lost in a big city. (diana/noah)
Sabia que havia entregado o jogo no momento que viu a expressão dela mudar. Damn it, ele e sua língua grande acidental. Aquele era o exato motivo pelo qual vivia se mudando com tanta frequência – não podia confiar em si mesmo para guardar a porra de um segredo que seria capaz de arruinar sua vida em uma fração de segundo. A verdade era que, por mais durão que se fizesse parecer, Noah tinha um fraco por pessoas que lhe pareciam vulneráveis, porque nelas via algo parecido com o menino remelento de 10 anos largado no mundo que um dia fora. Acabava por se abrir – ou chegar tão perto disso quanto o possível para alguém como ele – sem nem se dar conta.
A própria estupidez por vezes era suficiente para enchê-lo de raiva. Flagrou-se segurando o copo que tinha diante de si com certa firmeza, mas impediu a si mesmo de estourar o vidro com força bruta no último minuto. Olhou para a própria mão com certo estranhamento, quase como se aquela parte do corpo pertencesse a outra pessoa que não ele. Vinha melhorando nos últimos tempos quando o assunto era controlar os próprios impulsos mas, ainda assim, estava longe de ter a auto-confiança necessária para não se considerar uma ameaça para todos os que estavam ao seu redor. Quase como se fechasse as cortinas para esconder o céu nublado, afastou prontamente os pensamentos tempestuosos, focando nas palavras arremessadas em sua direção. Fisgou seu maço de cigarros no bolso interno da jaqueta, pousando-o diante de si quase como se pesasse a decisão de fumar ou não. A verdade era que vinha tentando se livrar do vício, mas ocasiões como aquela o tornavam extremamente difícil. Invés de tentar se convencer que seria “só um trago”, optou por se entreter com o isqueiro. Era de design cromado e simples, mas tinha uma profunda marca de arranhão que certamente não havia sido causada por unhas humanas. O acendeu em um breve movimento, deixando que a chama consumisse seu gás por um par de segundos antes de o fechar e afastar de si. “Sou um tigre de bengala. Minha forma não é exatamente lucrativa ou fácil de camuflar entre a multidão, mas você poderia chamá-la de ágil.” Pontuou a declaração com um sorriso sarcástico, tamborilando os dedos contra o balcão quase como se quisesse uma garantia constante de que as garras não estavam aparentes. “Você fuma?” Perguntou no que era para ser uma oferta.
Foi a segunda parte da breve declaração da garota que mais o interessou, por se apresentar na forma de uma oportunidade de negócios. Noah vivia mudando de cidade e de identidade. Havia se tornado particularmente bom em reproduzir a papelada padrão oferecida pelos cartórios. “What a coincidence. I happen to be in the business of forging documents. If you can pay for it, that is.” Virando-se para encará-la finalmente, estendeu-lhe a mão em um cumprimento. “I’m Richard. Richard Parker.”
Por vezes, em toda aquela história de shapeshifter, Diana sentia que definitivamente tinha saído prejudicada. Claro que um doberman era uma figura imponente por entre humanos e ela tinha sido inteligente o suficiente para arrumar um jeito de lucrar com sua pequena mudança, mas entre outras criaturas se sentia um pouco... Inútil. Um tigre teria duas vezes o seu tamanho e, provavelmente, se Richard fosse alguma indicação disso duas vezes a sua força. Ela já tinha tido seus encontros com outras criaturas sobrenaturais e o único motivo pelo qual estava ali para contar a história era porque tinha tido o elemento surpresa do seu lado. Ninguém espera que uma garotinha fofinha e pequena, do nada, se transforme num cachorro e tente arrancar seu braço para fora. Provavelmente, o vampiro ainda estava procurando por ela para acabar seu serviço. Mas detalhes.
Abanou a cabeça de imediato com a oferta. — Não. — Respondeu de imediato, quase que involuntariamente, apertando mais seu casaco para si. Cigarros lhe traziam péssimas memórias. Humanos tinham o péssimo hábito de maltratar os animais que não respeitavam e ela tinha as marcas em seu corpo para o provar. Apesar de shapeshifters terem a pele mais resistente, a pressão suficiente acabava por deixar marcas, especialmente por ela ainda não ter se desenvolvido completamente. Era uma daquelas coisas que a fazia a sentir mais confortável como animal do que como humana. Pelo menos, quando o pêlo cobria sua pele, não havia aquelas marcas feias em todo seu corpo. A informação que lhe foi oferecida de seguida a deixou completamente surpresa. Podia dizer que era destino, mas não era tão romântica assim. Especialmente, com a forma que ele acabou sua frase. Era por isso que não se deixava ter esperança de nada. Todo mundo queria alguma coisa em troca, sem exceções. Não se surpreenderia se ainda tivesse de acabar lavando louça para pagar aquela porra daquele copo de leite.
— Do I look like I can pay you? — Foi sua resposta automática, revirando os olhos e murmurando asshole por entre seus dentes, voltando sua atenção para o copo de leite quente. — Sorry to burst your bubble but I barely have enough money to eat most days. I'll keep you in mind when I win the lottery though. — Acabou com seu leite, aliviada por, pelo menos, se sentir um pouco melhor. Agora só tinha de esperar que sua roupa secasse e quem sabe podia tentar seduzir algum babaca do bar e acabar a noite roubando seu dinheiro. — And a bengal tiger is totally profitable. You would do a shitload of money with a fake circus show. Humans are suspicious but circus were always shady so I doubt they would give a fuck. Trust me, I travelled with one for a while. — Aparentemente, truques com cachorros também eram populares, mas o jeito que tratavam os outros e a si mesma fora um pouco demais para que ela conseguisse aguentar.













