Monsters under your bed
melsgray:
❝ —– O pincel deslizava sobre a tela e a cor vermelha manchava a pintura, derramando as gotas exatamente onde ela gostaria. Todas as pinturas da Gray eram perfeitamente calculadas e caso alguma saísse um pouco do que havia em sua mente, bem, era ateada ao fogo. O corpo estava inclinado de modo sutil para frente, visando obter uma melhor visão do que fazia. Concentrava toda a sua atenção na tela que pintava, porém, um grito a puxou do transe de modo quase brutal, fazendo sua mão tremer levemente e borrando alguns centímetros. Era o grito de Lysander, a pessoa com quem dividia sua casa. Como se já não bastasse, momentos depois ele retornou a gritá-la. Melanie fechou os olhos por alguns segundos, contando mentalmente até dez para soltar um suspiro anasalado e forçar um sorriso. “Calm down, sweetheart, you can’t kill him, it’s not what normal people do.” Repetiu baixinho para si mesma, abrindo as orbes claras e azuis e arrumando sua postura. Fincou a ponta oposta do pincel contra a tela, furando o material enquanto a tinta vermelha pingava lentamente em seus dedos. “Incendio.” O sussurro foi seguido pelo puxar do objeto em mãos, observando enquanto o quadro se desfazia perante seus olhos. Não demorou muito para que a obra fosse destruída, o que era irônico visto que demorara a tarde inteira fazendo aquilo. De qualquer modo, Melanie apreciava o quão mais fácil e rápido era destruir a beleza nas coisas. Colocando o pincel de volta no lugar e limpando o aglomerado de tinta de seus dedos, levantou-se, caminhando até a porta, a mesma abrindo-se antes mesmo que a Gray tocasse nela. Já estava ficando particularmente boa em feitiços não verbais e, principalmente, em não necessitar tanto do uso de sua varinha. Assim que colocou ambos os pés para fora de seu cômodo a porta bateu atrás de si, trancando imediatamente enquanto Melanie encarava a deplorável cena em sua frente. “Radagast.” A mera palavra não fora dita numa altura grande ou com qualquer emoção, mas fora mais que o suficiente para que a coruja tomasse voo para longe de amora e pousasse no braço erguido da dona. “That poor little thing attacked you, love?” Questionou, passando os dedos da mão livre pela penugem branca como a neve que a coruja tinha. Aproximou-se do sofá, sentando alguns bons centímetros de distancia de seu companheiro de casa. Vez ou outra se questionava por que diabos deixara um não apenas Scamander, mas Lovegood. Todavia, a presença próxima de uma pessoa que os outros costumavam gostar era ainda mais perfeita para que seu disfarce desse certo. “Cuidado com o que diz perto dele, Lys, o Rad sabe ser mais rancoroso do que eu.” Encarou o mais novo com um largo sorriso no rosto, soltando uma risadinha baixa e sinalizando para que a coruja voasse de volta para o quarto. “E então, o que anda aprontando?❞
Amora estava claramente nervosa e amedrontada com a situação, escondia-se dentro do moletom do loiro, que tentava protegê-la, Radagast no entanto também parecia agitado e muito irritado. Com certeza teria estraçalhado Amora se ela não tivesse corrido e buscado abrigo em Lysander. Ele não sabia o que estava se passando, quem havia começado ou o que, só sabia que a única pessoa que poderia controlar aquele bicho era Melanie. Porém, quando a morena apareceu, apenas chamando a ave que logo voou até ela, o Scamander revirou os olhos, deixando os braços caírem ao lado do corpo de forma um tanto quanto dramática e audível. —— Olha, você vai me desculpar, mas essa ave tentou comer a Amora, ou matar, eu sei lá. Não sei se a culpa foi dela, se foi ela quem o incomodou ou ao contrário, mas ele não pode fazer isso. - Ele exalou o ar para fora de seus pulmões, e então voltou a se sentar no sofá.
Lysander olhou para Melanie um tanto quanto incrédulo. A coruja dela quase matara seu bicho de estimação e a morena estava toda calma, sorridente? Ela tinha algum tipo de problema? Era imune aos sentimentos alheios? Ele revirou os olhos com a pergunta dela, sentindo-se indignado. —— Eu aprontando? Melanie, sua ave estava não eu. - Ele bufou irritado, e então voltou a se aninhar no sofá. Estava mais irritado por ter sido acordado daquela forma, do que pelo que realmente havia acontecido.












