It’s never too early to panic.
Seu coração bombava tão forte que as artérias de todo seu corpo tremiam a cada novo pulso. Os ouvidos, desatentos, eram incapazes de cumprir apropriadamente sua função com as batidas de seu músculo cardiovascular sendo tão violentas -- que, com o tempo, passava a doer no peito. As mãos tremiam descontrolavelmente e, por mais que todo seu tronco exalasse calor, seus membros mais extremos estavam gélidos; seu suor também estava em um dilema parecido, fazendo a pele da pianista sofrer mínimos choque térmicos com as diferentes temperaturas. Em seu âmago, sentia que iria morrer logo e esta sensação parecia apenas piorar as anteriores e também trazia novas: como uma dor de cabeça alucinante mesclada a tontura. Hyemi buscou apoio em um poste, sentando sobre os pés e abaixando um pouco o tronco na tentativa de regularizar sua respiração -- pois ainda que seu psicológico acreditasse que não estava no mundo real, parte de sua consciência tinha noção do que estava acontecendo: era um ataque de pânico. E estava sob muito sofrimento para se preocupar em conseguir ajuda de alguém (que aliás ninguém oferecia, mesmo vendo o estado da garota, grande parte das pessoas apenas passavam reto). Seus olhos marejaram. Era uma sensação que Hyemi não desejava nem ao seu pior inimigo, e mesmo que o ataque tivesse começado segundos atrás, para a pianista pareciam horas! Sua mente, não ajudando em quase nada, ainda a recordou que daqui a pouco ela deveria ir ao teatro apresentar um recital solo, onde não deveria chegar atrasada. Mas, que horas eram? Há quanto tempo estava ela ali? Não sabia, não obstante, tinha como descobrir. As mãos trêmulas e gélidas buscaram pelo seu aparelho celular, Hyemi tentava ficar o mais sã possível para encontrá-lo. Quando os dedos finalmente envolveram uma forma retangular em seu bolso, não tiveram força o suficiente para arrancá-lo de lá, e o objeto tecnológico caiu deslizando para um pouco além do meio-fio no meio da rua. Hyemi apenas assistiu sua última esperança longe do seu alcanço, a visão embaçada pelas lágrimas que já não estavam mais presas, e a sensação de impotência mesclando-se ao pânico fez com que a pianista sentisse náuseas.
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