Carta para minha versão criança
Essa carta é pra você.
Pra menininha que morria de medo das pessoas que eram más com ela quando deveriam zelar pelo seu bem estar. Que negligenciaram sua vidinha que tava só começando e não perceberam tudo que acontecia. Uma pena que você teve que aprender tanto sozinha sobre como pessoas podem ser cruéis. Eu sinto muito!
Naquela época, eu não pude fazer nada. De forma metafórica, eu ainda não existia como sou hoje. Você teve que ser forte sozinha, com as poucas armas que tinha. E foi.
Você aguentou. Você sobreviveu.
Hoje, eu consegui o que você mais sonhava: nossa casinha. Um lugar só nosso, onde ninguém, ninguém pode te machucar. Aqui você está segura. Aqui você está em paz. Aqui você está bem.
Eu queria tanto poder voltar no tempo… te abraçar forte, deixar você chorar no meu colo, fazer carinho no seu cabelo e dizer que um dia tudo isso ia passar. Que você não estava errada, que não era culpa sua, que você merecia amor e proteção.
Eu sei exatamente como você se sentia. Eu tava lá. Só ainda não tinha chegado.
Sou imensamente grata a você, menininha magrela, por não ter desistido de mim.
Obrigada por ter ficado.
Obrigada por ter sido forte quando não tinha escolha.
Eu cuidei do nosso sonho.
E agora, finalmente, você pode descansar.
Com todo o amor que ninguém te deu naquela época,
Allana





















