Carta número 6 da coleção que jamais será enviada para @kirianbeaumont
Dear Romeo,
Às vezes eu me pergunto se você sabia que me faria sorrir assim, quando me apelidou como a personagem da maior história de amor da literatura. Eu tenho a impressão de que sim. Afinal, seria ingenuidade minha achar que, a essa altura, você não saberia exatamente que coisas provocariam essas borboletas no meu estômago.
É a quarta semana que eu não o vejo e, a essa altura, deveria estar mais fácil, não? Eu já não deveria procurar nos olhos de estranhos a tonalidade azulada que eu só encontrarei nos seus. A visão do meu vizinho loiro - que, eu juro, de costas é tão semelhante a você - não deveria mais acelerar minha respiração. E eu definitivamente não deveria desejar com tanta força que você fosse ele. Eu deveria saber viver sem você, certo? Não é assim que eu me sinto. Sua ausência continua tão excruciante quanto no primeiro dia, talvez até mais. Cada memória que eu não posso compartilhar contigo parece alastrar o vazio que eu sinto dentro do peito, um que eu venho tentando preencher com sol e mar, porém, nem mesmo a doçura encontrada na água de coco tem sido capaz de atenuar esse amargor na minha boca.
Eu queria ter conseguido dizer como te amo naquela tarde no lago. Enfim, reconhecer como meus dias tornam-se mais brilhantes quando posso enxergá-los refletidos em suas íris. Admitir como sempre me equivoquei em relação ao amor: eu pensava que ele deveria me completar. Mas, ao seu lado, percebi que o amor foi feito para transbordar. E você me transborda.
Queria ainda poder dizer que sou sua, mesmo que agora não pareça fazer diferença.
Com amor, da sempre sua, Julieta













