Bem, eu nĂŁo consigo parar de pensar
vamos lĂĄ
chega me falta o ar
mas vamos falar da culpa
racionalizar
questionar, e solucionar
pesa, quase parte dĂĄ vontade de fugir
mas bem isso nĂŁo te torna melhor
apenas fraco
e te tornar fraco te lembra que o quĂŁo exposto
estĂĄ a pessoas e ao mundo
entĂŁo vocĂȘ resolve fugir o mĂĄximo possĂvel
tentando se esconder, se tornar menos vulnerĂĄvel
e vocĂȘ corre
corre muito, finge que as coisas estĂŁo bem mas
um dia vocĂȘ explode
vocĂȘ tem que no dia seguinte explicar pra as pessoas
o porquĂȘ do surto
que bem, doeu pra caralho
e vocĂȘ resolve sumir durante o tempo enquanto toma
coragem pra tocar no assunto
as coisas ficam bem durante 2 ou 3 dias
e vocĂȘ começa a se questionar sobre o motivo de qual
as pessoas estĂŁo com vocĂȘ, porque as pessoas precisam tanto
de um deus pra apontar o dedo na sua cara e falar
tĂĄ tudo bem, mas eu nĂŁo consigo mentir pra mim
eu nĂŁo acredito, mas olha
eu tambĂ©m tenho minhas prĂłprias fĂ©'s, crenças, vĂcios e virtudes
e no final tudo Ă© igual.
somos todos humanos e frĂĄgeis
isso se torna comum entre as pessoas, ateu ou nĂŁo
vocĂȘ jĂĄ sentiu a dor de estar sozinho ou de quem vai te proteger
e vocĂȘ nĂŁo tem ninguĂ©m.
vocĂȘ começa a pensar na existĂȘncia do universo
e multiversos e vocĂȘ se sente abandonado
completamente
por observar seu povo se matando aos milhares
por puro egoĂsmo, sem perdĂŁo, sem justiça
apontam o dedo na minha cara e falam que Ă© por amor a um deus
apontam o dedo na minha cara e falam que Ă© por dinheiro
apontam a porra do dedo na minha cara e continuam a justificar a morte
depois respiro fundo
lembro da depressĂŁo, da ansiedade, da crise
das minhas memórias de quando era criança, lembro da primeira vez
que chorei sem motivo aparente,tinha 9 anos, eu fiquei ali
no escuro e depois vivi como se nada houvesse acontecido.
depois de 5 anos tudo voltou e bem, eu nĂŁo consegui voltar ao normal
no geral e bem, estĂĄ aqui, e as coisas nĂŁo estĂŁo tĂŁo ruim assim
eu ainda respiro e penso em gostar de alguém um dia.
e as vezes me pego na volta para casa
no ĂŽnibus super lotado graças a grandĂssima competĂȘncia do nosso
governo que não quero entrar no mérito do proletariado.
Mas, naquele momento, eu tinha acabado de fugir da escola
por causa de uma crise
e eu vejo uma mulher negra com seu filho negro
e eles estĂŁo brincando, conversando, ela trata ele com muito
carinho até o ultimo segundo que os olhei.
ela era pura, como um anjo, e assim como seu filho que criava
eu senti amor
eu senti liberdade.