deutscheidi·:
Ela andava próximo ao seu futuro marido, o sorriso ostentado mesmo quando de costas para as câmeras, para não correr o risco de terem uma foto sequer de seu semblante irritado. As mãos faziam uma carícia dissimulada (embora ainda muito boa, ela sempre soubera dar os melhores carinhos), e ambos pareciam o perfeito casal para qualquer um que olhasse sem muita atenção. O que foi mudando conforme as câmeras iam ficando para trás, e os guardas davam uma breve distância para que eles se movimentassem com um pouco mais de liberdade. “Eu odeio esses sapatos.” o murmúrio em alemão veio baixinho, mais pra ela que para ele, e parecia que ambos concordavam o quanto era irritante o atraso provocado pela suas vestes. Sua pergunta fez com que ela quase arregalasse seus olhos. Será que ele saberia algo? Tinha, obviamente, se encantado por uma das pessoas que lhe servia no avião, e claro que não deixara de aproveitar. Não, impossível, não estava em lugar nenhum. Ela riu baixo com a memória, bem, porque foda-se e fazer o quê se ele lembrasse. “Razoavelmente. Nada de inusitado.” tinham ficado não mais que alguns segundos em silêncio depois de sua fala, e já se encontravam no quarto da princesa. Esperou que os guardas ficassem do lado de fora e entrou, fechando a porta atrás de si assim que Salih estava acomodado no interior da habitação. Ah, e foi só aquele ato de fechar a porta e toda sua postura mudou. Ela respirou fundo, tirando seus saltos e dando as costas para o homem. “Pode soltar o vestido? Foi uma péssima escolha, mas aparentemente eu não queria usar nada hoje, tudo me deixou extremamente desconfortável…” ela fez uma pausa, enquanto esperava o toque do rapaz para desfazer as amarrações do tecido delicado. “Salih, eu posso confiar em você? A conversa que vou ter com você. Preciso que fique entre nós.”
Os olhos em si perfuravam, mas nada que se comparasse ao brilho óbvio das câmeras. A liberdade em que tinha se enfiado, na ilusória esperança de passar despercebido, morrendo conforme carregava adiante o ato que... A cada passo... Parecia mais difícil de sustentar. O susto inicial dava lugar para algo mais antigo, um sentimento que agitava o estômago e trazia um vinco entre as sobrancelhas. Salih era um homem relativamente fácil de agradar, simplicidade com o toque luxuoso de uma vida que não tinha sido vivida de maneira diferente. Agora... Quando desagradava, o toque taciturno voltava as feições e agitava borbulhante por baixo da superfície fadada à erupção. Anunciou o comando em turco, os estalos na língua aumentando a seriedade da porta cerrada. Sem dizer uma palavra, postou-se atrás da noiva e desfez dos laços. Dedos arrastados contra a pele macia, acariciando o caminho até que estivesse livre da vestimenta incômoda. Por mais que estivesse com raiva não tinha em si um osso ou músculo capazes de ser menos do cavalheiro. Ou amante. ∘⡊ ˚⊹ Se eu continuei com seu teatrinho apaixonado até a porta, eu acho que você pode confiar em mim. Assim, eu acho. ⊹ Carregou no sotaque da língua da amada, usando gírias e contrações para diminuir as chances de serem compreendidos por qualquer escuta ou visitante. ∘⡊ ˚⊹ Nós somos prometidos, um casamento forjado. Quer deixar tudo mais difícil em fazer acreditarem que estamos apaixonados? Eu nem cheguei aos pés disso quanto estava da Princesa da Síria. ⊹ Balançou a cabeça, os braços cruzados sobre o peito ao se deixar cair na cama dela. Sentado, em seu porte altivo , a perna jogada para cima do joelho. ∘⡊ ˚⊹ Qual é o assunto? ⊹















