“Mystery girl…” respondeu num tom brincado, um resquício de sorriso aparecendo em seu rosto. “Você tem um ponto, Charming. Se arthurianos fossem tão interessantes talvez você nem estivesse falando comigo.” o sorriso aumentou. À essa altura ele já estava convencido de que por alguma razão tinha capturado a atenção dela de verdade. E, para a surpresa do próprio, ela a dele. Não era como se não tivesse percebido a beleza alheia logo de cara, mas não imaginou que estaria ali tentando descobrir mais coisas sobre ela através de conversas. “Eu sempre fui e sempre vou ser chamado disso, não importa se quero ou não. Então decidi pegar o lado da palavra que me agrada e aceitar como um título. Se eu digo, deixa de ser ofensivo quando vocês dizem.” explicou, sincero. Ao longo dos anos essa coisa de se auto-depreciar havia se tornado sua maior defesa, embora soubesse que no fundo fazia com que as características ruins que apontavam se fixassem ainda mais em seu subconsciente. Riu de seu erro bobo, levando a mão aos cabelos. “Como você mesma disse, é algo que existe na sua cidade. Algumas pessoas tem nomes peculiares, sei lá.” coçou a nuca, tentando não parecer envergonhado, embora tivesse ficado um pouquinho. “Vai ser pra sempre Amelia Surprising Charming pra mim. You made your bed, now lay in it.” concluiu com um dar de ombros descontraído. No entanto ele franziu o cenho ao ouvir as frases seguintes, surpreso. Por mais que fugisse do cinema e televisão de Storydom e preferisse as histórias de fantasia do mundo non-maj, sabia que ela já havia feito uma porção de coisas, afinal era impossível não saber. “Eu não sei se tô mais surpreso por você achar que eu posso ser bondoso ou nobre de algum jeito, ou por achar que nunca trabalhou na vida.” Sentou-se abraçando os próprios joelhos, virando o rosto para a jovem para lhe dar total atenção. “Eu confesso que não assisto muitas coisas da Briar, mas você não é tipo… Atriz de filmes ou séries ou coisas assim? Isso é trabalho pra porra. Acho que eles acertaram no nome.” concluiu o raciocínio, realmente sem entender o pensamento da jovem. Ok, era rica e privilegiada até demais, provavelmente um fruto de nepotismo, mas isso não significava que seu trabalho era inexistente, mesmo que ele não tivesse muita referência quanto às habilidades de atuação dela. Contudo, tão logo que notou a cara fechada da loira seu sorriso atrevido apareceu novamente. “Eu sou tão transparente assim?” disse, deixando a cabeça pender levemente para o lado e sua expressão transparecer inocência. “Tenho certeza de que o que está por baixo disso aí vale muito a pena, Amelia. Mas é um pouco chato ir tão rápido com essas coisas. Prefiro quando a diversão dura.” Talvez ele fosse sensível ou curioso demais, porém gostava de descobrir alguns dos pensamentos das mulheres com quem se relacionava antes de conhecer as curvas de seus corpos. E provavelmente era por isso que saía magoado quase todas as vezes; se apegar era sempre um péssimo risco para se correr. “Surpreendentemente, acho.” sorriu otimista. As conversas com o gerente da boate andavam sendo boas, por mais que ele estivesse disposto a pagar muito pouco. Mas era mais público e a War Pieces definitivamente precisava. “Porque é uma boa banda, porque shows são divertidos, porque pode dançar lá e se divertir, porque se não gostar e me achar ridículo no palco talvez seu interesse em mim desapareça…” listou “De jeito nenhum. A realeza nunca vai querer ser associada à minha banda ou receber uma dedicatória num show de Castigados, essa eu já aprendi. Além do mais, as músicas não são muito dedicáveis, não somos exatamente românticos.” riu displicentemente, um flash de memória de Spring Westergaard agindo como se nem o conhecesse depois do fim do relacionamento deles e de Anne Marie D'Orleans não querendo ser vista com ele porque isso geraria comentários. Muito provavelmente com a Charming aconteceria o mesmo; o flerte poderia ir além e durar algumas semanas, mas ele seria só um capricho do qual ela se cansaria logo. “Mais um ponto. Os feriados aqui estão ficando… Complicados demais.” suspirou, tentando não pensar na cena do Dia do Salvador e em como ainda tinha pesadelos com aquilo. “Qualquer coisa podemos fingir que é um dia normal e fazer uma watchparty na Lampflix.” tentou amenizar o clima pesado. “Não sei se vou ter planos também. É muito provável que a Academia faça mais um evento comemorativo obrigatório, então… Melhor deixar a agenda aberta.”
as palavras de victor fizeram com que um sorriso fraco pudesse ser visto nos lábios de amelia, se não fosse da charming que estivéssemos falando, talvez suas bochechas corassem. não era aquela impressão que queria passar, apesar de achar que o mistério cativasse as pessoas, ela só não se considerava alguém muito interessante de ver a vida como um livro aberto. as pessoas já sabiam demais sobre amelia: sabiam que era uma charming, que sua cor favorita era vermelho, sua fruta favorita e que tinha uma carreira de sucesso como atriz. no fim das contas, era apenas isso que podia revelar sem parecer extremamente entediante, ela não era uma daquelas princesas que escondiam segredos sórdidos sobre idas ao castigo ou romances proibidos com castigados, estava longe disso. a frase que se seguiu foram acompanhadas de uma carreira da loira, não tinha certeza de que era aquela a motivação do rapaz ter capturado sua atenção de alguma forma, talvez ele só fosse bonitinho? a verdade é que havia algo intangível sobre victor que o tornava intrigante, algo sobre ele ser uma coisa que ela desejava e que provavelmente não se permitiria ter nem se estivesse ao seu alcance. “os arthurianos não, mas, como você deve saber, as garotas arthurianas são muito interessantes.” sua fala poderia ser encarada como bravata, porém não era àquela a sua intenção, realmente achava as garotas arthurianas dignas de devoção, apesar de jamais ter se envolvido com uma delas. a única vez que lhe ocorreu de ter uma paixonite — ainda recorrente — por alguém, nunca teve coragem de arruinar a amizade e agir sobre isso e fora ela, o último interesse de amelia foi o célebre jim hawkins… bom, não interessa de fato, mas o homem ser bonito é tão inegável quanto o fato da terra ser redonda. “tsc, assim você me ofende. sempre pensei que nós tínhamos alguns adjetivos mais criativos.” ainda que estivesse zombando, compreendia um pouco as motivações do tremaine, quando o mundo tenta te convencer de que é uma coisa você se adequa a essa ideia, certo? pelo menos era assim que funcionava vários roteiros de filmes, aquilo não era algo que ela era apta a sentir na pele, e nem queria, aliás. “se serve de alguma coisa, alguns dos meus irmãos têm nomes bem esquisitos. o primeiro nome do meu irmão mais velho é prince, e o segundo nome da minha irmã mais velha é white.” na opinião de amelia, seus pais só tinham acertado no nome das filhas mais novas, o que, obviamente, incluía o seu nome e o de céline. “droga… eu não devia ter dito nada!” brincou, distraída com uma mecha loura do próprio cabelo enquanto falava.“por quê? você é um menino mau, por acaso?” disse com divertimento em sua voz. “de qualquer forma, assim como a nobreza, a bondade também é relativa. o que é bom pra mim pode não ser bom pra você e esse tipo de coisa.” deu de ombros. as palavras ditas por victor, no entanto, a forçaram a se virar para encará-lo com a testa franzida em uma expressão meio cética. “você realmente acha isso?” perguntou, tentando conter sua surpresa. “quer dizer, bom… acho que eu devia estar meio magoada de você nunca ter assistido nenhum dos meus filmes, mas… quer dizer, sério? nem as patricinhas de arthurian hills? acredite ou não esse filme marcou uma geração de adolescentes arthurianas!” ignorou as repetições em suas frases que saíram quase que em um tom acusatório, já que elas indicavam o quão chocada a princesa estava. tinha ciência de que victor não sabia muito sobre ela, entretanto, ele não ter assistido a nenhum de seus filmes era surpreendente, e não de uma forma muito agradável! uma expressão mais descontraída tomou conta de suas feições com o prosseguir do diálogo, ainda que continuasse frustrada independente da mudança de assunto. a resposta era não, ele não era tão transparente, já que o seu flerte — se é que podemos chamar assim — foi um belíssimo tiro no escuro. “play hard to get, adelárd?” ela sorriu, posicionando o queixo na palma da mão. para infelicidade e possível ruína, victor não parava de surpreendê-la. “já entendi, eu preciso te levar pra jantar antes?” a pergunta foi irônica, ainda que tivesse gostado da ideia de ir devagar. “tudo bem, podemos não ir tão rápido com essas coisas.” falou por fim, repetindo as mesmas palavras dele. ergueu a sobrancelha diante da confiança e otimismo alheio, impressionada com a fé do moreno em seu próprio potencial e de sua banda, ela até o invejou um pouco por isso. a ideia, no entanto, não parecia lá muito tentadora, amelia não era o tipo de pessoa que saía para dançar e se divertir com frequência e sim do tipo vou ficar em casa esta noite para decorar o texto. “é isso que você quer? que eu perca o interesse?” perguntou curiosa. “pelo que eu soube as pessoas costumam ficar sexy no palco.” falou. “ah é? e o que vocês tocam?” ela quis perguntar o que ele quis dizer com essa eu já aprendi, porém não quis soar muito invasiva. “sim, por isso sempre sou a favor de evitar feriados!” disse com sinceridade, só os deuses sabem o que teve que aguentar após o dia do salvador. ainda que o pai também tivesse sido afetado pela morte de wendy, ele era narcisista ao ponto de ter odiado a perda do destaque da família charming no feriado. “de qualquer forma… eu aceito! tanto o convite para o show quanto para assistir um filme.” o último não tinha sido bem um convite. “bem, desde que seja um filme meu.”