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O martelo mal havia batido e ela já revirava os olhos. Ă“timo. Arrematada por um Lefevre. O auge da elegância velraissiana. O salĂŁo pareceu aplaudir com entusiasmo, como se nĂŁo tivesse sido ensaiado. Como se aquilo nĂŁo tivesse sido decidido dois dias antes, no jardim, entre olhares cĂşmplices e copos de vinho. Ela sorriu, mas nĂŁo muito, algo mais contido e ensaiado. Ser muito acessĂvel era um erro. Ser comprada com facilidade, um erro ainda maior. E ser escandalosa, o pior de todos, segundo a Madame Dubois. E embora odiasse tudo aquilo — a exposição, os olhares, a leiloeira gritando nĂşmeros como se estivesse em uma feira —, preferia mil vezes isso do que cair nas mĂŁos de algum duque seboso querendo "domar o temperamento dela". MathĂ©o se aproximou com o ar de quem havia feito um grande favor Ă pátria, enquanto ela ergueu o queixo, impassĂvel, e sĂł quando ele já estava ao alcance da voz, disparou: âť› VocĂŞ podia ao menos ter esperado mais uma rodada. Me valorizado um pouco mais. âťś Deu um passo Ă frente, como se nĂŁo tivesse acabado de ser vendida como um cavalo premiado. âť› Me sinto um pouco insultada, para ser sincera. A quantia foi baixa. E vindo de seu bolso, do meu irmĂŁo… ainda mais embaraçoso. âťś Se virou parcialmente, para que os outros vissem o perfil dela. O queixo erguido. A altivez treinada. âť› Agora o mundo acha que nĂŁo valho mais do que isso. âťś















