NĂŁo imaginava que alguĂ©m da idade da garota pudesse comprar sua desculpa esfarrapada, ainda assim nĂŁo iria reclamar. Ouviu-a tagarelar, imaginando que talvez ela fosse pior que ele mesmo nesse quesito e isso nĂŁo era ruim. âAcredita que eu tambĂ©m sou muito bom em curativos?â, questionou divertido, fingindo um tom de surpresa. A verdade Ă© que ele estava animado em conhecĂȘ-la e brincar com aquela inocĂȘncia toda.
âMas Ă© porque normalmente sĂŁo as pessoas ao meu redor que se machucamâŠâ, comentou casualmente. Mentira, ele tambĂ©m vivia se estabacando enquanto pulava de muro em muro da cidade, mas aquilo ela nĂŁo precisava saber, nĂŁo por enquanto. Apertou a mĂŁo alheia, observando-a com divertimento no olhar.
EntĂŁo franziu o cenho, em estranhamento. O que aquilo queria significar? Pigarreou, preparando-se para ensaiar como descobriria mais.
âNa verdade, nĂŁo dĂĄâŠâ, pontuou, rindo. âEu sou um caso a parte, loirinha. Sou especial. VocĂȘ sĂł nĂŁo vai poder contar para sua mĂŁe sobre minha visita, era surpresaâ, segredou, esperando que ela entendesse. âMas se a questĂŁo Ă© conhecer pessoas novas, posso te levar conhecĂȘ-las⊠Qual Ă© o problema, nĂŁo pode sair pelo portĂŁo?â
âAh, wow! A gente tem coisas em comum! Que incrĂvel!â Rowan sorriu, embora nĂŁo fosse uma habilidade muito interessante quando a Ășnica pessoa em que vocĂȘ faz curativos Ă© vocĂȘ mesma. Subir no telhado, cair de bicicleta, cair das ĂĄrvores do quintal... Ă sĂł ter uma ideia ruim e Rowan jĂĄ estava nela com todo o coração. âAh, nĂŁo, isso Ă© pĂ©ssimo. Mas pelo menos elas tem vocĂȘ para tomar conta delas. Minha mĂŁe nĂŁo pode nem pensar em ver sangue. Ela detesta, detesta mesmo. Por isso que eu aprendi. Uma vez ela atĂ© deixou eu colocar um band-aid no dedo dela. Foi um passo muito importante pro nosso relacionamento.â
Rowan recolheu sua mĂŁo, se balançando nos calcanhares. Ela teve a certeza de olhar em volta para ter certeza que a mĂŁe nĂŁo estava se aproximando. Se era uma surpresa, bem, entĂŁo ela nĂŁo podia saber! Se bem que mamĂŁe odiava surpresas... Talvez ela tivesse se precipitado em confiar no rapaz.Â
âBem... NĂŁo Ă© que eu nĂŁo posso. Eu sou uma moça adulta. Posso fazer minhas prĂłprias decisĂ”es. Ă sĂł que... A minha mĂŁe nĂŁo gosta muito. E... A criminalidade Ă© tĂŁo alta. E doenças! Uau, tem muitas doenças lĂĄ fora. VocĂȘ jĂĄ ouviu falar de gripe? Mata milhĂ”es, todos os dias!â Ela olhou para trĂĄs, para o portĂŁo, e suspirou. âAcho que Ă© melhor eu ficar em casa. Ă melhor evitar a briga.âÂ