imóvel
Querido diário,
Era uma quarta pré-feriado.
Eu estava na parada de ônibus esperando o bendito transporte chegar. Nesse tempo entre a espera e a chegada do ônibus, ele passou do meu lado.
Estava apressado, pois seu transporte estava quase saindo. Provavelmente ele não me viu. Assim como das outras vezes, em outras situações.
Senti saudades das poucas vezes em que nos falamos. Das pouquíssimas vezes que trocamos acenos de "olá!" e ficaram por isso mesmo.
Fiquei tentada a me fazer de doida e pegar o mesmo ônibus que o seu, mesmo que essa atitude me fizesse chegar atrasada no meu destino. Ao entrar no ônibus, eu iria te perguntar se aquele ônibus iria pra tal lugar -- mesmo sabendo que não iria -- só pra ter a chance de ouvir sua voz se dirigindo a mim, pra ver seu olhar alternando entre desconfiado e desinteressado. Só pra te ter por perto um pouco mais, sem a pressa que sempre nos rodeou.
Porém, não fiz isso. Foi melhor assim. Pelo menos eu tento acreditar que essa foi a melhor decisão que tomei naquele fatídico dia.
Não sei quando te verei de novo. Porém, se você passar, sei que vou continuar estática mais uma vez -- da mesma maneira que você fica quando me vê passar.



















