3º Capítulo.
A cada porta de sala que nós passavamos, ela dizia algo enquanto apontava para a sala. Após subir duas escadas, chegamos ao terceiro andar, no qual ficava localizado a nossa sala. Ela parou de frente para uma porta, e sorriu para nós. Eu e Felipe se olhamos com tédio, e respiramos fundo.
- A sala de vocês é aqui - apontou, assentimos. Ela abriu a porta, e pediu para nós aguardarmos um pouco. - Terceiro ano - ela chamou a atenção deles, escutei o barulho das carteiras sendo arrastadas, e logo o barulho de pessoas sentando. - Temos dois alunos novos para esse ano, espero que vocês recebam eles bem. E que não tenha nenhuma reclamação da parte deles, escutaram? - falou
- Sim senhora - responderam em coro, eu e Lipe rimos baixo.
- Então apresento para vocês - ela puxou eu e Felipe para a sala - Fernanda Bittar e Felipe Bittar - falou, meu olhar percorreu por toda a sala. Todos se olharam e comentaram as coisas. Lipe me abraçou de lado. Conforme eu olhava para aquelas pessoas, eu lembrava que tinha me esbarrado com alguns lá fora.
- Vocês não querem se apresentar para nós? - disse a professora
- Querer a gente não quer né, mas - falei
- Fica queta Fer - ele me deu um cutucão
- Ai Felipe - falei um pouco alto, o que fez algumas pessoas rirem.
- Bom, sou Felipe, irmão gêmeo não idêntico dessa anta - falou me dando um tapa na cabeça
- Mais respeito que eu sou mais velha - mostrei a lingua, eles riram baixo. - Podem me chamar de Fer, Fê, Nanda, ou sei lá o que - ri baixo
- Fefê gente - disse Lipe
- Fefê teu rabo - revirei os olhos
- Vocês são sempre assim? - escutei uma voz vindo do fundo, olhei e era a guria de cabelos pretos que estava la na frente hoje cedo. Sorri pra ela.
- Quase sempre - respondeu Lipe
- E da onde vocês vieram? - perguntou a professora
- Chegamos ontem do Canadá - contei. Mais cochichos aconteceu na sala.
- E porque vieram? - perguntou a professora de novo, já estava querendo dar um murro na cara dela. Que mulher mais curiosa.
- Vou trabalhar em uma instituição, como professora de ballet - disse.
- Ballet, clássico ein - comentou um guri lá atrás, revirei os olhos.
- Bom, podem sentar então - pausou - Sou professora de matemática, e me chamo Karina, qualquer coisa estou aqui - falou, pra ser chata desse jeito tinha que ser professora de matemática mesmo. Nos sentamos lá atrás, já que tinha duas carteiras vagas. As três primeiras aulas não demoraram muito para passar, as pessoas até que eram legais. E amei a professora de história.
- Fer vou passar no banheiro, ae vou procurar lanche, vai me esperar? - perguntou logo que bateu o sinal
- To morrendo de fome, então já vou atrás de lanche - disse me levantando da carteira. Os alunos já saiam da sala. Eu fui para um lado e Felipe para outro, estava procurando a cantina quando escutei um "Psiu". Olhei para o lado e era a moça de longos cabelos pretos.
- Ah você - falei rindo
- Você deve estar me achando uma louca - disse rindo - Esta atrás da cantina? - perguntou
- Sim, por favor - sorri de lado
- Vem eu te levo - disse me pegando pelo braço e me arrastando. Fui rindo. Não demorou muito para a gente chegar na cantina, mas a fila estava enorme - Licença, to com a Canadense e ela ta com fome, deixa eu passar - foi entrando no meio de todos, e empurrando eles. Quando um guri impediu sua passagem.
- Af Théo deixa eu passar - ela o olhou com um certo nojo
- Não, só se você aceitar conversar comigo - falou
- Não quero falar com você. Vai com a Sabrina - piscou enquanto o empurrava. - Tia quero dois lanches, e dois suco de laranja? - me olhou, eu assenti - É laranja. - afirmou. Ela deu as fichas e a "tia" pegou o dinheiro. - O valor do lanche aqui é um roubou - comentou enquanto mudavamos de fila, agora estavamos na fila do lanche.
- Porque você não falou com ele? - perguntei olhando para o guri que nos olhava com o olhar meio triste.
- Eu namorei com ele durante 2 anos - ela entregava a ficha para a outra tia, enquanto falava comigo - Diziam que nós eramos o casal mais perfeito daqui, até que eu descobri semana passada, que fazia 2 meses que ele me traia com a Sabrina - me entregou um lanche e um suco, e ficou com o outro lanche e suco. A olhei com um olhar triste - Por favor, não me olhe assim, não pense que eu estou mal, pois não estou - disse
- Certeza? - perguntei enquanto sentavamos em uns banquinhos.
- Certeza, Sara Yanks não fica mal por meninos, ela fica mal por uma unha quebrada, e não por meninos - falou rindo
- Você é das minhas então - falei batendo na mão dela - Nunca me apaixonei sabe, e acho o amor uma bobagem, pode ser que eu esteja errada, mas não acredito no amor - falei enquanto tomava meu suco
- Ele foi meu primeiro amor, o primeiro garoto que eu gostei de verdade, é dificil - falou - Mas chorar? Jamais - disse
- Melhor chorar pela unha - falei rindo, ela assentiu enquanto ria também. Olhei para o lado, e Felipe estava perdido. - Lipeee - gritei e acenei, ele sorriu e veio para perto de mim.
- Nossa, fácil de se perder aqui - falou rindo
- Olha Lipe, essa é a Sara, é da nossa sala - falei
- A menina que mandou bem no inglês hoje mais cedo - disse comprimentando ela
- Olha só o menino gatinho que chegou do Canadá, e já ta na boca das meninas - falou rindo
- Gatinho? - ri pra ela - É que você não viu como ele acorda ainda, com aquela baba nojenta escorrendo - gargalhei
- Mentira dela Sarita - me deu um tabefe, enquanto mordia meu lanche
- Seu manézão - bati nele, e escondi meu lanche
- Tomara que te de uma dor de barriga - piscou
- Toma - tirei um pedaço para ele, que riu.
- Mas o que as meninas andam falando ja? - falou curioso. Sara ficou enchendo o ego dele até o sinal bater, já sei que eu iria escutar o resto da tarde, ele falando que as meninas da escola eram mó gatinhas e estavam falando dele, e que ele iria fazer uma festa e chamar todas para fazer a festa particular dele. Conheço a peça. O sinal logo bateu, voltamos para a sala, quando foi 12:30 fomos liberados.