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Amar verbo transitivo?!

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gosto de escrever textos longos porque geralmente escrevo o que estou sentindo. Quando escrevo só uma frase sinto que estou sendo preguiçoso comigo mesmo, é uma cobrança pessoal. Sou péssimo em tudo o que faço, mas não suportaria negligenciar a única coisa que eu amo: escrever. Mesmo os textos mais cansativos e chatos foram feitos com a minha alma, sou do jeitinho que você ler.
— rocco-o
(...) e por isso fico cansada antes de me jogar em outro mar desconhecido.
A gente franze a testa, fecha o olho e tampa o nariz só de pensar em sentir aquele sal todo ardendo, sabe que na hora de conhecer alguém o processo é meio parecido. Nunca fui muito a fundo (no mar e nas relações), pq tenho estabelecido um limite físico claro de até onde posso ir. Coisa do meu pai. E por conta do "rumi, só até aí!!!!", parece que qualquer relação que mergulhe a fundo, eu ouço a voz dele. Eufórica, eu abruptamente paro e vou voltando aos poucos pro raso, até sentir a ponta do dedão tocando a areia e eu finalmente me sentir segura. No mar e em relações, reclamo que não tem mais diálogo, que o outro não se comunica mais, mas eu que sou o problema. Volto pra tão tão longe dele que não o escuto mais.
Grita, cantarola, implora, chora.
Bem, eu tô longe e no raso novamente. Agora só escuto o sorveteiro da rochinha. Em poucos segundos, sinto frio porque meu corpo já está 80% fora d'água. Eu corro pra pegar a toalha e o meu sorvete "moço, um de guaraná com açaí!". Nesse momento, além de não escutar e ver, agora eu não o sinto mais. Tô me recuperando do choque térmico e com zero condições de pensar em voltar pro mar tão cedo. Talvez amanhã. É um ciclo vicioso... Agora o dificil mesmo é quando o oposto acontece. No mar e em relações. Ignoro o "rumi, só até aí" do meu pai e continuo nadando. mas parece que eu me perco, só tem eu ali, ouço vozes, vejo pontinhos se mexendo, mas de lugares muito diferentes e isso me deixa extremamente confusa, mas em êxtase. Quero procurar, quero encontrar.
Curiosidade.
De onde será que tá vindo? Será que as outras pessoas também tem vozes lhe dizendo até onde devem ir?
Isso é uma ótima metáfora para limitações e barreiras invisíveis que colocamos uma em seguida da outra...
...no mar e em relações.
Quero me conectar com a escrita de novo
Essa parte minha que me atropela e perturba para depois me colocar de volta em mim
Ando exaustiva
Perdi alguns amigos pelo caminho
Ou eles que me perderam?
Durmo de um jeito
Acordo e já sou outra
Até eu preciso me digerir aos pouquinhos.

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By Horacio Quiroz
Você estava na passagem do meio da estação consolação. Isso significa que preferiu não ir de esteira rolante, tua carinha. É engraçado como nesses momentos (públicos) eu sempre tento evitar ao máximo o contato visual com as pessoas. Então vivo com a cara no celular, passando horas a fio, fingindo estar postando algo no twitter sem nem ter sinal. Foi de supetão, e eu, magicamente, fui atraída por tua camisa jeans, o cabelo raspado que resolveu deixar (e ficou uma gracinha) e teu olhar sempre seguro. Qualquer coisa que venha de você já sei que vai impactar. Radiante. Mesmo a passos furiosos no intuito de passar despercebida. Não pra mim. O teu olhar, mesmo distante, focava em algo. Algum pensamento, não sei. Eu até pensei em mandar mensagem, mas olha só como foi nossa última troca. As últimas.
Em respeito ao tetris, eu sorri e tweetei sobre como é filha da puta a sensação de encontrar paixões antigas (((mal resolvidas))) no metrô. - Foi pro rascunho.
A tua imagem foi se esvaindo. Pouco a pouco. No caminho de volta, meus olhos infelizmente percorreram a estação toda em busca de algo, talvez com cabelo raspado. Como será que cê tá?

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Not to self diagnose but something is wrong
Ultimamente, eu ando irritada com as pessoas que não sabem a hora de parar de falar delas ou se sentem no direito de falar incessantemente pelo simples fato de você se “mostrar” disposto e compreensível, o famigerado “fala que te escuto”, um reclame aqui ambulante. Acontece que tem uma pandemia rolando e tal, tem uma saúde mental se declinando e tal e as relações sociais se atrofiando...e tal; balbucio algo como
estou mal, não tô conseguindo absorver as informações, então, pode falar, mas não sei até que ponto eu tô de braços abertos e....
....Simplesmente não muda em nada. As pessoas só querem entregar a bolota de emaranhado de elásticos derretidos pra alguém, como numa brincadeira de batata quente a la round 6. E a batata sempre queima a minha mão. Às vezes nem estão buscando um propósito nisso, só pela simples sensação de alívio do ego ferido-compartilhado. Mas o que fazemos então? Não nos mostremos dispostos e compreensiveis? Sejamos amoebas incompetentes que nem certos presidentes por ai? Escutemos, porém, coloquemos um tampão pra fingir que estamos escutando e no final falar “então, é foda. compreendo, mas segue a vida, tá todo mundo fodido”. Tudo parece simples e racional pra quem é acéfalo e apático.
Pois bem, esses dias, na sessão de terapia rolou o seguinte diálogo: “a gente abre o canal de comunicação e a pessoa vem com o Rio Tietê, poxa vida, cara!!! estou exausta de falar pras pessoas que tô exausta”. Ele riu e calmamente respondeu: “Alesandra, o rio tietê, como você bem sabe, não segue sempre da mesma forma ao longo do percurso. Do mesmo modo que você interpreta de um jeito, quem tá na nascente, interpreta de outro e quem tá lá na foz também, nos afluentes, nos subafluentes e assim por diante. Você abre o canal, mas não pode controlar a forma que irá refletir no próximo, dependendo de onde ele se encontra. A tua parte você fez, você sempre faz, mas lembre-se, se isso reflete em você, é pq lá atrás você possibilitou que isso refletisse em você.”
O canal né, quem abre a porra do canal é responsável por isso. E aí que tá o ponto. A gente só tem controle sobre nós mesmos, a água é fluida. Contaminada, abundante, escassa. O lance está em você encontrar pessoas que estejam no mesmo ponto. Processualmente falando. A gente não pode impor que quem esteja na nascente entenda como é chegar ao fim.
hoje minha vó reparou que comprei uma roupinha nova pro meu cachorro. Parece besteira, mas ontem ela havia perguntado 5 vezes seguidas do pq não era pra tomar banho. E eu expliquei 5 vezes seguidas que era pra esperar um pouquinho, pq o almoço já tava saindo. Desse jeito mesmo, com cuidado. Nesse meio tempo, eu acabei dormindo, enquanto a gente assistia um programa sobre mochi (um bolinho de arroz) e acordei com o cobertor dela. Ela se cobriu com a blusa fininha.
hoje minha vó reparou que comprei uma roupinha nova pro meu cachorro e me perguntou até se meu pai já tinha chegado do mercado. E eu disse que ainda não. Fui fechar a janela e ela disse que logo menos fechava. Eu concordei e pouco tempo depois, eu ouvi a janela fechando. Parece besteira, mas uns dias atrás ela não conseguiu segurar e fez as necessidades no sofá da sala... Ela não avisou, foi ao banheiro e tentou lavar na pia. Só percebemos, pq dessa vez escorreu pro sofá. Ela não estava de fralda.
hoje minha vó reparou, mas amanhã pode não reparar. Não importa. Sigo orgulhosa dela.

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vocês já se envolveram com alguém pela sensação do que ela passa? Esses dias, uma amiga me disse que tava saindo com um cara pq ele a tratava bem, pq ele dava atenção e se importava, era um bom ouvinte.
E eu fiquei pensando que já fui esse cara tantas vezes. o respeito, a reciprocidade, o dialogo e a abertura são condições básicas pra qualquer relação social e hoje em dia são vistas como pontos ganhos. Extras, diferenciais. E daí vc se apaixona/se interessa pela sensação de bem estar e não pela pintinha ao lado da boca que levanta delicadamente quando ela dá um sorriso tímido, os olhos dela se revirando quando o assunto é queijo vegano frio e não quente; o sapato branco que ela usa toda vez que tá num dia merda e eu tento usar o preto, pq dizem q o cinza significa “neutralidade e estabilidade”; as perninhas agitadas quando falo que a amo e outra meia reviradinha de olho e a pintinha na boca coincidentemente levantando.
os detalhes no outro vão se esvaindo... A gente se interessa pelo cuidado externo que falta com a gente, digo, que cada um deveria buscar em si mesmo. A gente esquece de olhar pras pessoas e suas particularidades extraordinárias e não buscar preencher com o que nos falta.
O que você responde quando te perguntam o que você gosta nela?