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Há uma estória indiana — pelo menos eu a ouvi como indiana — sobre um inglês a quem contaram que o mundo repousava sobre uma plataforma apoiada nas costas de um elefante, o qual, por sua vez, apoiava-se nas costas de uma tartaruga, e que indagou (talvez ele fosse um etnógrafo; é a forma como eles se comportam), e onde se apoia a tartaruga? Em outra tartaruga. E essa tartaruga? 'Ah, '“'Sahib; depois dessa são só tartarugas até o fim.'"
(Clifford Geertz, Uma Descrição Densa)
O que, então, constitui a alienação do trabalho? Em primeiro lugar, o fato de que o trabalho é exterior ao trabalhador, isto é, não pertence ao seu ser essencial; e que, portanto, no seu trabalho ele não se afirma, mas se nega, não se sente contente, mas infeliz, não desenvolve livremente sua energia física e mental, mas mortifica seu corpo e arruína seu espírito. O trabalhador, por conseguinte, só se sente ele mesmo fora do seu trabalho, e o seu trabalho surge como exterior a si mesmo. Ele se sente à vontade quando não está trabalhando, e quando está trabalhando não se sente à vontade. Seu trabalho, portanto, não é voluntário, mas coagido; é trabalho forçado. Não é, portanto, a satisfação de uma necessidade; é meramente um meio de satisfazer necessidades exteriores. Seu caráter surge claramente da constatação de que no momento em que não existe compulsão física ou de qualquer outro tipo, o trabalho é evitado como, uma praga… Finalmente, o caráter exterior do trabalho para o trabalhador aparece no fato de que não é dele, mas de algum outro, que não pertence a ele e que, através dele, pertence… a outra pessoa. Assim como na religião a atividade espontânea da imaginação humana, do cérebro humano e do coração humano opera independentemente do indivíduo — ou seja, atua sobre ele como uma atividade alienada, divina ou diabólica — da mesma maneira a atividade do trabalhador não é sua atividade espontânea. Pertence a outro; é a perda de sua individualidade.
Karl Marx, Economic and Philosophic Manuscripts pf 1844 (Moscou: Foreign Languages Publishing House, 1961), pp. 72-73. Apud Marshall Sahlins, Sociedades Tribais
Meu sangue ferve quando vejo a verdade dos seus olhos. E isso me muda pra alguém que eu deveria ter sido desde sempre, mas não poderia ter sido sem experimentar do seu fogo (e não poderei ser até que ele me consuma). Eu sei que o seu esplendor não é só de lábios e que, mesmo que eu busque, não é possível chegar à fonte da sua chama. O ardor dela não consome, não termina. Ela destrói o caos e faz novas as coisas.
R. F.

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Meu Coração é um Sertão
Um dia Todo mal vai acabar Eu sei que vai O sertão vai virar mar
Francisco molha o pão no café Pensando no peixe que vai pegar O gado morrendo de fome Curralinho parece um filme do Mad Max Come farinha pra encher a barriga Ainda bem que tem farinha
Meu coração é um sertão Minha alma é nômade
R.F.
Emotions sprinkling like rain Affections afire Believing in meaning again Of pain and desire
Justice feels like recognition And Sunday morning I’d say I’m sorry But I’ve seen the glory
R.F.
Vou pedir pra assinarem Uma petição-tatuagem Desenharem na pele O que já marcaram na alma Aquela coragem selvagem De um amor capital Filha da alegria Um elo da eternidade com o temporal
Somos partisans apocalípticos quilombos de resistência refugiados do ódio e do capital Somos tupis antifascistas Guardamos a chama Que vai dissolver o império e incendiar a terra
R.F.
A agonia de viver dias de inferno compulsório aflição imposta por imperadores loucos
Meu coração doendo Morte no antropoceno Profissionais da violência celebram as políticas homicidas de um capitalismo nefasto O rei insano come pasto
R.F.
Orgulho do orgulho do orgulho
Orgulho do orgulho do orgulho Presunção, bazófia e arrogância Deus, me livra desse orgulho Do orgulho de ter virtudes Do orgulho de ser piedoso Do orgulho de ser humilde Do orgulho de ser qualquer-coisa Por mim mesmo e pra mim mesmo Eu quero o orgulho da dignidade Do valor humano Do valor do outro Do amor E da justiça R. F.

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Algumas pessoas são chamadas por sua capacidade de juntar pessoas. Algumas pessoas são chamadas por seu sofrimento. Outras são chamadas por sua solidão. Essas pessoas são chamadas por Deus porque através da artéria da comunicação elas podem alcançar e segurar em suas mãos corações vivos, batendo. Elas são chamadas porque em seu conhecimento consumidor sobre o vazio de todas as coisas elas podem ser preenchidas apenas pela presença de Nosso Salvador.
First Reformed
A solução para o desespero é a coragem. A razão não oferece resposta alguma. Não posso conhecer o futuro. Nós temos que escolher apesar da incerteza. Sabedoria é sustentar duas verdades contraditórias, ao mesmo tempo, na cabeça: a esperança e o desespero. Uma vida sem desespero é uma vida sem esperança. Sustentar essas duas ideias na cabeça é a própria vida.
First Reformed
Reza a lenda que, na véspera da Batalha da Ponte de Mílvia, apareceu ao Imperador Romano Constantino o sinal da cruz no céu e ele ouviu a declaração: “Sob este signo vencerás!” Então, ordenou que uma cruz fosse presa aos escudos de suas tropas. Ele venceu seus inimigos e, como sinal de gratidão, concedeu à Igreja, até então perseguida, legitimidade e diversos privilégios. Mais tarde, o cristianismo se tornou a religião oficial do Império Romano.
Não me sai da cabeça a pergunta como a história do cristianismo, da Europa e do mundo teria transcorrido, se o Imperador Constantino tivesse compreendido aquela aparição extraordinária com maior entendimento.
Talvez a Igreja, sem os presentes de Constantino, não teria desenvolvido todo seu potencial cultural; talvez o cristianismo, se não tivesse tido a oportunidade de se expandir tanto no espaço público daquele reino no qual o Sol nunca se punha, não teria conseguido penetrar a sociedade com toda a sua força terapêutica. Ela não poderia ter construído instituições educacionais e sociais e não teria colhido a rica safra do fruto bem-aventurado de sua influência ao longo de milênios. Talvez. No entanto, é possível também que, nessa versão imperial do cristianismo, algo essencial tenha sido esquecido e não desenvolvido – que talvez até tenha sido traído e distorcido.
Tomáš Halík, Toque as Feridas
a letra mata e o espírito vivifica
a letra o dogmatismo o literalismo a colonização dos corpos pela escolástica fundamentalista o ver o mundo através de uma gramática normativa totalizante e controladora mata.
o espírito da liberdade e do amor vivifica.
R.F.
As flores que deixei no chão
As flores que deixei no chão, as que não colhi para você, hoje trago todas de volta, para que elas cresçam para sempre, não em poemas ou em mármore, mas onde elas caiam e apodreçam.
E os navios em seus notáveis acasos, imensos e perecíveis como os heróis, navios que não seria capaz de comandar, hoje eu os trago de volta para que eles naveguem para sempre, não em miniaturas ou em canções, mas onde eles se ponham à pique e afundem.
E o menino em cujos ombros eu me pus, de quem o tempo eu purguei com disciplina majestosa e pública, hoje eu o trago de volta para enfraquecer para sempre, não em confissões ou em biografias, mas onde ele floresça, crescendo furtivo e cabeludo.
Não é malícia o que me conduz, o que me leva a renunciar, a trair: é exaustão, eu tendo a te exaurir. Ouro, marfim, carne, amor, Deus, sangue, lua – Sou um especialista nesse catálogo.
Meu corpo que já conheceu tão bem a glória, agora é um museu: essa parte reconheço por causa de uma boca, essa outra por causa de uma mão, essa por umidade, essa por calor.
Quem pode possuir o que não criou? Estou tão alheio à sua beleza quanto a crinas de cavalos e cachoeiras. Esse é o meu último catálogo. Eu já respiro o irrespirável Eu te amo, eu te amo – e deixo você avançar para sempre.
Leonard Cohen Tradução de Fernando Koproski, do livro Atrás das Linhas Inimigas de Meu Amor

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Gaslit?
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Apathy entrenched in the mind Of the war-weary trophy child Chronically apologetic Pathetic People pleasing And Mild
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On the charm offensive Marches his narcissist A fake authority Targeting the enemy Spying vulnerability Seizing opportunity Assaulting authenticity Conquering his loyalty With The darkest empathy
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Plagued by illusions False conclusions Covertly manufactured Manipulative Intrusions? Subtle Campaigns to weaken The fragile Defenses of reality Forcing him to question His beliefs & His sanity?
WhiteJazz
Ilustração de um falso profeta proferindo sua falsa profecia, do “Comentário de Apocalipse” do monge espanhol Beato de Liébana. Séc. X/XI
“Então vi saírem da boca do dragão, da boca da besta e da boca do falso profeta três espíritos imundos semelhantes a rãs.” (Apocalipse 16:13)