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Em algum lugar da primavera passada estamos juntos. Perdidos entre os lĂrios, os girassĂłis e o doce mel das flores de laranjeira.
cr.
VocĂŞ Ă© uma daquelas catedrais histĂłricas que a gente entra pra fazer um pedido acaba se apaixonando e nĂŁo quer mais sair.
Eu te cuido, porque muito provavelmente, vocĂŞ foi a alma mais bonita que conheci e nĂŁo vou ter essa sorte duas vezes.
n.

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sentia a falta dele, e se odiava por isso.
em suas voltas para casa, esperava o encontrar pairando pela entrada, mas naquele dia, onde o céu parecia um vasto firmamento que o devorou, também não o encontrou.
o celular tocou alto como se fosse o único som que pudesse ser ouvido ali. era apenas um alerta de tempestade se aproximando de sua localização. pensou então — quando ela vier, me transborde — mas a chuva se dissipou.
recorreu aos céus, suplicando que Deus o escutasse dessa vez. que lhe mandasse o mais sincero dos sinais. que ressignificasse o ecoar das trombetas e anunciasse — meu filho, a sua hora chegou — mas o céu se manteve em completo silêncio.
escutava delicadamente as letras de suas canções preferidas, buscando fragmentos, desmistificando cada palavra na esperança de encontrá-lo. mas nenhuma melodia o respondia.
pelas ruas, mesmo quando tudo apertava o peito, andava agradecido pelo que lhe foi concedido. observava com atenção as pessoas que transitavam pela cidade, admirava o florescer das árvores, os prédios que à noite ganhavam brilho, o céu que se transmutava. fotografava, para poder admirar quando tudo mudasse de forma — mas nada compreendia.
sempre amou as noites, ainda que admirasse o amanhecer do sol. sentia que as respostas sempre estiveram escondidas quando a noite cai.
acreditava que cada estrela contava uma história. não nas que cresceu ouvindo sobre o pós-vida, mas nas que diziam das possibilidades de como a vida acontecia por diferentes perspectivas. bastasse acreditar — e acreditava.
declarou a procura. convicto de que o encontraria, atravessou a cidade correndo como notĂcia ruim.
e acreditando, em uma noite de lua crescente, sob um céu recoberto de estrelas, algo aconteceu.
adiante, reluzente — em uma atmosfera vĂvida — estava a personificação de tudo aquilo que, por fim, compreendera. nela refletia a resposta que tanto procurava.
o medo no piscar de olhos em desacreditar, nĂŁo o acompanhou. o espelho que refletia nĂŁo poderia mentir, a ele nĂŁo pertencia tal habilidade.
naquela noite o céu o inundou, as melodias ganharam forma, fervilhava por dentro.
ele estava ali. o havia encontrado. @revogaste-s
Acho bonito quando a vida desacelera um pouco. Quando sobra tempo pra olhar o céu mudando de cor, pra terminar o café sem pressa e pra sentir que existir não precisa ser uma corrida o tempo inteiro.
Nanda Marques.
“Há algumas noites eu não consigo dormir direito. Não sei se são excessos de pensamentos, falta de sono ou falta do que fomos. Entre uma virada para um lado e outra, tenho esse pensamento recorrente de que, lá no fundo de mim, existe algo que acredita não estar certo em ser eu. Como se a felicidade me queimasse toda vez que resolvesse bater à minha porta, como se sorrir de verdade doesse.
E talvez doa mesmo. Talvez exista algo cruel em finalmente tocar a paz depois de ter aprendido a viver em estado de guerra. O corpo estranha o silêncio quando passou tempo demais decorando o som das despedidas. Então continuo encarando o teto como quem observa um céu sem estrelas, tentando entender em que momento me acostumei tanto à ausência, a ponto de a ideia de ser feliz começar a parecer uma ameaça.
Mas, às vezes, bem no fundo da madrugada, existe um instante pequeno em que tudo desacelera. Como se o universo inteiro parasse apenas para lembrar que nem toda dor nasceu para durar. E talvez a natureza das coisas seja essa: até as tempestades mais violentas se cansam de destruir e, um dia, se tornam apenas vento atravessando árvores vazias.”
Nebulento.
A conversa já não fazia muito sentido fazia tempo. As palavras vinham, mas nenhuma realmente chegava no lugar certo.
O quarto estava silencioso, daquele jeito que amplifica tudo que nĂŁo Ă© dito. A luz era fraca, quase tĂmida, como se tambĂ©m nĂŁo quisesse se envolver.
Ela estava sentada, os dedos inquietos, dobrando e desdobrando a barra da própria roupa sem perceber. Ele olhava, tentando entender — ou talvez só tentando adiar.
— A gente… — ela começou, mas parou no meio. Franziu a testa, como se nem ela soubesse exatamente o que queria dizer. — Eu não sei mais explicar a gente.
Ele respirou fundo, olhando pro chĂŁo por um segundo.
— Talvez nunca tenha sido pra explicar.
Ela soltou um sorriso pequeno, triste, que nĂŁo durou.
SilĂŞncio.
Dessa vez mais pesado.
Ele passou a mão no rosto, cansado de engolir aquilo. Tinha coisa demais guardada, e guardar já não tava funcionando.
— Eu preciso te falar uma coisa.
Ela congelou por um instante. Os dedos pararam.
Mas não foi susto — foi como se alguma parte dela já soubesse.
Ela levantou o olhar devagar.
— Fala…
A voz saiu baixa, insegura, quase pedindo pra nĂŁo ouvir.
Ele demorou um pouco. NĂŁo por falta de coragem, mas porque sabia que depois daquilo nĂŁo tinha mais como fingir que era sĂł mais uma conversa.
— Tudo que eu sei é que eu gosto de você de um jeito que eu nunca gostei de ninguém… talvez isso seja só especial pra mim.
O mundo nĂŁo parou. Mas pra ela, quase.
Os olhos ficaram nele, mas sem foco — como se ela estivesse olhando e, ao mesmo tempo, tentando fugir pra dentro de si.
A respiração dela mudou. Mais curta. Irregular.
— Eu… — ela tentou.
Parou.
Passou a mĂŁo no cabelo, desviou o olhar, como se procurasse uma resposta em qualquer lugar que nĂŁo fosse nele.
— Eu não sei… — saiu baixo, quebrado. — Eu juro que eu não sei.
Ela apertou os prĂłprios dedos, como se isso ajudasse a organizar alguma coisa por dentro.
— Não é que eu não sinta… — continuou, quase num sussurro. — É que quando eu tento entender… some. Eu me perco.
Ele ficou em silĂŞncio.
Ela finalmente olhou pra ele de novo — e dessa vez doeu mais, porque tinha verdade ali.
— Eu queria conseguir te dar uma resposta que não fosse assim.
A voz falhou no meio.
— Eu queria que fosse simples pra mim do jeito que parece ser pra você.
Ele engoliu seco, mas nĂŁo interrompeu.
— Mas eu não sei o que fazer com isso aqui dentro… — ela tocou levemente o próprio peito, perdida. — Eu não sei se isso vira algo… ou se já é tudo e eu só não sei reconhecer.
O silĂŞncio voltou.
Mas agora era bagunçado, cheio, sufocante.
Ela respirou fundo, como se fosse chorar — mas não chorou. Ficou presa naquele meio-termo que machuca mais.
Ele assentiu devagar.
Não porque entendeu tudo — mas porque entendeu o suficiente.
— Tá… — ele disse baixo.
E dessa vez, o “tá” não era aceitação. Era só o que dava pra dizer quando não existe resposta certa.
Ela abaixou o olhar.
E ali, pela primeira vez, ela percebeu que sentir muito… não significava saber amar alguém do jeito que ele precisava.
Coturnos on Antibodies - Interrogações.
“Talvez você case, talvez não. Talvez tenha filhos, talvez não. Talvez se divorcie aos quarenta, talvez dance ciranda em suas bodas de diamante. Faça o que fizer não se auto congratule demais, nem seja severo demais com você, as suas escolhas tem sempre metade das chances de dar certo, é assim para todo mundo.”
— Pedro Bial.-

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“Eu sou um viciado em escrever porque falar em voz alta me expõe demais. Escrevo porque, se eu parar, eu escuto o eco das minhas próprias perguntas.”
Nebulento.
pode ser que cĂŞ me encontre
mas nunca em outro alguém
sĂł tem eu de mim
sĂł tem eu
– Patrick Gois (fraizteconta)
por favor, não desista de você. você merece mil milhões de chances, se perdoe e recomece.

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Vc ainda escreve texto de amor e saudades infinitas
escrevo… 🤍