota, mas de toda forma não tinha muitas escolhas. Pulou da cama e dirigiu-se até o local combinado. Ao chegar lá percebeu que havia chegado primeiro, essa era uma novidade, uma vez que sempre se atrasava por não colocar prioridade para seus encontros. Encostou-se em uma parede perto da entrada enquanto esperava que Crystal passasse para poderem começar a fazer alguma atividade legal no grande festival.
caradbanana:
➳ character aesthetic: Richard Shafiq.

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c-kouchner:
Ah não, Dick, deve ter algo que você goste e queira fazer. Você não precisa se prender tanto nisso, sério. Mas, hey, você não vai desanimar agora, vai? Não vou pra lugar nenhum com você com essa cara.
Eu só gostava de uma pessoa, e ainda estraguei isso. Então, até eu encontrar um novo alguém ou algo que eu goste deve levar um tempo. Capaz de eu nem conseguir achar, a não ser que queria dar uma mãozinha. Você poderia me animar um pouco dizendo que vai fazer minha dupla na próxima aula.
not-a-princess-fortescue:
Velhos hábitos nunca morrem. Tudo bem, desfiz o olhar, o que você quer?
Nada. Eu só estava olhando gosto de te observar, Carter.
Sabe até fazendo meu dever eu estou pode perguntar para o Enzo.